A partir de junho de 2025, os usuários do WhatsApp começarão a visualizar anúncios publicitários dentro do aplicativo, marcando um dos passos mais significativos da Meta Platforms rumo à monetização direta de seu serviço de mensagens mais popular. A novidade, anunciada nesta segunda-feira (16), vai transformar a aba “Atualizações” em um espaço para exibição de conteúdos patrocinados.
WhatsApp vai exibir anúncios e lançar assinaturas pagas para gerar mais receita
Meta inicia exibição de anúncios no WhatsApp a partir de junho de 2025, começando pela aba Atualizações.
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Onde os anúncios aparecerão?
Segundo a Meta, os anúncios serão exibidos exclusivamente na guia “Atualizações”, uma seção já existente no aplicativo e que concentra recursos como:
- Status (versão do WhatsApp para os stories que desaparecem em 24 horas);
- Canais, onde empresas, marcas e personalidades enviam mensagens para grupos de seguidores.
A aba não inclui as conversas privadas dos usuários, o que significa que as mensagens diretas permanecerão livres de anúncios, preservando o compromisso de privacidade assumido pela empresa.
Alcance da nova aba publicitária
A Meta informou que a aba Atualizações recebe cerca de 1,5 bilhão de visitantes por dia. Esse número representa uma oportunidade estratégica para alcançar grandes audiências, especialmente em mercados como Brasil e Índia, onde o WhatsApp domina a comunicação digital.
Formatos de anúncio previstos:
- Anúncios no Status, de forma semelhante ao que já ocorre nos stories do Instagram e Facebook;
- Promoção de canais, onde marcas e empresas poderão pagar para destacar seus canais na aba Atualizações, aumentando o alcance de seus conteúdos.
Monetização dos canais do WhatsApp
Além da exibição de anúncios, a Meta anunciou uma nova funcionalidade para os administradores de canais: a possibilidade de cobrar assinaturas dos seguidores.
Como funcionará a assinatura de canais?
- Os canais poderão oferecer conteúdos exclusivos para assinantes pagantes;
- Inicialmente, a Meta não cobrará nenhuma comissão sobre as assinaturas;
- Futuramente, a empresa prevê reter 10% das receitas de assinaturas, como parte do modelo de monetização.
Essa estratégia visa criar uma nova fonte de receita para influenciadores, empresas e criadores de conteúdo que já utilizam os canais do WhatsApp para se comunicar com grandes públicos.
Garantias de privacidade: o que não vai mudar
O WhatsApp sempre foi reconhecido por sua política de privacidade rigorosa, com destaque para a criptografia de ponta a ponta nas conversas pessoais.
A vice-presidente de produtos do WhatsApp, Alice Newton Rex, garantiu que:
- As mensagens privadas e as chamadas continuarão livres de publicidade;
- O histórico de navegação do usuário no Facebook ou Instagram não será utilizado para segmentação de anúncios no WhatsApp, a menos que o usuário vincule suas contas de forma voluntária.
Dados que poderão ser usados para segmentação:
- Localização aproximada do usuário;
- Preferências de idioma;
- Interações com canais dentro do WhatsApp.
Ou seja, a segmentação será feita com base em informações gerais e não invasivas, com o objetivo de manter o equilíbrio entre a personalização da publicidade e a proteção de dados dos usuários.
O desafio da Meta: monetizar sem perder usuários

Desde que adquiriu o WhatsApp por US$ 19 bilhões em 2014, a Meta buscava maneiras de tornar o serviço financeiramente viável sem afetar negativamente a experiência dos usuários.
Inicialmente, a ideia de introduzir anúncios dentro do aplicativo era vista como uma violação dos princípios estabelecidos pelos cofundadores do WhatsApp, Jan Koum e Brian Acton, que sempre defenderam a não inserção de publicidade nas mensagens privadas.
Após a saída dos cofundadores entre 2017 e 2018, a Meta passou a investir gradualmente em soluções de monetização indireta, como:
- Click-to-Message Ads no Instagram e Facebook;
- Ferramentas de atendimento ao cliente para empresas no WhatsApp Business;
- Pagamentos e serviços de e-commerce via WhatsApp em países como o Brasil.
Agora, com a introdução dos anúncios na aba Atualizações, a Meta dá um passo mais direto na exploração comercial da base de usuários do WhatsApp.
Como será o lançamento dos anúncios?
A Meta confirmou que o lançamento global dos anúncios no WhatsApp começará nesta segunda-feira, mas alertou que a implantação será gradual.
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+311 mil seguidores
O que esperar nos próximos meses:
- Inicialmente, apenas uma parcela dos usuários verá os anúncios;
- A expansão será progressiva, com base em análises de desempenho e feedback dos usuários;
- A Meta continuará monitorando a aceitação da nova funcionalidade, ajustando o formato e a frequência dos anúncios conforme necessário.
Impacto no mercado de publicidade digital
O movimento da Meta reforça a tendência de monetização de aplicativos de mensagens. Concorrentes como o Telegram e o WeChat, por exemplo, já possuem modelos de assinaturas pagas e espaços publicitários.
Com mais de 2 bilhões de usuários ativos, o WhatsApp representa uma mina de ouro para o mercado publicitário, especialmente em mercados emergentes.
Segundo analistas de mercado, a decisão de incluir anúncios pode ajudar a Meta a:
- Compensar os altos investimentos em inteligência artificial (IA);
- Expandir as receitas com publicidade, que continuam sendo a principal fonte de faturamento da companhia;
- Diversificar o portfólio de produtos, tornando o WhatsApp uma plataforma mais completa, que vai além das mensagens instantâneas.
Investimentos recentes da Meta em IA também influenciam a estratégia
Paralelamente ao anúncio sobre os anúncios no WhatsApp, a Meta confirmou um investimento de US$ 14,3 bilhões em uma participação de 49% na startup Scale AI, especializada em rotulagem de dados para inteligência artificial.
A empresa tem investido fortemente em modelos de linguagem de grande porte (LLMs) e em IA generativa, o que pressiona ainda mais a necessidade de novas fontes de receita para equilibrar o caixa.
Esse contexto econômico reforça o porquê de a Meta apostar em uma estratégia mais agressiva de monetização do WhatsApp.
Como os usuários podem controlar a experiência?

Apesar da novidade, os usuários que não desejarem interagir com anúncios podem:
- Continuar utilizando apenas as funções de mensagens e chamadas, sem acessar a aba Atualizações;
- Evitar seguir canais ou visualizar Status, caso prefiram uma experiência sem publicidade.
A Meta ainda não informou se, no futuro, será possível ocultar anúncios da aba Atualizações, mas garantiu que não haverá interrupções nas conversas privadas.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
