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Universidades alertam: apostas esportivas fazem 34% adiarem a graduação

Apostas esportivas atrasam graduação de 34% dos jovens brasileiros. Saiba aqui como o vício em bets afeta o ensino superior. Leia e compartilhe!!

Erivelto LopesPor Erivelto Lopes7 min de leitura
Caixa

O avanço das apostas esportivas no Brasil vem alterando não apenas o comportamento de consumo, mas também impactando diretamente os planos educacionais de milhares de jovens. O que antes parecia uma diversão esporádica, hoje ameaça o futuro acadêmico de uma geração inteira, revela um levantamento inédito da Abmes (Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior).

Para além dos dados frios, a realidade é dura: cada vez mais jovens da faixa etária de 18 a 35 anos priorizam as bets — ou o popular “jogo do tigrinho” — em detrimento de investimentos em educação. Essa tendência preocupa universidades, especialistas e famílias, que veem sonhos sendo adiados ou até cancelados.

Apostas enganosas
Imagem: Joédson Alves/Agência Brasil

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Vício em apostas esportivas: Quem são os mais afetados

De acordo com a pesquisa realizada em março de 2025, 34% dos jovens afirmaram que precisaram adiar o ingresso na graduação devido aos gastos com apostas. O fenômeno é ainda mais alarmante em algumas regiões. No Nordeste, 44% dos entrevistados deixaram de iniciar os estudos por falta de recursos, enquanto no Sudeste, o índice chegou a 41%. Estes números superam a média nacional, revelando um recorte regional importante.

O perfil de quem mais sofre com esse impacto também chama atenção. Entre as classes D e E, com renda familiar média de R$ 1.000, o percentual de jovens que dizem precisar interromper os gastos em bets para cursar uma faculdade salta para 43%. Já nas classes A e B, com renda média de R$ 26,8 mil, esse número cai para 22%, evidenciando a desigualdade.

Matriculados não estão imunes

Mesmo entre os jovens que já conquistaram uma vaga no ensino superior, o cenário está longe de ser tranquilo. Segundo o levantamento, 14% dos universitários afirmaram já ter atrasado mensalidades ou até trancado o curso devido às apostas online. No Nordeste, essa taxa sobe para 17%, evidenciando como o vício se infiltra na rotina acadêmica e ameaça a permanência de quem já está matriculado.

Para Paulo Chanan, diretor geral da Abmes, a situação exige atenção urgente de gestores públicos, educadores e famílias. “O impacto das bets vai além da captação de novos alunos; afeta a permanência dos que já estão matriculados”, alerta.

Quanto se aposta e com que frequência?

O relatório também se debruçou sobre o perfil de consumo desses jovens. Em média, a maioria aposta de uma a três vezes por semana. No Sudeste, 41% afirmaram manter essa frequência; no Nordeste, o índice é de 40% e no Centro-Oeste, 32%. O valor gasto não é insignificante: 30,8% dos entrevistados gastaram mais de R$ 350 mensais em 2024. Neste ano, o índice subiu para impressionantes 45,3%, reforçando a escalada do problema.

Bets: o novo destino da internet brasileira

Reportagem recente apontou que as plataformas de apostas se tornaram o segundo maior destino da internet no país, ficando atrás apenas do Google e ultrapassando gigantes como YouTube e Whatsapp. Essa popularidade se traduz em bilhões movimentados mensalmente — dinheiro que poderia ser direcionado a educação, saúde e lazer de forma mais equilibrada.

O impacto no estilo de vida

Não é apenas a faculdade que perde para as apostas. A pesquisa mostra que 24% dos jovens deixaram de investir em atividades físicas, como academias ou esportes, para manter as apostas online. Já 28% admitiram abrir mão de saídas com amigos, bares ou restaurantes para ficar navegando em sites de bets.

Esse padrão revela como o comportamento compulsivo impacta também a saúde mental, o convívio social e a qualidade de vida desses jovens. O tempo antes dedicado a interações presenciais e atividades saudáveis agora é tomado pelas telas, alimentando o ciclo de dependência.

A CPI das Bets e a tentativa de regulamentar o setor

Em Brasília, a preocupação se materializou na CPI das Bets, que teve o objetivo de apurar irregularidades, impactos econômicos e sociais do fenômeno. Influenciadores digitais como Virgínia Fonseca foram ouvidos, e pedidos de indiciamento foram feitos — mas o relatório final acabou rejeitado. Ainda assim, a mobilização acendeu um alerta sobre a necessidade de mais transparência e controle.

Paralelamente, o Senado discute a liberação de cassinos, jogo do bicho e bingos. O texto não aborda as apostas online, que permanecem operando em um limbo jurídico. Para a senadora Soraya Thronicke, relatora da CPI, as plataformas online são ainda mais perigosas. “O cassino físico é menos prejudicial do que o online, que fica disponível 24 horas por dia”, criticou.

Universidades tentam reagir

Diante desse cenário, instituições de ensino superior tentam se mobilizar. A Abmes defende mais debates públicos, criação de políticas de conscientização e parcerias com escolas de ensino médio para alertar jovens sobre os riscos do vício em jogos. “Precisamos combater com responsabilidade e dados, para não perdermos ainda mais talentos para as bets”, diz Chanan.

O risco de perder quase um milhão de alunos

De acordo com projeções baseadas no estudo, mais de 986 mil alunos em potencial podem ficar fora das universidades por conta do dinheiro destinado a apostas. O montante é tão alto que compromete seriamente as metas de aumento da taxa de escolaridade no ensino superior — uma das bandeiras do desenvolvimento social e econômico do país.

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Famílias buscam alternativas

Enquanto a regulamentação não avança, muitas famílias tentam contornar o problema por conta própria. Alguns pais têm buscado psicólogos e terapeutas para lidar com casos de dependência em jogos de azar. Outros monitoram gastos dos filhos, embora o controle seja limitado quando as plataformas aceitam depósitos instantâneos via Pix e carteiras digitais.

Educação financeira como ferramenta de prevenção

Especialistas defendem que o letramento financeiro pode ser uma arma poderosa contra o avanço desse fenômeno. Ao entenderem os riscos de perder dinheiro em jogos de azar, jovens tendem a fazer escolhas mais conscientes. Para isso, escolas, universidades e famílias devem trabalhar juntas, oferecendo informações e criando espaços de diálogo.

O papel do governo

Além de regulamentar, o governo tem o desafio de fiscalizar as casas de apostas, impor limites de gastos e exigir mecanismos de responsabilidade social das plataformas. Campanhas públicas de conscientização, similares às feitas para o tabagismo e o alcoolismo, também são vistas como medidas necessárias.

Tecnologia que alimenta a compulsão

Outro fator que alimenta o vício é a tecnologia de notificações instantâneas, algoritmos que “premiam” o jogador e a promessa de ganhos rápidos. Tudo isso faz parte de uma estratégia de engajamento que prende a atenção do usuário por horas, tornando difícil a quebra do ciclo.

Caminhos possíveis: regulamentação e responsabilidade

Para muitos especialistas, proibir as apostas online já não é uma opção viável. O caminho é criar regras claras, proteger o consumidor, exigir transparência das operadoras e reforçar a educação preventiva. Países como o Reino Unido e Portugal são exemplos de que uma regulamentação bem feita pode mitigar os danos.

Bolsa Família
Imagem: Joédson Alves/ Agência Brasil

A ascensão das apostas esportivas no Brasil evidencia um fenômeno que vai além do entretenimento e se torna um obstáculo real para a educação. Enquanto não houver políticas públicas eficazes, conscientização em larga escala e controle sobre as plataformas, o risco é comprometer o futuro de uma geração que deveria estar investindo em diplomas, e não em palpites de resultados.

Famílias, educadores e autoridades precisam agir juntos. Ignorar o impacto das bets na formação acadêmica é fechar os olhos para uma realidade que já afeta milhares de jovens em todo o país. A aposta mais segura, neste caso, é acreditar no poder da educação.

Erivelto Lopes

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Erivelto Lopes

Erivelto Lopes é redator no portal Seu Crédito Digital, com forte compromisso com a verdade, responsabilidade e qualidade da informação. Atua diariamente na produção de conteúdos claros e confiáveis sobre benefícios sociais, economia e atualidades que impactam a vida do cidadão. É apaixonado por informar com agilidade, sempre buscando traduzir temas complexos de forma acessível.

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