Diante da crise anunciada na última semana, a 123milhas, pioneira no mercado de milhas, optou por entrar com um pedido de recuperação judicial na terça-feira (29). De acordo com a defesa, a empresa vivencia seu pior momento financeiro desde a sua fundação. Assim sendo, o valor da causa ultrapassa a casa dos R$ 2 bilhões.
Afinal, como empresas que trabalham com milhas podem evitar crises como a da 123milhas?
Sistema adotado por empresas de milhas estão em foco diante da crise financeira anunciada pela 123. Saiba mais!
Vale lembrar que a companhia em questão é uma das maiores do ramo no país. Agora, em meio a essa situação, é provável que outras empresas do mesmo meio sejam afetadas, justamente pela magnitude da 123.
No entanto, para o advogado especialista em Direito e Crimes Financeiros, Anthonio Araújo, existem alguns caminhos para que empresas do setor possam evitar crises como essa.
Milha precisa ser tratada como token, diz especialista
Dentre as possibilidades que podem ser soluções para empresas da área de turismo que trabalham com milhas, Araújo defende tratar a milha como um token. Conforme o advogado, é uma forma desse tipo de mercado contar com uma regulamentação mais específica e ser tutelada por algum órgão como o Banco Central (BC) ou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
“Além disso, a gente ainda precisa passar por uma regulamentação nesse setor. Fundo garantidor do turismo, por exemplo. Este tipo de empresa precisa ter um lastro, uma moeda. Porque se o consumidor for penalizado, tem de onde tirar. A gente tem o site consumidor.gov.br que é do governo, mas as companhias e essas empresas não estão ali para dar assistência para as pessoas.”, argumenta o especialista.

Modelo de negócio de empresas pode ficar insustentável
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Recentemente, a Hurb, empresa que também trabalha com passagens flexíveis, assim como é o caso da 123milhas, vivenciou uma crise sem precedentes. Nesse sentido, o advogado chama a atenção para a similaridade do modelo de negócio que pode tornar-se insustentável a longo prazo.
“Tanto o negócio da Hurb quanto da 123Milhas não tem nenhum tipo de ilegalidade em termos de operação. O que eles fazem é intermediação entre compra e venda de milhas. […] Quando você faz essas análises e percebe esses valores milagrosos, fica aparentando que a empresa vende algo neste momento que ela precisa realizar caixa para cumprir com a obrigação no futuro. Dessa forma, quando se enxerga isso, o modelo de negócio se torna insustentável ao longo do tempo.”, afirma Araújo.
Imagem: Andrew Angelov / shutterstock.com
