A recente decisão dos Estados Unidos de aumentar a taxa de solicitação do visto americano gerou forte reação entre governos, agências de turismo e companhias aéreas. A mudança, que entra em vigor em 2025, deve elevar o valor do documento para viajantes de lazer e negócios, podendo impactar diretamente o fluxo turístico internacional em 2026.
Nova taxa do visto americano pode cortar 1 milhão de visitantes até 2026
Nova taxa do visto americano pode afastar até 1 milhão de turistas em 2026, afetando economia e setor aéreo. Entenda o impacto global da medida.
De acordo com estimativas do setor, o aumento pode resultar em até 1 milhão de turistas a menos visitando os Estados Unidos no próximo ano. O dado é especialmente preocupante para a América Latina, onde o custo do visto representa uma parcela significativa do orçamento de viagem.
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Impacto direto no turismo brasileiro

O Brasil figura entre os países mais afetados. Em 2024, mais de 1,7 milhão de brasileiros viajaram para os Estados Unidos, segundo dados do Departamento de Comércio americano. No entanto, com a nova taxa do visto americano, as agências estimam uma redução entre 15% e 20% na procura pelo destino, especialmente entre famílias e estudantes.
Declarações do setor
Para o presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), Roberto Nedelciu, a decisão deve desestimular o público de classe média:
“O visto já é um processo caro, com taxa, entrevista e deslocamento. Agora, com o aumento, o custo total da viagem sobe consideravelmente. Isso afasta o brasileiro que planejava ir a Orlando, Miami ou Nova York.”
Entenda o que muda na taxa do visto americano
A partir de abril de 2025, os solicitantes de vistos de turismo (B1/B2) deverão pagar US$ 245, valor 35% superior à taxa atual, que é de US$ 160. O reajuste também se aplica a outros tipos de visto, como os de negócios, estudantes e intercâmbio, embora em diferentes proporções.
Justificativas oficiais
O governo americano justificou a decisão alegando “ajuste inflacionário e necessidade de modernização do sistema consular”. No entanto, o aumento foi recebido com críticas por diversos setores. Companhias aéreas, por exemplo, alertam que a medida poderá reduzir a demanda por voos e impactar o preço das passagens internacionais.
Efeitos econômicos e possíveis perdas bilionárias
A diminuição do número de turistas não representa apenas um desafio para o setor aéreo, mas também para a economia americana como um todo. Segundo estimativa da US Travel Association, a queda projetada de 1 milhão de visitantes pode gerar uma perda de até US$ 4 bilhões em receitas com hospedagem, alimentação, compras e entretenimento.
Especialistas alertam
Para o economista Lucas Silveira, especialista em turismo internacional, a nova taxa “pode ter efeito reverso ao esperado”.
“O aumento do preço do visto americano reduz o poder de atração do país, principalmente num cenário de alta competição global entre destinos turísticos. Países como Canadá, Espanha e Portugal estão investindo em programas de facilitação de entrada. Os EUA, ao contrário, estão encarecendo a porta de entrada.”
Comparativo internacional: onde é mais caro viajar
O visto americano já era um dos mais caros do mundo antes do reajuste. Para efeito de comparação:
- Canadá: C$ 100 (cerca de US$ 73)
- Reino Unido: £100 (aprox. US$ 120)
- União Europeia (a partir de 2025, com o ETIAS): €7 (aprox. US$ 7,5)
- Estados Unidos (novo valor): US$ 245
Com o novo valor, os EUA ultrapassam todos os principais concorrentes turísticos do Ocidente. Isso deve aumentar a atratividade de destinos alternativos entre os viajantes latino-americanos, especialmente os que buscam custo-benefício.
Reação das agências e operadoras de turismo
Agências de viagens já reportam queda nas buscas por pacotes para os Estados Unidos após o anúncio do aumento da taxa. Em contrapartida, destinos como México, Caribe e Europa estão registrando crescimento expressivo de interesse.
Medidas do setor
A Abav Nacional (Associação Brasileira de Agências de Viagens) declarou que o setor deve replanejar campanhas promocionais e renegociar acordos com operadoras internacionais.
“A tendência é que os consumidores priorizem destinos sem exigência de visto ou com custos menores. O impacto será sentido principalmente em viagens familiares”, destacou a entidade em nota.
Estados americanos mais afetados

Entre os destinos mais populares entre os turistas brasileiros e latino-americanos, Flórida, Califórnia e Nova York devem sentir os maiores efeitos. Essas regiões dependem fortemente de visitantes estrangeiros para movimentar suas economias locais.
Dados regionais
Em Orlando, por exemplo, cerca de 40% do turismo internacional vem da América Latina, segundo a Visit Orlando. Caso o número de turistas caia significativamente, hotéis, parques temáticos e outlets podem sofrer retração de receita já em 2026.
O peso do câmbio e da inflação
O impacto da nova taxa do visto americano é ainda mais grave quando se considera o câmbio elevado e a inflação interna nos países da América do Sul. No Brasil, o dólar oscilando em torno de R$ 5,60 eleva ainda mais o custo total do processo de obtenção do visto.
Pressão nos orçamentos
Além disso, outros fatores como preço de passagens aéreas e hospedagem têm pressionado o orçamento dos viajantes. Assim, o aumento de US$ 85 na taxa do visto representa uma diferença significativa para famílias que planejam viajar com mais de uma pessoa.
Alternativas buscadas pelos viajantes
Com o encarecimento do visto americano, cresce o interesse por destinos que não exigem visto para brasileiros, como:
- Argentina, Chile e Uruguai
- Portugal, Espanha e França (até a exigência do ETIAS em 2025)
- África do Sul e Emirados Árabes Unidos
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Tendência de redirecionamento
As agências destacam que o aumento das taxas pode gerar um redirecionamento estrutural do turismo brasileiro, favorecendo países que oferecem isenção de visto ou simplificação do processo de entrada.
Perspectivas para o futuro do turismo nos EUA
Embora o impacto inicial da nova taxa seja negativo, especialistas acreditam que o fluxo turístico possa se estabilizar após dois ou três anos, especialmente se o governo americano investir em facilidades digitais e programas de isenção recíproca.
Desafios no curto prazo
No entanto, até lá, o país pode enfrentar um hiato de crescimento em seu turismo internacional. Segundo dados da Organização Mundial do Turismo (OMT), os Estados Unidos ainda lideram em arrecadação com turistas estrangeiros, mas já vêm perdendo espaço para países europeus e asiáticos.
Possíveis soluções e negociações diplomáticas
Alguns países da América Latina já manifestaram interesse em negociar acordos bilaterais para reduzir custos ou facilitar a emissão do visto americano. O Brasil, por exemplo, estuda propor uma redução de taxas consulares mútuas como forma de equilíbrio.
Caminho para o Visa Waiver
Outra alternativa seria incluir o Brasil no programa de Visa Waiver, que isenta o visto para turistas de países com baixo índice de inadimplência migratória. No entanto, essa medida exigiria mudanças significativas em protocolos de segurança e compartilhamento de informações.
A opinião do setor hoteleiro e aéreo

As redes hoteleiras americanas e as companhias aéreas internacionais estão entre as principais vozes contrárias ao aumento da taxa. Elas temem uma redução no número de reservas e na ocupação de voos.
Reações empresariais
O CEO da American Airlines, Robert Isom, afirmou em entrevista recente que o aumento pode “afetar diretamente a competitividade dos EUA como destino turístico”. Já o grupo Marriott destacou que “qualquer barreira adicional reduz o incentivo para viagens de lazer e negócios”.
Conclusão: um desafio global para o turismo
A nova taxa do visto americano surge em um momento de recuperação do turismo global, após anos de restrições causadas pela pandemia. Embora compreensível sob o ponto de vista fiscal, a medida pode desestimular a retomada plena de visitantes internacionais — especialmente de países emergentes.
Para o Brasil e outros países latino-americanos, a decisão reforça a importância de diversificar destinos e investir em diplomacia turística. Ao mesmo tempo, evidencia como o custo e a burocracia podem definir o mapa global do turismo nos próximos anos.
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