Em um movimento estratégico para se adaptar às transformações do setor financeiro, a Visa anunciou a criação da Visa Conecta, uma nova empresa voltada exclusivamente para operar com pagamentos via Pix e atuar no ecossistema de Open Finance. A iniciativa chega em meio à aceleração do uso do Pix no Brasil e à gradual substituição dos cartões como principal meio de pagamento digital.
Concorrência acirrada! Visa lança nova empresa para enfrentar avanço do Pix
Para enfrentar o declínio dos cartões, a Visa lançou a Visa Conecta, empresa que aposta no Pix e no Open Finance.
Com a Visa Conecta, a companhia passa a atuar como iniciadora de pagamentos, conectando usuários diretamente às suas contas bancárias em ambientes digitais. O novo modelo elimina etapas do processo de checkout e oferece pagamentos via Pix com um clique, sem redirecionamentos para o app do banco, o que promete revolucionar a experiência do consumidor em e-commerces e serviços recorrentes.
O que é a Visa Conecta?
A Visa Conecta é uma empresa registrada pela Visa no Banco Central como instituição iniciadora de pagamentos (ITP), um novo tipo de prestadora de serviços autorizada a iniciar transferências por Pix diretamente a partir do ambiente de compra, com o consentimento prévio do usuário.
A proposta é permitir que consumidores realizem pagamentos sem sair da loja virtual, tornando o processo mais fluido e reduzindo o abandono de carrinho, um dos maiores problemas enfrentados no comércio eletrônico.
O serviço será lançado em fase piloto em setembro de 2025, e a Visa espera obter autorização regulatória para operação plena até o fim do ano.
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Por que a Visa está apostando no Pix?
O crescimento do Pix é um dos fenômenos mais marcantes da economia brasileira recente. Em 2024, o sistema superou a marca de 45 bilhões de transações, ganhando espaço não apenas entre pessoas físicas, mas também entre empresas e no comércio eletrônico.
Enquanto o uso de cartões de crédito cresceu 11,2% e os de débito 3% no último ano, o Pix avançou mais de 50%, se consolidando como o meio de pagamento preferido dos brasileiros.
Diante desse cenário, a Visa percebeu que manter-se exclusivamente no modelo de cartões significaria perder relevância. Com a Visa Conecta, a empresa assume uma postura adaptativa, inserindo-se no ecossistema de pagamentos instantâneos de forma ativa.
Como funciona a iniciação de pagamentos via Pix?

A iniciação de pagamentos é uma modalidade prevista pelo Banco Central no contexto do Open Finance. Ela permite que empresas iniciem uma transferência da conta do cliente para um terceiro, desde que o usuário tenha autorizado essa operação previamente.
No caso da Visa Conecta, o processo será o seguinte:
- O consumidor vincula sua conta bancária à plataforma da loja via Visa Conecta.
- No momento do pagamento, o valor é transferido diretamente por Pix, com apenas um clique.
- O consumidor não precisa abrir o aplicativo do banco nem escanear QR codes.
A proposta é trazer a mesma agilidade e simplicidade dos pagamentos com cartão, mas usando o Pix — que tem liquidação imediata, menor custo e ampla adesão no Brasil.
Benefícios para lojistas e consumidores
Para os comerciantes, a principal vantagem é a redução de fricções no checkout, um fator decisivo para aumentar a conversão de vendas. Com o Pix integrado ao ambiente da loja, o cliente não precisa interromper sua jornada para pagar, o que diminui desistências.
Outros benefícios incluem:
- Recebimento imediato do valor
- Redução de custos com adquirentes e bandeiras
- Facilidade na conciliação financeira
- Adequação a pagamentos recorrentes, como contas de serviços e assinaturas
Para o consumidor, o ganho está na agilidade e praticidade. Com o consentimento feito uma única vez, os próximos pagamentos são autorizados rapidamente, com segurança e sem complicações.
O papel do Open Finance
O modelo adotado pela Visa Conecta é viabilizado pelas regras do Open Finance brasileiro, que permitem o compartilhamento de dados e a integração entre instituições. A nova empresa se enquadra como iniciadora de pagamentos, uma função reconhecida pelo Banco Central e com regulamentação específica.
A atuação nesse segmento insere a Visa em um novo papel no sistema financeiro: de facilitadora da movimentação bancária, e não apenas de operadora de cartões.
A empresa também pretende oferecer soluções para empresas de energia, telecomunicações, seguradoras e fintechs que operam com contas digitais, ampliando seu alcance além do varejo.
Concorrência e desafios
Embora seja um movimento ousado, a Visa não está sozinha nesse mercado. Várias fintechs já operam como iniciadoras de pagamento via Pix, como:
- Celcoin
- Pluggy
- Pismo
- Quanto
- Matera
A presença da Visa, porém, pode mudar o jogo. Com uma marca consolidada, estrutura global e relações com grandes varejistas, ela tem potencial para popularizar os pagamentos via Pix com iniciação de forma massiva.
Entre os desafios estão:
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- Conseguir adesão de grandes plataformas de e-commerce
- Convencer os consumidores a autorizarem o vínculo com sua conta bancária
- Garantir segurança e evitar fraudes
- Navegar pela regulação em constante atualização
A visão da Visa para o futuro dos pagamentos
Segundo Leonardo Enrique Silva, diretor da Visa e responsável pelo projeto, a nova empresa representa um passo natural na evolução da marca. “O nosso negócio é movimentar dinheiro. Se o dinheiro agora se move pelo Pix, vamos estar lá também”, afirmou em entrevista ao InfoMoney.
Ele também ressaltou que o projeto usa tecnologia da Tink, empresa europeia adquirida pela Visa em 2021, especializada em soluções de Open Banking.
A Visa já oferece ferramentas para pagamentos com cartões, mas agora passa a integrar soluções que envolvem transferência direta, menor custo e liquidação instantânea, características que tornam o Pix altamente competitivo.
O fim da era dos cartões?
Embora ainda seja prematuro decretar o fim dos cartões, a Visa reconhece que a era do “plástico” perdeu protagonismo. O crescimento de carteiras digitais, pagamentos por aproximação, QR code e Pix reconfigura o cenário.
Dados de 2025 indicam que o Pix já representa 35% das compras no e-commerce, enquanto os cartões de crédito aparecem com 41%. A tendência é que a diferença desapareça nos próximos meses, consolidando uma nova fase nos meios de pagamento.
Por isso, o reposicionamento da Visa, com o lançamento da Conecta, é uma forma de garantir relevância e participação no novo ciclo da economia digital.
Cronograma e próximos passos
A expectativa é que o projeto piloto da Visa Conecta comece em setembro de 2025, com testes em redes de varejo e serviços de assinatura. A operação em larga escala está prevista para o início de 2026, a depender da autorização final do Banco Central.
Empresas interessadas já podem se inscrever para participar do programa piloto. A Visa está buscando parcerias com fintechs, gateways de pagamento, empresas de SaaS e redes de e-commerce.
Conclusão
A criação da Visa Conecta é um marco na trajetória da Visa no Brasil. Em vez de resistir à inovação, a empresa está abraçando o Pix e o Open Finance como aliados estratégicos. A nova empresa nasce com a missão de tornar os pagamentos digitais mais rápidos, simples e integrados, oferecendo aos consumidores uma alternativa moderna e eficiente aos cartões.
Mais do que preservar sua fatia de mercado, a Visa aposta em redefinir sua identidade como plataforma de pagamentos adaptável ao novo comportamento do consumidor digital.
A era dos cartões não terminou — mas a era do Pix está apenas começando. E a Visa, agora, quer estar nas duas.
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