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Vendas do comércio recuam 0,1% em junho, terceira queda seguida, informa IBGE

Vendas do comércio caem 0,1% em junho, terceira queda consecutiva. Setores e causas da retração detalhados em pesquisa do IBGE.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
comércio

As vendas do comércio varejista brasileiro recuaram 0,1% entre maio e junho de 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Mensal de Comércio.

Esse resultado marca a terceira queda consecutiva do setor, após retrações de 0,4% em maio e 0,3% em abril, acumulando uma perda de 0,8% em relação ao pico histórico registrado em março, quando o setor atingiu o maior patamar desde o início da série histórica, em 2000.

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Panorama geral das vendas no comércio varejista

comércio brás
Imagem: Freepik

Indicadores no primeiro semestre e em 12 meses

Apesar do recuo em junho, o comércio varejista ainda acumula crescimento de 1,8% no primeiro semestre de 2025. Na comparação anual, entre junho de 2024 e junho de 2025, houve um leve avanço de 0,3%, enquanto o crescimento acumulado em 12 meses chegou a 2,7%.

Análise do gerente da pesquisa

Cristiano dos Santos, gerente da pesquisa do IBGE, explica que os resultados recentes indicam uma estabilidade com tendência de queda no comércio.

Segundo ele, o crescimento expressivo até março foi seguido por um arrefecimento gradual nos meses seguintes. A desaceleração é atribuída principalmente à redução do crédito, impactada pela alta da taxa de juros, além da inflação persistente que ultrapassou a meta oficial do Banco Central.

“A manutenção dos juros altos visa controlar a inflação, mas também freia o consumo e, consequentemente, as vendas do comércio”, destacou Santos em entrevista à Agência Brasil.

Fatores positivos no cenário econômico

Apesar da queda nas vendas, o gerente ressalta dados positivos como a melhora no mercado de trabalho e o aumento da renda do trabalhador.

Em junho, a taxa de desemprego atingiu 5,8%, o menor índice desde o início da série histórica do IBGE, em 2012. Além disso, o rendimento médio real do trabalhador alcançou o maior patamar já registrado.

Desempenho por segmentos do comércio varejista

Setores que registraram retração em junho

Das oito atividades pesquisadas pelo IBGE, cinco apresentaram queda nas vendas no período de maio para junho:

  • Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: -2,7%
  • Livros, jornais, revistas e papelaria: -1,5%
  • Móveis e eletrodomésticos: -1,2%
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: -0,9%
  • Hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: -0,5%

Esses setores foram diretamente impactados por fatores como alta dos juros e redução do poder de compra do consumidor.

Setores que apresentaram crescimento

Por outro lado, três segmentos mostraram avanço nas vendas:

  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico: +1,0%
  • Tecidos, vestuário e calçados: +0,5%
  • Combustíveis e lubrificantes: +0,3%

O aumento nesses setores reflete a diversificação do consumo e também a recuperação gradual em alguns nichos específicos do varejo.

Varejo ampliado: queda mais acentuada em junho

O varejo ampliado, que inclui além do comércio varejista os setores de veículos, motos e peças, material de construção, e produtos alimentícios, bebidas e fumo no atacado, apresentou queda mais expressiva de 2,5% de maio para junho de 2025.

Apesar dessa retração mensal, o varejo ampliado ainda acumula alta de 2% nos últimos 12 meses, sinalizando que o desempenho anual permanece positivo, ainda que o ritmo de crescimento tenha desacelerado.

Principais causas para o recuo nas vendas do comércio

Elevação da taxa de juros

A política monetária restritiva adotada pelo Banco Central, com elevação contínua da taxa Selic para conter a inflação, tem dificultado o acesso ao crédito para consumidores e empresas.

Juros altos encarecem o financiamento, impactando negativamente as compras, especialmente de bens duráveis e de maior valor.

Inflação persistente

A inflação acumulada no primeiro semestre de 2025 ultrapassou a meta estipulada pelo Banco Central, prejudicando o poder de compra do consumidor. Produtos essenciais com preços elevados, especialmente em alimentos e combustíveis, comprimem o orçamento das famílias, reduzindo o consumo em outras categorias.

Crise no crédito e endividamento

O cenário de juros altos e inflação elevada também contribui para o aumento do endividamento das famílias e a retração no consumo financiado, pressionando as vendas do comércio.

Perspectivas para o comércio varejista nos próximos meses

Estabilidade com viés de baixa

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Segundo analistas e dados do IBGE, o comércio deve manter um ritmo de estabilidade com tendência a pequenas quedas, enquanto o Banco Central mantiver a política de juros altos. A recuperação pode depender de fatores externos, como o controle da inflação e a retomada do crédito mais acessível.

Papel do emprego e renda

A manutenção da taxa de desemprego em níveis baixos e o crescimento real dos salários são fatores que podem apoiar a recuperação gradual das vendas, fortalecendo o consumo das famílias.

Adaptação do comércio e inovação

O setor varejista deverá continuar investindo em estratégias digitais, omnichannel e ofertas diversificadas para enfrentar os desafios do cenário econômico, buscando atrair consumidores com mais eficiência e estimular as vendas.

Impacto da retração no comércio para a economia brasileira

Trabalho
Imagem: Jota Buyinch Photo/ Shutterstock

Peso do comércio no PIB

O comércio é um dos setores mais importantes da economia brasileira, representando uma parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) e empregando milhões de pessoas. O desempenho do varejo afeta diretamente outros setores como indústria, serviços e logística.

Relação com o consumo das famílias

Como o comércio depende do consumo doméstico, que responde por cerca de 60% do PIB, a saúde do varejo é um termômetro do poder de compra e da confiança do consumidor.

Reflexos para o mercado de trabalho

Quedas prolongadas nas vendas podem levar a ajustes no emprego formal, especialmente em segmentos com maior peso no varejo, impactando a geração de renda e o consumo em um ciclo que pode ser negativo para a economia.

Considerações finais

O recuo de 0,1% nas vendas do comércio varejista em junho de 2025, terceiro mês consecutivo de queda, indica um momento de desafio para o setor diante do cenário econômico brasileiro.

A combinação de juros elevados, inflação persistente e restrição no crédito tem limitado o consumo, mesmo com indicadores positivos de emprego e renda.

Apesar das dificuldades, o comércio ainda mantém crescimento positivo acumulado no ano e nos últimos 12 meses, mostrando resiliência em meio às adversidades.

O futuro próximo dependerá das políticas econômicas adotadas, da capacidade do setor de inovar e adaptar-se, e do comportamento do consumidor em um ambiente econômico ainda incerto.

Para consumidores e empresários, acompanhar as tendências e manter a cautela será fundamental para atravessar esse período com segurança e preparar-se para a retomada sustentável do crescimento do comércio no Brasil.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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