Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Violência sexual na internet atinge 23% das crianças e adolescentes

Estudo aponta que 23% das crianças e adolescentes já sofreram violência sexual online no Brasil, revelando desafios urgentes de proteção digital.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
violência sexual crianças

Um estudo divulgado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a FUNPEC, revelou um dado preocupante: 23% das crianças e adolescentes brasileiros afirmam já ter sofrido algum tipo de violência sexual na internet entre 2022 e 2023.

A pesquisa, intitulada Diagnóstico da Violência Sexual Online – Crianças e Adolescentes, coloca em evidência o impacto do ambiente digital na vida de milhões de jovens e expõe a urgência de políticas públicas, marcos regulatórios e estratégias de proteção específicas para esse público.

Leia mais: Governo limita o uso de internet por parte de jovens e crianças; veja o que é permitido agora

Quem são as principais vítimas e agressores

crianças internet violência
Imagem: Freepik

Segundo o levantamento, 76% das vítimas são meninas, reforçando a vulnerabilidade de adolescentes do sexo feminino nesse tipo de crime. Em contrapartida, 87% dos agressores identificados são homens, confirmando padrões já observados em outros estudos sobre violência de gênero.

Esses dados evidenciam não apenas a dimensão do problema, mas também a necessidade de ações específicas de prevenção e responsabilização voltadas à proteção das meninas e ao enfrentamento da violência praticada, em sua maioria, por homens adultos.

Falta de regulação das plataformas digitais

O relatório destaca uma das principais fragilidades no enfrentamento da violência sexual online: a ausência de regulação efetiva sobre plataformas digitais.

A pesquisa recomenda que seja incorporada ao sistema jurídico brasileiro a responsabilização direta de provedores e empresas de tecnologia, com regras claras para denúncia, detecção e exclusão de conteúdos abusivos.

Hoje, o vácuo regulatório dificulta a atuação das autoridades, enquanto crianças e adolescentes permanecem expostos a riscos.

Desafios apontados pelo estudo

O Diagnóstico identificou três fatores críticos que ampliam a vulnerabilidade infantojuvenil no ambiente digital:

  • Falta de monitoramento e regulação das plataformas;
  • Desigualdade socioeconômica, que aumenta a exposição de jovens a práticas abusivas;
  • Baixo letramento digital de famílias e crianças, limitando a capacidade de autoproteção.

Essas fragilidades estruturais tornam ainda mais urgente a adoção de políticas públicas que combinem educação digital, fiscalização e suporte às vítimas.

Dados do Disque 100 reforçam a gravidade

A base do estudo também considerou informações do Disque 100, serviço nacional de denúncias de violações de direitos humanos.

Entre 2022 e 2023, foram registradas 6.364 denúncias relacionadas à violência sexual online contra crianças e adolescentes. Esse número, segundo os organizadores, representa apenas uma fração da realidade, já que muitos casos não chegam a ser denunciados.

Iniciativas já em andamento

O levantamento identificou 16 iniciativas nacionais de enfrentamento ao problema, mas revelou que nenhum estado brasileiro ou o Distrito Federal possui programas estruturados específicos para combater a violência sexual online.

Isso mostra que, apesar da existência de esforços federais, ainda falta uma rede de cooperação e descentralização de políticas públicas que chegue de forma efetiva aos estados e municípios.

Seis frentes de ação identificadas

O relatório organizou as iniciativas mapeadas em seis áreas estratégicas:

  1. Políticas públicas e governança – criação e fortalecimento de legislações específicas.
  2. Justiça criminal – acolhimento de denúncias, investigações e responsabilização de autores.
  3. Priorização da vítima – foco em acolhimento, reparação e apoio a famílias.
  4. Responsabilidade da sociedade civil – mobilização de ONGs e movimentos sociais.
  5. Compromisso do setor privado – engajamento de empresas em responsabilidade social.
  6. Atuação da mídia e comunicação – estratégias éticas para informar e proteger.

Essas dimensões mostram que o enfrentamento da violência sexual digital depende de uma ação integrada entre Estado, sociedade civil, empresas e meios de comunicação.

Banco de Boas Práticas: inovação contra abusos online

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Além do estudo, foi lançado o Banco de Boas Práticas, plataforma que reúne experiências bem-sucedidas no combate à violência sexual online.

O objetivo é compartilhar iniciativas inovadoras, eficazes e alinhadas a tratados internacionais de direitos humanos. A ideia é que esse repositório sirva como ferramenta de aprendizado e inspiração para novas políticas públicas e ações privadas.

Internet: espaço de oportunidades e riscos

Segundo Célia Nahas, coordenadora-geral de Enfrentamento às Violências da SNDCA, o estudo amplia o olhar para além da violência sexual:

“É preciso compreender que a internet, além de espaço de oportunidades, também pode ser um território de riscos. Crianças e adolescentes enfrentam situações de exploração, aliciamento, trabalho infantil e até incentivo à automutilação”.

A fala reforça a necessidade de ações educativas e protetivas contínuas, que preparem famílias e jovens para navegar no ambiente digital com mais segurança.

Caminhos para avançar

crianças internet
Imagem: Freepik

O Diagnóstico evidencia que o Brasil já deu passos importantes, mas ainda enfrenta lacunas graves no combate à violência sexual online.

Entre as medidas mais urgentes estão:

  • Aprovação de uma lei específica para regular plataformas digitais;
  • Expansão de políticas públicas estaduais e municipais;
  • Educação digital para famílias e escolas;
  • Desenvolvimento de ferramentas tecnológicas de monitoramento;
  • Maior integração entre órgãos públicos, sociedade civil e setor privado.

Acesse o resumo do estudo

Com informações de: Agência Gov

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

Topicos relacionados