Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Ataque hacker em SP: 29 empresas receberam PIX milionários e são alvo de investigação

Polícia investiga 29 empresas que receberam PIX milionários no ataque hacker que desviou R$ 541 milhões de banco em São Paulo.

Bianca BorgesPor Bianca Borges5 min de leitura
hacker observando com binóculo

Na madrugada do dia 30 de junho, São Paulo foi palco de um dos maiores ataques cibernéticos da história do Brasil.

Um grupo de hackers invadiu o sistema da C&M Software (CMSW), empresa terceirizada responsável pela conexão de várias instituições financeiras ao Banco Central e ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), e desviou cerca de R$ 541 milhões do banco BMP Sociedade de Crédito LTDA.

A Polícia Civil de São Paulo está atualmente investigando 29 empresas que receberam os valores milionários através de 166 transações feitas via PIX entre 2h03 e 7h04 da mesma madrugada.

A operação tem como objetivo identificar os envolvidos, rastrear os recursos desviados e elucidar toda a cadeia criminosa por trás do esquema.

Leia mais:

Bancos se reinventam: combos mensais tentam conquistar clientes e substituir tarifas

Quer saber por que o Brasil tem os juros mais altos do planeta? A gente explica

O que aconteceu no ataque hacker?

Banco Neon ataque hacker ataque cibernético
Imagem: ViChizh/ shutterstock.com

A invasão à C&M Software

O ataque, classificado como “supply chain attack” (ataque à cadeia de suprimentos), aconteceu após a obtenção ilegal das credenciais de acesso do operador de TI João Nazareno Roque, funcionário da CMSW.

Por R$ 15 mil, Roque entregou sua senha para os hackers em uma negociação realizada na saída de um bar em São Paulo.

Com o acesso privilegiado, os criminosos conseguiram manipular as contas reservas mantidas pelo banco BMP no Banco Central, que funcionam como contas correntes para movimentações financeiras, e realizaram transações fraudulentas via PIX.

O desvio de R$ 541 milhões

Durante o ataque, foram feitas 166 transferências, cujos valores variaram entre R$ 200 mil e R$ 271 milhões, enviadas para diferentes contas de pessoas físicas e jurídicas.

Para dificultar o rastreamento, os valores foram fragmentados posteriormente entre várias contas, caracterizando o crime de lavagem de dinheiro na modalidade dissimulação.

Quem são os principais suspeitos?

João Nazareno Roque, o operador de TI

Roque confessou ter repassado a senha do sistema para o grupo criminoso após ter sido abordado por um representante da gangue. Segundo a polícia, ele trocava de celular a cada 15 dias para dificultar a localização e só se comunicava com os hackers por telefone, não tendo contato pessoal com eles.

Preso no bairro City Jaraguá, Zona Norte de São Paulo, ele ainda não constituiu advogado. A investigação segue buscando identificar outros envolvidos na quadrilha.

As 29 empresas que receberam os valores

Os nomes dessas empresas foram revelados no pedido de investigação feito pelo banco BMP à Polícia Civil.

Elas receberam grandes somas via PIX na madrugada do ataque, e a polícia trabalha para descobrir se participaram conscientemente da fraude ou se foram utilizadas como “laranjas” no esquema de lavagem de dinheiro.

O papel da C&M Software no incidente

Quem é a C&M Software?

A CMSW é uma empresa brasileira de tecnologia da informação que atua desde 2001, homologada pelo Banco Central para conectar instituições financeiras ao sistema do BC e ao Sistema de Pagamentos Brasileiro.

Sua função é viabilizar operações como o PIX para bancos menores e outras instituições financeiras.

A resposta da empresa

A C&M Software afirma colaborar integralmente com as autoridades e adotou medidas técnicas e legais para conter o ataque. Segundo a empresa, o incidente foi causado por engenharia social que levou ao vazamento das credenciais do operador de TI, e não por falhas técnicas em seus sistemas.

Atualmente, a CMSW garante que suas operações continuam normais e que não divulgará informações públicas até que as investigações sejam concluídas.

Impactos no sistema financeiro e próximas etapas da investigação

Prejuízos e alcance do ataque

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Especialistas estimam que o prejuízo total pode superar os R$ 800 milhões, já que a CMSW presta serviço a mais de 23 instituições financeiras. Além do banco BMP, bancos como Credsystem e Banco Paulista também foram afetados.

Apesar da gravidade, não há indicações de que contas ou dados pessoais de clientes tenham sido comprometidos. O impacto maior foi financeiro, afetando diretamente a infraestrutura do sistema PIX.

Medidas adotadas pelo Banco Central

O BC determinou inicialmente o desligamento total do acesso das instituições afetadas ao sistema da CMSW, depois reduzido para suspensão parcial, para garantir a segurança e continuidade das operações financeiras.

A força-tarefa e bloqueios

A Polícia Civil, junto à Polícia Federal e ao Ministério Público, criou uma força-tarefa para aprofundar as investigações, rastrear os valores desviados e bloquear ativos suspeitos, buscando desmantelar toda a estrutura do grupo criminoso.

O que diz a legislação sobre ataques cibernéticos e fraudes financeiras?

Pessoa encapuzada com celular na mão. Montagem com códigos de programação ao redor da pessoa, remetendo a um hacker ataques cibernéticos
Imagem: xijian/Getty Images

Crimes relacionados e penas

O uso indevido de sistemas financeiros para fraudes e lavagem de dinheiro está previsto no Código Penal Brasileiro e em leis específicas sobre crimes digitais, com penas que podem incluir prisão, multas e outras sanções.

Importância do combate às fraudes no sistema PIX

Com a crescente adoção do PIX, mecanismos de segurança e fiscalização são essenciais para evitar abusos e garantir a confiança do público no sistema de pagamentos instantâneos.

Considerações finais

O ataque hacker ocorrido em São Paulo expõe a vulnerabilidade das cadeias tecnológicas que sustentam o sistema financeiro digital brasileiro, especialmente quando técnicas de engenharia social e corrupção interna são exploradas por criminosos.

A investigação das 29 empresas que receberam os valores ilícitos é crucial para desarticular a rede de lavagem de dinheiro e garantir a responsabilização dos envolvidos.

Enquanto isso, as autoridades reforçam a importância de protocolos rígidos de segurança para evitar que incidentes semelhantes voltem a ocorrer.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

Topicos relacionados