O varejo brasileiro continua enfrentando dificuldades em 2026. Dados recentes mostram que o faturamento do setor caiu 3% em fevereiro na comparação com o mesmo período do ano passado, considerando valores ajustados pela inflação.
ICVA mostra queda de 3% no faturamento real do varejo
Varejo brasileiro registra queda real de 3% em fevereiro e completa nove meses de retração no consumo.
O resultado representa o nono mês consecutivo de retração real nas vendas, indicando que o consumo das famílias permanece pressionado por fatores como inflação elevada, crédito mais caro e renda comprometida.
As informações fazem parte do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), indicador que acompanha o desempenho do comércio no país a partir das transações realizadas em meios eletrônicos de pagamento.
Apesar da queda real, o faturamento nominal — sem desconto da inflação — apresentou leve crescimento de 0,4%, mostrando que parte da expansão registrada ocorre apenas devido à alta de preços.
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O que é o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA)
O Índice Cielo do Varejo Ampliado é calculado pela Cielo, companhia controlada por Banco do Brasil e Bradesco.
O indicador acompanha o desempenho do varejo com base em transações realizadas com cartões e outros meios eletrônicos de pagamento em milhares de estabelecimentos comerciais no país.
Por utilizar dados reais de compras, o ICVA é considerado um importante termômetro do comportamento de consumo dos brasileiros.
O índice avalia dois tipos de desempenho:
- crescimento nominal, que considera os valores sem descontar a inflação
- crescimento real, que remove o impacto da inflação e mostra o poder de compra efetivo
É o indicador real que revela a retração atual do consumo.
Comércio físico cresce, mas e-commerce recua
Os dados mostram um cenário misto dentro do varejo brasileiro.
Desempenho do comércio físico
As vendas em lojas físicas apresentaram crescimento nominal de 0,8% em fevereiro. Esse avanço, porém, ainda é considerado modesto e não foi suficiente para compensar a inflação do período.
Especialistas apontam que o comércio presencial ainda sofre impacto da cautela do consumidor, especialmente em compras de maior valor.
Desempenho do comércio eletrônico
O comércio digital teve resultado mais fraco no período.
Segundo o levantamento, o e-commerce registrou queda nominal de 0,9%, o que indica desaceleração no ritmo de compras online.
Nos últimos anos, o comércio eletrônico teve forte expansão durante a pandemia. Porém, desde 2023 o setor vem passando por um processo de estabilização e adaptação ao novo cenário econômico.
Inflação continua pressionando o consumo
De acordo com Carlos Alves, vice-presidente de Negócios da Cielo, o cenário ainda é desafiador para o varejo brasileiro.
Segundo ele, fevereiro manteve o setor sob pressão, com retração real nas vendas e crescimento nominal limitado diante de uma inflação mais elevada.
Na prática, isso significa que os consumidores estão gastando valores semelhantes — ou até maiores — em dinheiro, mas levando menos produtos para casa.
Entre os fatores que explicam esse comportamento estão:
- inflação persistente em itens essenciais
- crédito mais caro devido aos juros elevados
- aumento do endividamento das famílias
- cautela do consumidor diante da economia
Endividamento das famílias também influencia vendas
Outro fator importante que afeta o desempenho do varejo é o nível de endividamento das famílias brasileiras.
Dados recentes da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo mostram que uma parcela significativa dos brasileiros ainda possui dívidas em aberto, especialmente no cartão de crédito.
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Quando a renda está comprometida com pagamentos de parcelas, sobra menos espaço no orçamento para consumo.
Isso afeta principalmente setores como:
- eletrodomésticos
- móveis
- eletrônicos
- moda
Produtos considerados essenciais, como alimentos e farmácia, tendem a sofrer menos impacto.
O que esperar para o varejo nos próximos meses
Economistas avaliam que o desempenho do varejo nos próximos meses dependerá principalmente de três fatores:
Evolução da inflação
Caso a inflação desacelere, o poder de compra das famílias pode melhorar gradualmente.
Condições de crédito
Reduções nas taxas de juros podem estimular compras parceladas e investimentos das empresas.
Mercado de trabalho
A geração de empregos e aumento da renda também têm impacto direto na capacidade de consumo.
Mesmo diante das dificuldades atuais, o varejo brasileiro continua sendo um dos principais motores da economia do país.
Nos próximos meses, o setor será acompanhado de perto por analistas e investidores para avaliar se a sequência de retrações será interrompida ou se o consumo seguirá em desaceleração.
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Imagem: Reprodução
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