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Cartões Mastercard não vão mais funcionar em maquininhas em alguns casos; entenda a mudança

Mastercard suspendeu cartões do Will Bank após falhas financeiras. No dia seguinte, o BC decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa··10 min de leitura
Will Bank

A crise no Grupo Banco Master ganhou novos capítulos nesta semana e passou a afetar diretamente o dia a dia de milhões de brasileiros. Primeiro, a Mastercard suspendeu o uso dos cartões do Will Bank, fintech ligada ao conglomerado. Em seguida, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A., citando falhas graves de solvência e deterioração econômica.

O resultado prático foi imediato: clientes sem conseguir fazer compras, transferências, operações via Pix e até dificuldade para acessar informações nos canais digitais. Enquanto isso, cresce a preocupação sobre o futuro dos saldos, dívidas e faturas em aberto.

A seguir, você confere o que aconteceu, por que o caso é tão relevante e quais são os próximos passos para os consumidores.

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O que aconteceu com o Will Bank nesta semana

A escalada do caso ocorreu em dois movimentos decisivos e em sequência.

Mastercard suspendeu os cartões do Will Bank na terça-feira (20)

Na terça-feira (20), a Mastercard anunciou a suspensão do uso dos cartões do Will Bank após identificar o descumprimento de obrigações financeiras por parte da instituição.

Na prática, quando uma bandeira ou arranjo de pagamento toma esse tipo de decisão, o objetivo costuma ser conter riscos operacionais e financeiros, evitando que o problema se amplie e gere uma onda de inadimplência ou prejuízos em cadeia.

Banco Central decretou liquidação extrajudicial na quarta-feira (21)

Já na quarta-feira (21), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento.

O BC apontou problemas severos de solvência, com deterioração da situação econômico-financeira da instituição, além de conexão com o conglomerado Master, que já vinha no centro de um colapso de confiança desde o fim de 2025.

Por que a suspensão dos cartões foi tão grave

Embora muitas pessoas associem bancos digitais apenas a “conta e cartão”, o cartão é o principal instrumento de acesso ao dinheiro para grande parte dos usuários. E o impacto, no caso do Will Bank, foi ampliado por dois fatores:

Interrupção de serviços essenciais do cotidiano

Com o cartão suspenso, clientes passaram a relatar falhas em:

Compras em lojas físicas e online

O cartão simplesmente deixa de passar, mesmo com limite disponível.

Pagamentos recorrentes

Assinaturas e débitos automáticos podem falhar, gerando multas e juros em outros serviços.

Transferências e Pix

Muitos usuários também relataram indisponibilidade ou instabilidade em Pix e movimentações bancárias.

Efeito psicológico e corrida por informações

Quando um banco passa por crise, o “vácuo de comunicação” vira um gatilho: o consumidor corre para sacar, transferir e proteger o que pode.

Nesse cenário, a indisponibilidade do site e serviços agrava ainda mais o clima de insegurança.

Site fora do ar e comunicado do BC: o que isso significa

Um dos sinais mais preocupantes para muitos usuários foi perceber que o site e canais digitais do Will Bank ficaram fora do ar, direcionando visitantes para o comunicado do Banco Central sobre a liquidação.

Esse tipo de medida não acontece por acaso.

Entenda o objetivo do procedimento

A liquidação extrajudicial é um regime legal aplicado pelo Banco Central quando a instituição não tem condições de seguir operando normalmente.

A prioridade passa a ser:

  • preservar a ordem do sistema financeiro
  • proteger credores e clientes dentro das regras existentes
  • organizar patrimônio e dívidas sob um liquidante nomeado

Ou seja: a instituição deixa de operar como banco e passa a ser administrada para encerrar atividades, pagar compromissos e buscar ressarcimentos conforme a legislação.

Profundidade da crise no Banco Master e o impacto no conglomerado

Para entender o tamanho do problema, é necessário olhar além do Will Bank.

A liquidação da Will Financeira expôs algo maior: a crise estrutural no grupo Master, com efeitos sobre entidades relacionadas e parceiros.

O que é o Grupo Banco Master

O conglomerado Master reúne empresas e operações financeiras que cresceram nos últimos anos no mercado brasileiro. Entre as marcas mais conhecidas ao público, entrou o Will Bank, com forte atuação digital e apelo popular.

Com o colapso, porém, o que veio à tona foi uma combinação de fatores:

  • fragilidade na estrutura de capital
  • problemas de liquidez
  • indícios e apurações envolvendo operações financeiras
  • desconfiança crescente do mercado e de fornecedores-chave

Outras entidades impactadas

A crise não se limita ao Will Bank. Há impactos e reflexos em outras instituições associadas ao conglomerado, citadas em diferentes análises do mercado.

Isso aumenta o efeito cascata, principalmente quando fornecedores e parceiros (como bandeiras de cartão) precisam agir rapidamente para limitar exposição a risco.

Daniel Vorcaro e investigações: o fator reputacional pesa

Outro ponto sensível do caso envolve o nome de Daniel Vorcaro, ligado à direção e controle do Banco Master.

Segundo reportagens e apurações já divulgadas, há investigações envolvendo suspeitas de fraude bancária e outras irregularidades.

Por que isso influencia o destino do banco

No mercado financeiro, confiança é infraestrutura. Mesmo antes de se provar culpa ou inocência, a existência de investigações relevantes pode gerar:

  • fuga de investidores
  • recuo de parceiros
  • aumento de fiscalização
  • fechamento de linhas de crédito
  • aceleração de queda por crise de liquidez

Ou seja: o banco entra num ciclo em que perde acesso a capital exatamente quando mais precisa dele.

Raet: por que a medida não evitou o colapso do Will Bank

Antes de chegar à liquidação, houve tentativas regulatórias de contenção.

Uma delas foi o Regime de Administração Especial Temporária (Raet).

O que é o Raet

O Raet é uma intervenção do Banco Central usada quando a instituição tem problemas graves, mas ainda existe alguma possibilidade de reorganização sem interromper totalmente os serviços ou sem decretar encerramento.

Em teoria, o Raet pode:

  • limitar decisões de gestão
  • reorganizar governança
  • proteger a operação enquanto soluções são buscadas (ex.: venda do ativo)

Por que não funcionou no caso

No caso do Will Bank, a permanência de fragilidades financeiras, somada à deterioração do conglomerado Master, tornou a recuperação impraticável.

Quando a situação chega ao ponto de “insolvência” (incapacidade real de honrar obrigações), o Raet deixa de ser solução e o regulador precisa partir para o encerramento formal via liquidação.

O que muda para os clientes com a liquidação extrajudicial

A pergunta central agora é: e quem tinha conta, saldo ou dívida, como fica?

Liquidante será nomeado

Com a liquidação, será nomeado um liquidante extrajudicial, responsável por:

  • levantar ativos e bens
  • mapear todas as dívidas e obrigações
  • organizar documentos e credores
  • definir cronogramas e regras para pagamentos e ressarcimentos

Ou seja: o banco deixa de funcionar como um banco, e passa a funcionar como uma instituição “em encerramento supervisionado”.

Clientes continuam responsáveis por faturas anteriores

Um ponto importante (e que tem gerado confusão) é que a suspensão do cartão não apaga compras feitas antes.

O que isso significa na prática

  • compras já realizadas entram como fatura/dívida
  • encargos podem continuar previstos em contrato
  • a dívida pode ser cobrada mesmo com a instituição em liquidação

Em outras palavras: o consumidor deve acompanhar instruções oficiais, mas precisa se preparar para manter pagamentos de faturas existentes, caso a cobrança permaneça disponível.

Pix e transferências: por que o serviço pode parar

Muitos usuários relataram que, além do cartão, não conseguiam fazer Pix.

Isso pode acontecer por diferentes razões durante crises:

Falta de liquidez e bloqueio operacional

Se a instituição perde capacidade de liquidação financeira (não consegue cumprir compromissos com parceiros e sistemas), operações como Pix podem ser limitadas.

Medidas preventivas

Durante processos de intervenção e liquidação, operações podem ser congeladas para evitar:

  • dispersão de patrimônio
  • saques desordenados
  • prejuízos aos credores
  • fraudes no momento de fragilidade

O papel do FGC no caso Will Bank: o que está protegido

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é o principal instrumento de proteção do cliente comum quando ocorre falência, liquidação ou intervenção.

Quanto o FGC garante

A garantia é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, considerando os produtos elegíveis.

O que costuma ser coberto

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Normalmente, o FGC protege depósitos e aplicações específicas (como CDB, LCI, LCA, poupança), desde que enquadradas nas regras do fundo.

O que pode não ser coberto

Há produtos, investimentos e modalidades que podem ficar fora do escopo.

Por isso, é essencial:

  • aguardar o posicionamento oficial sobre elegibilidade dos saldos
  • verificar tipo de conta e produto contratado
  • não cair em boatos ou “listas” em redes sociais

Por que o impacto é maior entre classes C e D

Um dos pontos mais delicados é o perfil do público do Will Bank.

O banco tinha forte penetração entre:

  • trabalhadores informais e CLTs
  • beneficiários de programas sociais
  • pessoas com menor “bancarização tradicional”
  • usuários que dependem do banco como conta principal

Incerteza sobre acesso ao dinheiro

Quando ocorre liquidação, o acesso aos recursos deixa de ser imediato.

Mesmo que a maioria dos clientes esteja dentro do limite do FGC, o ressarcimento costuma seguir etapas formais, e isso gera:

  • ansiedade financeira
  • atraso em pagamentos essenciais
  • risco de endividamento em outras linhas de crédito
  • impacto emocional e social significativo

Como o cliente deve agir agora: orientações práticas

Neste momento, a recomendação é agir com cautela e foco em informação oficial.

1) Acompanhe comunicados do Banco Central

Evite confiar em prints, correntes e “notícias exclusivas” em redes sociais.

O correto é acompanhar:

  • Banco Central
  • comunicados oficiais do liquidante (quando houver)
  • canais formais da instituição

2) Guarde provas e registros

O cliente deve salvar:

  • prints de saldo
  • comprovantes de transferências e Pix
  • comprovantes de investimentos e extratos
  • faturas e boletos emitidos

Esses documentos podem ser úteis em disputas futuras ou processos administrativos.

3) Atenção a golpes

Crises bancárias são terreno fértil para fraude.

Golpes comuns incluem:

  • “recuperação de saldo mediante taxa”
  • links falsos para “resgate do FGC”
  • centrais falsas no WhatsApp
  • cobrança falsa de faturas com Pix suspeito

Se pedirem pagamento antecipado para liberar dinheiro, desconfie.

O que pode acontecer com o Will Bank a partir de agora

Com a liquidação em curso, existem cenários possíveis, ainda que não definitivos:

Venda de ativos e carteira

Parte dos ativos pode ser vendida ou transferida, especialmente:

  • carteiras de crédito
  • operações de financiamento
  • bases de clientes (dependendo de autorização)

Ressarcimento via FGC para quem tiver direito

Se confirmado enquadramento, o FGC pode ressarcir saldos elegíveis, dentro do limite estabelecido.

Cobrança de dívidas pode continuar

É comum que carteiras de crédito sejam transferidas para outras empresas, que passam a cobrar.

Ou seja: quem tinha dívida não deve assumir que “sumiu”.

Conclusão

A suspensão dos cartões do Will Bank pela Mastercard e a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central deixam claro que a crise no Grupo Banco Master atingiu um estágio crítico, com efeitos diretos no consumidor.

Em momentos assim, o principal é evitar desinformação e agir com organização: guardar comprovantes, acompanhar comunicados oficiais e ter cuidado com golpes. O FGC pode ser um caminho de proteção para muitos clientes, mas ele depende de regras, prazos e validação do tipo de saldo ou produto.

Até que o liquidante apresente diretrizes e o processo avance, a recomendação é cautela máxima e monitoramento constante do que for divulgado pelo Banco Central.

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