As queimadas, uma preocupação ambiental crescente, não afetam apenas o meio ambiente. Elas também têm um impacto significativo na saúde humana, principalmente devido à liberação de material particulado e gases tóxicos na atmosfera.
As máscaras protegem contra as fumaças das queimadas? Saiba quais os grupos mais vulneráveis
Descubra como as máscaras podem ajudar a proteger contra a fumaça das queimadas. Saiba quando usá-las e quais grupos são mais vulneráveis
Com o aumento da frequência e intensidade desses incêndios, especialmente em períodos de seca, muitas pessoas estão se perguntando se as máscaras, popularizadas durante a pandemia de COVID-19, podem ser uma defesa eficaz contra a fumaça das queimadas.
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O Impacto das Queimadas na Saúde
Os incêndios florestais liberam uma série de compostos nocivos no ar, incluindo gases tóxicos e material particulado. Estes compostos podem causar uma série de problemas respiratórios e cardiovasculares. De acordo com especialistas, a fumaça das queimadas contém:
- Gases Tóxicos: Entre os principais estão o dióxido de carbono (CO2), monóxido de carbono (CO) e metano (CH4). Esses gases podem ser prejudiciais à saúde em concentrações elevadas e podem causar efeitos adversos no sistema respiratório e cardiovascular;
- Material Particulado: Esta é uma mistura de pequenas partículas sólidas e líquidas suspensas no ar. As partículas menores, como PM2.5 e PM10, podem penetrar profundamente nos pulmões e até na corrente sanguínea, causando inflamação e outros problemas de saúde.

A Recomendação do Ministério da Saúde
Diante dos riscos associados à fumaça das queimadas, o Ministério da Saúde orienta o uso de máscaras para ajudar a proteger a saúde. Agnes Soares, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, destaca que “quanto mais perto do foco de calor, maior o número de partículas que pode ser inalado. Para reduzir os efeitos intensos nas vias respiratórias, recomenda-se o uso de máscaras e bandanas.”
Tipos de Máscaras e sua Eficácia
Diferentes tipos de máscaras oferecem diferentes níveis de proteção contra a fumaça das queimadas. Vamos explorar quais são as mais eficazes e em que situações devem ser usadas.
Máscaras PFF2 e N95
As máscaras PFF2 (ou N95, em outros países) são recomendadas para proteção em ambientes com alta concentração de material particulado. Elas são projetadas para filtrar pelo menos 94% das partículas com tamanho até 0,3 micrômetros, o que as torna eficazes contra as micropartículas presentes na fumaça das queimadas.
Máscaras Cirúrgicas e de Tecido
Embora as máscaras cirúrgicas e de tecido ofereçam algum nível de proteção, elas são menos eficazes do que as máscaras PFF2. Elas são capazes de filtrar partículas maiores, mas podem não ser suficientes para bloquear as menores, que são mais prejudiciais à saúde.
Máscaras e Gases Tóxicos
É importante notar que as máscaras comuns, incluindo as PFF2, não protegem contra gases tóxicos presentes na fumaça das queimadas. Para proteção contra esses gases, seriam necessárias máscaras equipadas com filtros específicos, que geralmente não estão disponíveis para o público em geral.
Grupos Mais Vulneráveis
Alguns grupos são mais suscetíveis aos efeitos adversos da fumaça das queimadas, incluindo:
- Pessoas com Doenças Respiratórias Crônicas: Aqueles com condições como asma, bronquite crônica e enfisema são mais vulneráveis às partículas e gases presentes na fumaça. A exposição pode exacerbar os sintomas e levar a crises respiratórias.;
- Idosos e Crianças: Esses grupos também são mais suscetíveis devido à sua menor capacidade respiratória e ao sistema imunológico ainda em desenvolvimento (no caso das crianças) ou enfraquecido (no caso dos idosos);
- Pessoas com Doenças Cardiovasculares: A exposição prolongada a material particulado pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares, como infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
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A exposição prolongada à fumaça das queimadas pode ter efeitos adversos significativos para a saúde. Os especialistas alertam para os seguintes riscos:
- Danos Respiratórios: A inalação constante de material particulado pode causar inflamação crônica, danos às células respiratórias e aumentar o risco de condições como bronquite crônica e fibrose pulmonar;
- Problemas Cardiovasculares: As micropartículas que entram na corrente sanguínea podem elevar o risco de doenças cardiovasculares;
- Alterações na Saúde Geral: Além dos problemas respiratórios e cardiovasculares, a exposição a longo prazo à fumaça das queimadas pode ter efeitos negativos na saúde geral, incluindo o agravamento de condições pré-existentes e o aumento do risco de novas doenças.
Medidas Adicionais de Proteção
Além do uso de máscaras, existem outras medidas que podem ajudar a proteger a saúde durante períodos de fumaça intensa:
- Evitar Exposição: Sempre que possível, permaneça em ambientes fechados e com boa ventilação. Fechar portas e janelas pode ajudar a reduzir a entrada de fumaça;
- Uso de Purificadores de Ar: Em ambientes fechados, o uso de purificadores de ar com filtros HEPA pode ajudar a remover as partículas do ar;
- Hidratação e Cuidados Gerais: Manter-se bem hidratado e cuidar da saúde geral pode ajudar o corpo a lidar melhor com a poluição do ar.

Considerações Finais
As máscaras podem ser uma ferramenta útil para reduzir a exposição ao material particulado das queimadas, especialmente para aqueles em grupos de risco e em áreas fortemente afetadas. No entanto, elas não substituem outras medidas de proteção e não são eficazes contra gases tóxicos.
É fundamental que todos, especialmente os mais vulneráveis, tomem precauções para minimizar a exposição à fumaça e proteger a saúde a longo prazo.
Com o aumento da frequência e intensidade das queimadas, é crucial estar informado e preparado para lidar com os riscos associados a esse tipo de poluição. A conscientização e a adoção de medidas de proteção adequadas podem fazer uma grande diferença na preservação da saúde individual e coletiva.
Imagem: Raquel Portugal / FioCruz
