A Wise anunciou nesta sexta-feira (14) uma mudança na forma como clientes no exterior podem enviar dinheiro para o Brasil. Agora, estrangeiros e brasileiros que não moram no país podem fazer transferências usando apenas a chave Pix do destinatário, sem precisar informar dados como banco e agência.
A novidade está disponível nos países habilitados para envio de dinheiro ao Brasil e pode ser usada para transferências destinadas a pessoas físicas ou empresas. O dinheiro continua sendo enviado de forma instantânea pela infraestrutura do Pix; a principal alteração está na quantidade de informações necessárias para concluir a operação.
A seguir, entenda quem pode usar a novidade, quais são os limites e o que muda na prática para quem envia ou recebe dinheiro do exterior.
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O que mudou no Pix da Wise?

Antes, o usuário precisava fornecer informações bancárias do destinatário para fazer uma transferência para o Brasil. Com a nova modalidade, basta informar uma chave Pix válida.
Podem ser utilizadas chaves cadastradas como:
- número de telefone;
- e-mail;
- CPF;
- CNPJ;
- chave aleatória.
Segundo a Wise, a mudança torna o processo mais simples porque o remetente não precisa mais solicitar agência, número da conta e outras informações bancárias do beneficiário.
A empresa descreve a alteração como uma mudança dos dados utilizados para realizar a transferência. A operação continua utilizando a infraestrutura do Pix no Brasil.
Quem pode enviar dinheiro para o Brasil pela chave Pix?
A funcionalidade é voltada para clientes da Wise que estejam fora do Brasil e enviem dinheiro para beneficiários brasileiros.
Isso inclui brasileiros que vivem no exterior e precisam mandar recursos para familiares, além de estrangeiros que tenham despesas ou compromissos financeiros no país.
Também é possível utilizar a modalidade em situações comerciais, como uma empresa estrangeira pagando um prestador de serviços brasileiro.
O destinatário precisa ter conta na Wise?
Não.
Para receber o dinheiro, a pessoa ou empresa precisa apenas ter uma chave Pix ativa em uma instituição financeira ou de pagamento participante do sistema.
O destinatário não precisa abrir uma conta na Wise para receber os recursos.
Da mesma forma, segundo a empresa, o remetente não precisa ter CPF brasileiro nem cadastrar uma chave Pix na própria Wise para fazer a transferência.
Existe limite para enviar dinheiro usando apenas a chave Pix?
Sim.
A Wise informa que a transferência pode ser feita utilizando somente a chave Pix para valores de até R$ 10 mil.
Em operações acima desse valor, além da chave Pix, a plataforma exige também o e-mail do destinatário.
Portanto, a novidade não significa que todas as transferências internacionais para o Brasil passarão a exigir apenas uma informação. Para valores maiores, existe uma etapa adicional de identificação.
O dinheiro chega na hora?
A Wise afirma que as transferências para o Brasil já eram realizadas de forma instantânea e que essa característica permanece.
O Pix é processado por meio do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), infraestrutura administrada pelo Banco Central que permite a liquidação das transações em tempo real.
É preciso, porém, diferenciar o tempo do Pix do processo completo de uma transferência internacional. Antes de o dinheiro entrar no sistema brasileiro, existe a etapa de envio dos recursos para a Wise e, quando necessário, a conversão da moeda.
Por isso, o tempo total da operação pode depender das condições específicas da transferência.
Quais moedas podem ser utilizadas?
De acordo com a Wise, a opção está disponível para as mais de 40 moedas presentes na plataforma.
Na prática, o usuário pode partir de diferentes moedas disponíveis em sua conta e enviar os recursos para um beneficiário no Brasil, que receberá o valor em reais.
As tarifas e condições da operação podem variar de acordo com a moeda, o valor enviado e outras características da transferência.
Brasileiros que moram no exterior podem se beneficiar
Um dos principais públicos que podem ganhar praticidade com a mudança são os brasileiros que vivem fora do país.
Imagine, por exemplo, uma pessoa que mora na Europa e precisa enviar dinheiro mensalmente para os pais no Brasil. Em vez de pedir agência e conta, ela pode utilizar a chave Pix já cadastrada pelo familiar.
O mesmo vale para despesas relacionadas a imóveis, pagamentos de serviços ou outras obrigações financeiras mantidas no Brasil.
A simplificação também reduz a possibilidade de erro no preenchimento de dados bancários tradicionais.
Estrangeiros também podem usar o Pix durante viagens
A mudança não é voltada apenas para brasileiros.
Um estrangeiro que esteja viajando pelo Brasil e utilize a Wise poderá, em determinadas situações, fazer um pagamento para um estabelecimento ou profissional brasileiro utilizando uma chave Pix.
A própria empresa cita como exemplo um turista em Copacabana que precise pagar diretamente a um vendedor de uma barraca.
Isso aproxima a experiência de pagamento de um turista estrangeiro daquela vivenciada por consumidores brasileiros, que já utilizam o Pix para uma grande variedade de compras e serviços.
Empresas estrangeiras também podem fazer pagamentos
A funcionalidade pode ser usada em operações envolvendo empresas.
Uma companhia localizada no exterior que precise pagar um prestador de serviços no Brasil, por exemplo, pode utilizar uma chave Pix vinculada ao CNPJ do beneficiário.
Isso pode simplificar pagamentos internacionais de menor complexidade, especialmente quando a empresa estrangeira não possui familiaridade com os dados bancários brasileiros.
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Por que a Wise conseguiu oferecer a novidade?
A operação brasileira da Wise está inserida no sistema de pagamentos regulado pelo Banco Central.
Desde setembro de 2024, a empresa possui licença de Instituição de Pagamento (IP) no Brasil. A autorização permite à fintech atuar dentro do arcabouço regulatório brasileiro e se conectar à infraestrutura de pagamentos do país.
O Pix, por sua vez, é administrado pelo Banco Central e funciona por meio de uma rede de instituições participantes.
A estratégia da Wise é combinar sua infraestrutura internacional com os sistemas de pagamentos locais dos países onde atua.
Segundo a empresa, atualmente são mais de 80 licenças e acesso direto a sistemas domésticos de pagamentos em nove mercados.
O que muda na prática para quem envia dinheiro?
A mudança pode ser resumida em três pontos principais:
Menos informações: o remetente pode usar uma chave Pix em vez de preencher dados bancários tradicionais.
Mais praticidade: basta solicitar ao destinatário uma chave Pix válida.
Pagamento pelo sistema Pix: a transferência continua chegando ao beneficiário por meio da infraestrutura de pagamentos instantâneos brasileira.
Para operações de R$ 10 mil ou mais, entretanto, a Wise informa que o e-mail do recebedor também poderá ser solicitado.
Quais cuidados devem ser tomados?
A simplificação não elimina a necessidade de conferir os dados antes de confirmar uma transferência.
O principal cuidado é verificar se a chave Pix realmente pertence à pessoa ou empresa que deve receber o dinheiro. Antes da confirmação, o usuário deve conferir o nome apresentado na operação e o valor.
Também é recomendável observar o câmbio aplicado e as tarifas cobradas pela Wise. Em uma transferência internacional, o valor pago pelo remetente pode ser diferente do valor recebido no Brasil por causa da conversão de moeda e dos custos da operação.
Em caso de dúvida, a orientação é conferir as condições apresentadas no aplicativo antes de autorizar o envio.
Wise aproxima transferência internacional da experiência do Pix

A nova funcionalidade reduz uma das principais diferenças entre uma transferência internacional e um pagamento doméstico no Brasil: a quantidade de informações necessárias para identificar o destinatário.
Para brasileiros que vivem no exterior, isso pode facilitar o envio recorrente de dinheiro para familiares. Para empresas estrangeiras, pode simplificar pagamentos a prestadores brasileiros. E, para turistas, cria uma alternativa mais familiar para realizar pagamentos durante a viagem.
A principal mudança, portanto, não está na velocidade do Pix, mas na forma de identificar quem receberá o dinheiro. Em vez de depender de banco, agência e conta, o usuário pode concentrar a operação em uma única chave.
Conclusão
A mudança anunciada pela Wise torna o envio de dinheiro para o Brasil mais simples ao permitir que o destinatário seja identificado pela chave Pix, sem a necessidade de informar dados bancários tradicionais. A novidade beneficia especialmente brasileiros que vivem no exterior, empresas e estrangeiros que precisam fazer pagamentos no país.
Na prática, a operação continua utilizando a rapidez do Pix, mas com menos informações para preencher. Ainda assim, é fundamental conferir os dados do recebedor, o câmbio e as tarifas antes de confirmar a transferência.



