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Varejo cai em novembro mesmo após recorde da Black Friday, entenda o que aconteceu

O varejo brasileiro registrou queda de 1,7% em novembro, mesmo após recordes da Black Friday. Entenda o impacto da inflação.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Black Friday

O mês de novembro costuma ser um período de forte movimentação para o varejo brasileiro, especialmente por causa da Black Friday, que ano após ano bate recordes de vendas. Em 2025, não foi diferente: as compras da sexta-feira promocional subiram mais de 28%, segundo diferentes levantamentos privados. Mesmo assim, o resultado consolidado do varejo no mês registrou queda de 1,7% em termos reais — ou seja, descontados os efeitos da inflação.

Os dados fazem parte do Índice Cielo de Varejo Ampliado (ICVA), que apontou ainda que novembro marcou o sexto mês consecutivo de desempenho negativo. A contradição entre vendas altas e retração real exige uma leitura mais profunda sobre o comportamento do consumidor, a inflação acumulada e os efeitos do calendário no comércio físico.

A seguir, entenda em detalhes por que o varejo caiu mesmo após uma Black Friday considerada histórica.

O que os números mostram sobre o desempenho do varejo

Leia mais: 13º salário deve aquecer o varejo e mudar o perfil dos pedidos online neste Natal

Queda real de 1,7% apesar da alta nominal

Descontada a inflação, o varejo caiu 1,7% em novembro. Nominalmente, entretanto, houve aumento de 2,1% no faturamento — ou seja, as pessoas gastaram mais, mas levaram menos.

Essa diferença reforça que o aumento de preços continua corroendo o poder de compra, mesmo em períodos promocionais. O consumidor brasileiro até comprou mais durante a Black Friday, mas não o suficiente para compensar os aumentos acumulados ao longo do ano.

Sexto mês consecutivo de retração

A sequência negativa mostra um padrão de desaceleração do varejo. Ainda que eventos promocionais produzam picos momentâneos, a tendência geral de consumo segue pressionada pela inflação e pelo endividamento recorde das famílias.

A força do e-commerce e o enfraquecimento das lojas físicas

E-commerce cresce 7,4% em novembro

Um dos destaques positivos foi o comércio online, que apresentou crescimento nominal de 7,4%.

A performance digital segue liderando a expansão do varejo devido à combinação de:

  • maior participação de marketplaces internacionais,
  • conveniência e agilidade na compra,
  • preços mais competitivos,
  • promoções mais prolongadas antes e depois da Black Friday.

Lojas físicas crescem apenas 0,5%

O varejo presencial teve aumento nominal tímido de 0,5%, puxado para baixo principalmente por setores dependentes de fluxo de loja, como Moda, Eletrodomésticos e Móveis.

A diferença entre o digital e o presencial mostra que a Black Friday continua sendo um fenômeno majoritariamente online.

Como o calendário prejudicou o desempenho do varejo físico

Um domingo a mais pesou no caixa das lojas

A distribuição dos dias de novembro contribuiu para o resultado fraco do varejo físico. O mês teve:

  • um domingo extra,
  • um feriado que caiu em um dia comercial,
  • substituição de uma sexta-feira — dia historicamente forte — por um fechamento do comércio local em algumas regiões.

O domingo adicional é especialmente relevante: é um dia tradicionalmente fraco para o varejo físico, mas não afeta o e-commerce, que funciona 24h em todos os dias da semana.

Desempenho dos macrossetores: quem avançou e quem recuou

Macrossetor de Serviços tem queda de 2,8%

O setor de Serviços — que costuma reagir bem em períodos de renda mais alta — caiu 2,8%. Os segmentos mais impactados foram:

  • Turismo e Transporte
  • Bares e Restaurantes

A desaceleração pode ser explicada pela inflação de alimentos fora do lar, combustíveis e passagens, itens essenciais para a operação desses segmentos.

Bens Não Duráveis recuam 0,2%

Mesmo sendo o setor mais estável do varejo, Bens Não Duráveis também recuaram, ainda que de forma leve. O destaque positivo ficou por conta de Drogarias e Farmácias, que cresceram impulsionadas por:

  • aumento nos preços de medicamentos,
  • maior demanda sazonal por produtos de saúde e bem-estar.

Bens Duráveis e Semiduráveis despencam 4,0%

Este foi o pior resultado entre os grandes grupos, puxado principalmente por:

  • eletrodomésticos,
  • eletrônicos,
  • móveis,
  • vestuário.

Embora esses segmentos tenham forte participação na Black Friday, o movimento promocional não foi suficiente para compensar a queda ao longo do mês inteiro.

Desempenho por região: retração generalizada

RegiãoVariação real
Sudeste-0,5%
Nordeste-0,9%
Sul-1,0%
Centro-Oeste-2,5%
Norte-4,3%

A queda mais intensa no Norte e no Centro-Oeste refletiu a perda de renda e o aumento do custo de vida, particularmente com alimentação e transporte.

Crescimento nominal em todas as regiões

Sem descontar a inflação, o cenário muda:

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  • Sul: +3,5%
  • Sudeste: +3,2%
  • Nordeste: +2,9%
  • Norte: +1,7%
  • Centro-Oeste: +1,4%

Esse contraste reforça o peso da inflação na queda real do consumo.

Por que a Black Friday não salvou o mês?

A Black Friday gerou vendas recordes, mas sua força concentrada não compensa:

  • o restante dos dias fracos do mês,
  • o impacto inflacionário acumulado,
  • o endividamento das famílias, que limita compras fora da promoção.

FAQ

O varejo realmente caiu mesmo com a Black Friday?

Sim. Apesar das vendas expressivas na Black Friday, o varejo caiu 1,7% em novembro quando descontada a inflação.

Por que o resultado foi negativo?

A inflação corroeu o poder de compra, e o calendário prejudicou o desempenho das lojas físicas, além da desaceleração em diversos segmentos.

O e-commerce cresceu?

Sim. O comércio eletrônico teve alta nominal de 7,4% e foi o principal responsável por evitar uma queda ainda maior no resultado total.

Todas as regiões registraram queda?

Em termos reais, todas as regiões do país apresentaram retração. Nominalmente, porém, houve aumento em todas elas.

Quais setores mais recuaram?

Os setores de Bens Duráveis e Semiduráveis tiveram o pior desempenho, com queda de 4%.

Considerações finais

O varejo brasileiro enfrentou um novembro desafiador, marcado por uma combinação de inflação elevada, queda no poder de compra e efeitos do calendário que prejudicaram o comércio físico. Embora a Black Friday tenha trazido recordes de vendas, seu impacto concentrado não foi suficiente para reverter a tendência negativa do mês. As perspectivas para o setor dependem diretamente do comportamento da inflação e da recuperação gradual da renda das famílias nos próximos meses.

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Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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