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Vivo anuncia fim de serviços para 31 de Dezembro em todo o Brasil

Vivo encerra concessão da telefonia fixa e investirá R$ 4,5 bilhões em fibra e rede móvel até 2028. Entenda o novo modelo e mais!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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A operadora Vivo firmou, diante da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Termo Único de Autorização que encerra oficialmente sua atuação sob o regime de concessão do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC). Com isso, a empresa deixará de operar como concessionária pública de telefonia fixa a partir de 31 de dezembro de 2025, passando a atuar integralmente sob regime privado de autorização.

A medida marca o fim de um modelo regulatório que vigorou por mais de duas décadas, e coloca a Vivo como a primeira operadora de grande porte a migrar totalmente para a nova estrutura jurídica proposta pela Anatel.

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Imagem: Reprodução / Anatel

Entenda o que muda com o fim da concessão

O que é o STFC?

O Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) é o modelo tradicional de telefonia fixa implantado no Brasil desde a privatização do sistema Telebrás nos anos 1990. As operadoras vencedoras da época firmaram contratos de concessão com o governo, assumindo obrigações específicas, como atendimento universal, tarifas reguladas e metas de qualidade.

Por que o modelo foi alterado?

Com o avanço das tecnologias digitais e a popularização da telefonia móvel e da banda larga, o modelo de concessão se tornou obsoleto e oneroso, tanto para as operadoras quanto para o Estado. Em seu lugar, a Anatel propôs a migração das concessões para o regime de autorização, que dá maior flexibilidade às operadoras, exigindo em contrapartida investimentos em infraestrutura e conectividade.

Vivo investirá R$ 4,5 bilhões na expansão de redes

Como contrapartida pela migração, a Vivo se comprometeu com um investimento de R$ 4,5 bilhões, que serão aplicados entre 2025 e os próximos 20 anos. O plano contempla:

Expansão da rede de transporte de fibra

  • 121 municípios brasileiros receberão backhaul de fibra ótica, essencial para garantir velocidade e estabilidade na prestação de serviços de internet e telefonia.

Manutenção do serviço de telefonia fixa

  • Em 373 cidades onde a Vivo é a única prestadora (carrier of last resort), a empresa manterá o serviço de telefonia fixa até 2028, mesmo sem retorno comercial.

Ampliação da cobertura móvel

  • Serão 649 localidades beneficiadas com a implantação de redes móveis — muitas delas em áreas remotas ou de difícil acesso, onde não há cobertura atualmente.

CEO da Vivo destaca foco em longo prazo

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Imagem: rafapress / Shutterstock.com

O CEO da Vivo, Christian Gebara, explicou que o investimento de R$ 4,5 bilhões considera tanto o opex (custos operacionais) quanto o capex (despesas de capital). Segundo ele:

“Temos investimentos em cinco anos e dez anos, temos cobertura móvel, backhaul de fibra, continuidade da prestação dos serviços até 2028 em 373 localidades onde somos o carrier of last resort. Também temos 20 anos de opex para manutenção desses investimentos. Tudo isso está incluído nesse VPL.”

A fala do executivo reforça que a empresa pretende garantir a sustentabilidade dos serviços essenciais, mesmo nas localidades menos rentáveis.

Cobertura deficiente gera notificação do Procon Tocantins

Apesar dos planos ambiciosos, a Vivo enfrenta problemas na qualidade do serviço prestado, como mostram reclamações registradas no município de Alvorada (TO). Na última sexta-feira (10), o Procon Tocantins notificou oficialmente a Telefônica Brasil S.A., controladora da marca Vivo, devido a falhas constantes de sinal de telefonia móvel e internet desde o início de outubro de 2025.

Moradores relatam quedas frequentes e longas interrupções no serviço, sem que houvesse atuação técnica para resolução do problema.

Posicionamento do Procon

O superintendente do Procon Tocantins, Euclides Correia, criticou a falta de resposta da empresa:

“O consumidor não pode ser penalizado por falhas constantes em um serviço essencial pelo qual paga todos os meses. É obrigação da operadora garantir o funcionamento regular e tomar as providências necessárias para corrigir as falhas identificadas.”

A notificação estabelece um prazo de três dias úteis para que a Vivo:

  • Explique as causas técnicas das interrupções;
  • Apresente medidas já adotadas para normalização;
  • Informe se haverá compensação aos consumidores prejudicados;
  • Apresente plano preventivo e corretivo para evitar reincidência.

Regime privado exige mais responsabilidade sobre qualidade

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Com a migração para o regime privado de autorização, a Vivo ganha maior autonomia na gestão de serviços e investimentos, mas também assume o risco reputacional e a obrigação de garantir qualidade e disponibilidade — especialmente em áreas com pouca concorrência.

Analistas destacam que a Anatel continuará fiscalizando os indicadores de qualidade e poderá aplicar multas ou suspensões, caso os compromissos assumidos não sejam cumpridos.

Telefônica Brasil em números

A Vivo é a maior operadora do país em diversos segmentos:

  • Mais de 100 milhões de acessos móveis e fixos;
  • Presente em todos os estados brasileiros;
  • Líder no segmento de fibra óptica (FTTH);
  • Avança na integração de serviços digitais, fintechs e streaming.

O encerramento do regime de concessão marca uma nova fase para a empresa, que busca se reposicionar como provedora completa de soluções digitais, indo além da telefonia tradicional.

O que significa para o consumidor?

Pontos positivos

  • Melhor infraestrutura de internet e rede móvel em áreas carentes;
  • Possível redução de tarifas com fim de obrigações onerosas da concessão;
  • Mais agilidade na implantação de novas tecnologias, como 5G.

Pontos de atenção

  • Risco de abandono gradual da telefonia fixa, especialmente em cidades pequenas;
  • Maior dependência de regulação da Anatel e do cumprimento das metas de investimento;
  • Necessidade de fiscalização mais próxima para garantir cobertura e qualidade.

Próximos passos da migração

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Imagem: Divulgação

A migração da Vivo deve ser seguida por outras operadoras, como a Oi e a Claro, que também possuem contratos de concessão em vigor. A Anatel trabalha em cronogramas individualizados para cada empresa, respeitando a estrutura regional dos contratos e as condições técnicas.

O novo modelo tende a ser a regra para o setor de telecomunicações no Brasil, privilegiando contratos com maior flexibilidade e foco em resultados concretos para o consumidor.

Imagem: Alison Nunes Calazans / shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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