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Anatel define futuro do 850 MHz em reunião extraordinária nesta sexta

Conselho Diretor da Anatel avalia edital de radiofrequências nesta sexta (29). Pauta inclui faixas de 850 MHz, 2,3 GHz, 2,5 GHz e 3,5 GHz, essenciais para o 5G.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
Anatel

O Conselho Diretor da Anatel se reúne nesta sexta-feira, 29 de agosto de 2025, às 11h, em sessão extraordinária para analisar um tema crucial para o futuro das telecomunicações brasileiras: a proposta de edital de licitação para autorização de uso de radiofrequências.

A reunião terá como foco exclusivo a análise do edital que trata das faixas de 850 MHz, 2,3 GHz, 2,5 GHz e 3,5 GHz, todas estratégicas para ampliar a cobertura de serviços móveis e expandir a infraestrutura do 5G no país.

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Frequências em debate: importância técnica e econômica

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Imagem: Wirestock Creators / Shutterstock.com

Faixa de 850 MHz

A faixa de 850 MHz tem histórico na oferta de serviços móveis de segunda (2G) e terceira geração (3G). Trata-se de uma frequência valiosa por permitir cobertura em áreas mais amplas, com melhor penetração em ambientes internos.

O Tribunal de Contas da União (TCU) já havia determinado, em 2022, que essa faixa deveria ser licitada. Isso porque as bandas A e B, outorgadas antes da entrada em vigor da Lei nº 13.879/2019, não estavam sujeitas a leilões anteriores. A lei passou a permitir a renovação sucessiva das outorgas, mas estabeleceu regras para modernizar e integrar a gestão de espectro.

Segundo a Anatel, os novos usos da faixa só estarão disponíveis a partir de 2028, quando se encerram os atuais contratos, após um processo de refarming, ou seja, reorganização da faixa para melhor compatibilização com outras bandas.

Faixas de 2,3 GHz e 2,5 GHz

As faixas de 2,3 GHz e 2,5 GHz já possuem uso parcial no Brasil, mas podem ser otimizadas para novas aplicações em serviços móveis e fixos de alta capacidade.

A faixa de 2,5 GHz, por exemplo, já foi utilizada no leilão de 2012 para 4G, mas há segmentos ainda disponíveis. A de 2,3 GHz, por sua vez, é vista como complementar ao ecossistema 4G e 5G, com potencial para aplicações em redes privadas, internet das coisas (IoT) e serviços corporativos.

Faixa de 3,5 GHz

O grande destaque da pauta é a faixa de 3,5 GHz, considerada a principal para a expansão do 5G no Brasil. Essa frequência já foi o coração do leilão do 5G em 2021, mas ainda restam blocos e ajustes necessários para acomodar novas autorizações.

Especialistas apontam que o reforço da oferta dessa faixa pode ampliar a competição, acelerar a cobertura em áreas menos atendidas e consolidar o Brasil no cenário internacional da quinta geração de redes móveis.


Determinações do TCU e políticas públicas do setor

O Tribunal de Contas da União (TCU) teve papel decisivo ao exigir que a nova licitação de radiofrequências traga obrigações alinhadas às políticas públicas do setor.

Diretrizes cobradas pelo TCU

  • Ajuste das condições de renovação de outorgas, de acordo com a Lei nº 13.879/2019;
  • Inclusão de compromissos de investimento compatíveis com o Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações (PERT);
  • Endereçamento das necessidades associadas ao fim das concessões do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC), previsto para os próximos anos;
  • Garantia de contrapartidas sociais, como ampliação da conectividade em áreas remotas e regiões vulneráveis.

Na prática, o TCU busca assegurar que os leilões não tenham apenas caráter arrecadatório, mas sejam instrumentos de política pública, promovendo inclusão digital e redução das desigualdades regionais.


Relatoria do edital e próximos passos

A minuta do novo edital de licitação está sob a relatoria do conselheiro Vicente Bandeira de Aquino Neto, que apresentará seu parecer durante a sessão desta sexta-feira.

Caso o texto seja aprovado pelo colegiado da Anatel, o edital será submetido a consulta pública, etapa fundamental para:

  • Receber contribuições de empresas de telecomunicações;
  • Ouvir entidades da sociedade civil;
  • Ajustar o documento antes de sua versão final.

De acordo com a agenda regulatória da agência, a expectativa é que o leilão seja realizado em 2026.


O que está em jogo para o setor de telecomunicações

A definição das condições da licitação impactará diretamente os investimentos das operadoras de telecomunicações e o planejamento estratégico do setor.

Impactos esperados

  • Expansão do 5G: maior disponibilidade de espectro para acelerar a cobertura da nova tecnologia;
  • Mais competição: abertura para novos players e fortalecimento de provedores regionais;
  • Redução do fosso digital: compromissos de cobertura podem beneficiar áreas rurais e periferias urbanas;
  • Inovação tecnológica: ampliação das redes de suporte para internet das coisas (IoT), cidades inteligentes e automação industrial.

Entenda o processo de refarming

Um dos termos técnicos mais mencionados é o refarming. Trata-se do processo de reorganização de frequências já utilizadas, para adequá-las a novos padrões tecnológicos.

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No caso da faixa de 850 MHz, o refarming permitirá que ela, antes destinada a redes 2G e 3G, seja reaproveitada em serviços 4G ou 5G, otimizando o uso do espectro e aumentando a eficiência da rede.

Esse processo, no entanto, só poderá ser implementado após o fim dos contratos atuais, previsto para 2028.


Desafios do edital: equilíbrio entre arrecadação e inclusão digital

imagem mostra sede da Anatel
Imagem: Reprodução/Anatel

Especialistas alertam que a Anatel terá de encontrar um equilíbrio delicado. De um lado, o edital precisa ser atrativo para empresas e assegurar investimentos robustos em tecnologia. De outro, deve incluir contrapartidas sociais que evitem a exclusão de regiões com baixo interesse econômico.

O histórico recente mostra que os leilões da Anatel não têm priorizado a arrecadação, mas sim o modelo de “leilão não arrecadatório”, em que grande parte do valor é revertida em obrigações de investimento em conectividade.


Impacto para consumidores e sociedade

Embora o debate seja técnico, os efeitos chegam diretamente ao consumidor final.

Benefícios esperados

  • Melhor qualidade de internet móvel com mais velocidade e menor latência;
  • Maior cobertura em áreas rurais e comunidades remotas;
  • Novos serviços digitais para educação, saúde e segurança;
  • Estímulo ao desenvolvimento de cidades inteligentes e soluções de mobilidade conectada.

Para a sociedade, a ampliação do espectro também significa maior inclusão digital e oportunidades de desenvolvimento econômico regional.


Considerações finais

A sessão extraordinária do Conselho Diretor da Anatel desta sexta-feira, 29 de agosto de 2025, marca um momento estratégico para o futuro das telecomunicações no Brasil.

A análise da proposta de edital de radiofrequências nas faixas de 850 MHz, 2,3 GHz, 2,5 GHz e 3,5 GHz é decisiva para definir o ritmo da expansão do 5G e a inclusão digital no país.

Se aprovada, a minuta seguirá para consulta pública, etapa essencial para aprimorar o texto e garantir que as regras atendam aos interesses tanto das empresas quanto da sociedade.

O leilão previsto para 2026 pode consolidar uma nova fase no setor, combinando avanços tecnológicos, inovação e compromissos sociais.

A expectativa é que, com regras claras e compromissos equilibrados, o Brasil dê mais um passo para ampliar sua infraestrutura digital, reduzir desigualdades regionais e fortalecer sua posição no cenário global das telecomunicações.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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