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ICVA mostra queda de 3% no faturamento real do varejo

Varejo brasileiro registra queda real de 3% em fevereiro e completa nove meses de retração no consumo.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes4 min de leitura
icva

O varejo brasileiro continua enfrentando dificuldades em 2026. Dados recentes mostram que o faturamento do setor caiu 3% em fevereiro na comparação com o mesmo período do ano passado, considerando valores ajustados pela inflação.

O resultado representa o nono mês consecutivo de retração real nas vendas, indicando que o consumo das famílias permanece pressionado por fatores como inflação elevada, crédito mais caro e renda comprometida.

As informações fazem parte do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), indicador que acompanha o desempenho do comércio no país a partir das transações realizadas em meios eletrônicos de pagamento.

Apesar da queda real, o faturamento nominal — sem desconto da inflação — apresentou leve crescimento de 0,4%, mostrando que parte da expansão registrada ocorre apenas devido à alta de preços.

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O que é o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA)

O Índice Cielo do Varejo Ampliado é calculado pela Cielo, companhia controlada por Banco do Brasil e Bradesco.

O indicador acompanha o desempenho do varejo com base em transações realizadas com cartões e outros meios eletrônicos de pagamento em milhares de estabelecimentos comerciais no país.

Por utilizar dados reais de compras, o ICVA é considerado um importante termômetro do comportamento de consumo dos brasileiros.

O índice avalia dois tipos de desempenho:

  • crescimento nominal, que considera os valores sem descontar a inflação
  • crescimento real, que remove o impacto da inflação e mostra o poder de compra efetivo

É o indicador real que revela a retração atual do consumo.

Comércio físico cresce, mas e-commerce recua

Os dados mostram um cenário misto dentro do varejo brasileiro.

Desempenho do comércio físico

As vendas em lojas físicas apresentaram crescimento nominal de 0,8% em fevereiro. Esse avanço, porém, ainda é considerado modesto e não foi suficiente para compensar a inflação do período.

Especialistas apontam que o comércio presencial ainda sofre impacto da cautela do consumidor, especialmente em compras de maior valor.

Desempenho do comércio eletrônico

O comércio digital teve resultado mais fraco no período.

Segundo o levantamento, o e-commerce registrou queda nominal de 0,9%, o que indica desaceleração no ritmo de compras online.

Nos últimos anos, o comércio eletrônico teve forte expansão durante a pandemia. Porém, desde 2023 o setor vem passando por um processo de estabilização e adaptação ao novo cenário econômico.

Inflação continua pressionando o consumo

De acordo com Carlos Alves, vice-presidente de Negócios da Cielo, o cenário ainda é desafiador para o varejo brasileiro.

Segundo ele, fevereiro manteve o setor sob pressão, com retração real nas vendas e crescimento nominal limitado diante de uma inflação mais elevada.

Na prática, isso significa que os consumidores estão gastando valores semelhantes — ou até maiores — em dinheiro, mas levando menos produtos para casa.

Entre os fatores que explicam esse comportamento estão:

  • inflação persistente em itens essenciais
  • crédito mais caro devido aos juros elevados
  • aumento do endividamento das famílias
  • cautela do consumidor diante da economia

Endividamento das famílias também influencia vendas

Outro fator importante que afeta o desempenho do varejo é o nível de endividamento das famílias brasileiras.

Dados recentes da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo mostram que uma parcela significativa dos brasileiros ainda possui dívidas em aberto, especialmente no cartão de crédito.

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Quando a renda está comprometida com pagamentos de parcelas, sobra menos espaço no orçamento para consumo.

Isso afeta principalmente setores como:

  • eletrodomésticos
  • móveis
  • eletrônicos
  • moda

Produtos considerados essenciais, como alimentos e farmácia, tendem a sofrer menos impacto.

O que esperar para o varejo nos próximos meses

Economistas avaliam que o desempenho do varejo nos próximos meses dependerá principalmente de três fatores:

Evolução da inflação

Caso a inflação desacelere, o poder de compra das famílias pode melhorar gradualmente.

Condições de crédito

Reduções nas taxas de juros podem estimular compras parceladas e investimentos das empresas.

Mercado de trabalho

A geração de empregos e aumento da renda também têm impacto direto na capacidade de consumo.

Mesmo diante das dificuldades atuais, o varejo brasileiro continua sendo um dos principais motores da economia do país.

Nos próximos meses, o setor será acompanhado de perto por analistas e investidores para avaliar se a sequência de retrações será interrompida ou se o consumo seguirá em desaceleração.

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Imagem: Reprodução

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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