A ideia de que alugar imóveis pelo Airbnb seria uma forma de escapar da carga tributária brasileira é um mito.
Estudo revela: anfitriões do Airbnb pagam mais impostos que hotéis no Brasil
Estudo mostra que anfitriões do Airbnb pagam carga tributária igual ou superior à de hotéis, contrariando ideia de “paraíso fiscal”.
Um levantamento da LCA Consultoria Econômica, encomendado pela plataforma, revela que os anfitriões de aluguel de temporada enfrentam uma tributação igual ou até superior à dos hotéis tradicionais, contrariando a narrativa de que o serviço proporciona um “paraíso fiscal” para os locadores.
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Tributação de anfitriões e hotéis: realidade comparada

Segundo Henrique Índio do Brasil, diretor tributário do Airbnb para América Latina e Canadá, a percepção de vantagem fiscal para pessoas físicas que alugam imóveis é incorreta. “Historicamente, a gente escuta da indústria de acomodações que o Airbnb seria uma concorrência desleal na questão tributária, como se os anfitriões não pagassem impostos. Mas a realidade é justamente o contrário”, afirma.
Imposto de Renda e deduções
Atualmente, anfitriões pessoas físicas recolhem Imposto de Renda pelo Carnê-Leão, com alíquotas que podem chegar a 27,5%. Além disso, têm acesso a poucas deduções, o que aumenta o peso da tributação.
Por outro lado, hotéis, como pessoas jurídicas, usufruem de regimes tributários mais vantajosos, como Simples Nacional, lucro presumido ou lucro real, que permitem deduzir despesas operacionais, royalties e outros custos. Incentivos fiscais também ampliam a diferença. Em 2023, por exemplo, o setor hoteleiro do Rio de Janeiro recebeu mais de R$ 115 milhões em benefícios de IPTU e ITBI, enquanto os anfitriões continuaram arcando com o Imposto de Renda integral.
Impactos da reforma tributária

O estudo também avalia o efeito da reforma tributária sobre os aluguéis de temporada. Com a criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), o aluguel de imóveis será incluído em novas cobranças, que se somam ao Imposto de Renda da pessoa física.
“No cenário pós-reforma, alguns anfitriões pagarão dois tributos. Os hotéis, por sua vez, continuam com regimes que permitem uma carga efetiva menor. Ou seja, a diferença não diminui, ela pode até se intensificar”, explica Índio do Brasil.
Exceções para pequenos locadores
A legislação prevê uma exceção para pequenos locadores, aqueles que possuam até três imóveis ou renda anual inferior a R$ 240 mil. Nesse caso, eles serão isentos dos novos tributos sobre consumo, reduzindo o impacto da reforma. No entanto, a análise indica que, mesmo considerando essas exceções, a tese de privilégio fiscal para anfitriões não se sustenta.
Airbnb e a disputa de narrativa com a hotelaria
A percepção de concorrência desleal tem sido usada pelo setor hoteleiro para criticar o Airbnb. No entanto, os dados do estudo da LCA Consultoria mostram que, em muitos casos, um anfitrião pessoa física paga mais imposto do que uma rede hoteleira estruturada, especialmente quando os rendimentos são equivalentes.
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Henrique Índio do Brasil destaca que a confusão surge da diferença entre regimes tributários de pessoa física e pessoa jurídica, além dos incentivos concedidos a hotéis. “O chamado paraíso fiscal do Airbnb não existe. Quando você compara rendimentos equivalentes, muitas vezes o anfitrião paga mais imposto do que uma rede de hotéis estruturada”, conclui.
A importância da transparência tributária
Especialistas defendem que o debate sobre a tributação de plataformas como o Airbnb deve ser baseado em dados reais, e não em percepções. A transparência fiscal é essencial para que o setor seja competitivo e, ao mesmo tempo, contribua de forma justa para a arrecadação do país.
Além disso, a reforma tributária brasileira promete simplificar o sistema, mas também exige atenção para não criar desigualdades involuntárias entre pessoas físicas e jurídicas. O caso do Airbnb ilustra como regimes diferentes e incentivos fiscais podem gerar distorções na percepção pública sobre quem paga mais impostos.
Considerações finais
O levantamento da LCA Consultoria Econômica, divulgado em setembro de 2025, reforça que a narrativa de vantagem fiscal para anfitriões do Airbnb é equivocada. Entre impostos, deduções limitadas e novas cobranças previstas pela reforma tributária, muitos locadores enfrentam uma carga tributária até superior à de hotéis.
Enquanto o debate sobre o setor de hospedagem continua, o estudo evidencia a necessidade de políticas claras e equilibradas, garantindo que tanto anfitriões quanto hotéis atuem em um campo de jogo justo e transparente.
Imagem: Viewimage / Shutterstock

