A vontade de deixar o mercado de trabalho aos 60 anos continua forte entre os brasileiros, mas existe uma distância considerável entre o momento desejado e aquele em que muitos acreditam que realmente conseguirão se aposentar.
Uma pesquisa realizada pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), em parceria com o Datafolha, mostra que 59% dos brasileiros que ainda não se aposentaram gostariam de parar de trabalhar até os 60 anos. No entanto, somente 28% acreditam que conseguirão atingir esse objetivo. O levantamento ouviu 1.908 pessoas com 18 anos ou mais, em todas as regiões do país, entre 8 e 16 de junho de 2026.
A diferença de 31 pontos percentuais revela uma preocupação que vai além da idade para pedir o benefício: muitos trabalhadores desejam parar de trabalhar, mas não sabem se terão tempo de contribuição suficiente ou renda adequada para sustentar essa decisão.
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Por que se aposentar aos 60 anos ficou mais difícil?

A principal razão está nas mudanças provocadas pela Reforma da Previdência de 2019. Para quem ingressou no Regime Geral de Previdência Social depois da reforma, a aposentadoria programada exige idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, além do tempo mínimo de contribuição e da carência.
Isso significa que completar 60 anos, por si só, não garante o direito à aposentadoria pelo INSS.
Existem, porém, diferentes regras de transição para trabalhadores que já estavam vinculados ao sistema antes da reforma. Dependendo do histórico previdenciário, idade e tempo de contribuição, algumas pessoas podem conseguir o benefício antes das idades da regra geral. Por isso, dois trabalhadores com a mesma idade podem ter datas de aposentadoria completamente diferentes.
Quem pode se aposentar aos 60?
Um homem de 60 anos, por exemplo, pode ter possibilidade de aposentadoria caso se enquadre em uma regra de transição específica, como o pedágio de 100%, desde que também cumpra os demais requisitos. Nessa modalidade, a regra prevê idade mínima de 60 anos para o homem, 35 anos de contribuição e um período adicional equivalente ao tempo que faltava para atingir essa contribuição em novembro de 2019.
Para mulheres, a situação também depende da regra aplicável e do histórico de contribuições. A idade de 60 anos não representa, atualmente, a regra geral para aposentadoria urbana.
Por isso, simplesmente esperar completar determinada idade pode levar a uma conclusão equivocada. O trabalhador precisa verificar qual regra de transição se aplica ao seu caso.
Quanto os brasileiros esperam receber do INSS?
A pesquisa também mostra uma preocupação com o valor do benefício. Entre os trabalhadores que ainda não se aposentaram, 38% apontam a Previdência pública como uma das principais fontes de renda que pretendem utilizar no futuro.
Entretanto, somente 35% dizem saber quanto esperam receber do INSS. Entre aqueles que fizeram uma estimativa, 53% esperam receber até um salário mínimo, enquanto a média informada pelos entrevistados que indicaram um valor ficou em R$ 2.546.
O levantamento mostra ainda que 92% dos aposentados ouvidos consideram a Previdência pública sua principal fonte de sustento. Entre os trabalhadores que esperam depender do INSS, 56% acreditam que precisarão reduzir despesas depois de se aposentar.
Isso ajuda a explicar por que o planejamento financeiro passou a ser tão importante quanto o planejamento previdenciário.
Como complementar a renda depois da aposentadoria?
Quando questionados sobre alternativas para complementar o dinheiro recebido na aposentadoria, 33% dos não aposentados citaram a formação de uma reserva financeira ou poupança.
Outras estratégias mencionadas foram aluguel ou venda de imóveis, indicada por 20% dos entrevistados, e previdência privada, apontada por 13%. A venda de outros bens ou negócios também apareceu entre as alternativas.
Esses dados não significam que uma determinada estratégia seja adequada para todos. O patrimônio, a renda, a idade, o perfil de risco e a expectativa de gastos de cada trabalhador são diferentes.
O ponto central é que depender exclusivamente do benefício previdenciário pode não ser suficiente para quem pretende manter determinado padrão de vida após deixar o emprego.
Como descobrir quando você poderá se aposentar

O primeiro passo é conferir o histórico de contribuições registrado no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). Períodos sem registro, vínculos empregatícios incorretos ou contribuições que não aparecem no sistema podem interferir na análise do direito.
O próprio INSS disponibiliza o serviço de simulação de aposentadoria pelo Meu INSS. A ferramenta permite verificar as regras aplicáveis de acordo com os dados registrados no sistema.
Ainda assim, a simulação deve ser encarada como uma referência. Em situações com períodos especiais, trabalho rural, contribuições antigas, vínculos não reconhecidos ou outras particularidades, pode ser necessário conferir documentos e o histórico previdenciário com mais cuidado.
Nova reforma da Previdência pode mudar as regras?
A pesquisa também perguntou aos brasileiros o que poderia acontecer diante de uma eventual nova reforma. O aumento da idade mínima foi apontado por 41% dos entrevistados, enquanto 35% mencionaram uma possível elevação das contribuições e 15% citaram redução dos benefícios.
Essas respostas representam percepções dos participantes e não significam que exista atualmente uma reforma com essas medidas aprovada ou em vigor.
Para o trabalhador, a principal lição é não basear todo o planejamento em uma idade específica. As regras podem variar conforme a data de entrada no sistema e o histórico contributivo.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
