Mais de 119,6 milhões de brasileiros acessaram bancos ou instituições financeiras pela internet em 2024, de acordo com os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), do IBGE.
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Isso representa um salto de 22,5 milhões de usuários em apenas dois anos. O número expressivo revela a consolidação de um movimento que parecia inevitável: o fim da dependência de agências físicas e a adesão massiva aos bancos digitais.
Com 71,2% dos brasileiros conectados à internet utilizando serviços bancários online, o cenário sinaliza não apenas o avanço da tecnologia, mas uma mudança profunda no comportamento financeiro da população. Em 2022, essa proporção era de 60,1%, e subiu para 66,7% em 2023, indicando uma curva de crescimento contínua.
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Papel do Pix na revolução bancária
O Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central em 2020, tem papel de destaque nesse novo panorama. Segundo dados oficiais, 159,9 milhões de pessoas físicas já estavam cadastradas no sistema até junho de 2024. A praticidade do Pix tornou os aplicativos bancários parte indispensável do cotidiano da população.
“O Pix acaba favorecendo muito o uso de aplicativos bancários no celular, o que naturalmente impulsiona o acesso à internet para esse fim”, explica Leonardo Quesada, analista do IBGE.
A funcionalidade de pagamentos instantâneos rompeu barreiras geracionais e regionais, incentivando até mesmo os menos familiarizados com tecnologia a acessarem o sistema bancário digital.
Bancarização em expansão
Outro fator relevante é o aumento na bancarização da população brasileira. O número de contas bancárias abertas passou de 188,3 milhões em 2022 para 199,8 milhões em 2024, segundo o Banco Central — uma alta de 6%. No total, 202,5 milhões de pessoas físicas já possuíam ao menos uma conta bancária no país até junho de 2024.
Esse crescimento aponta para uma inclusão financeira mais ampla, possibilitada, em grande parte, pela redução de burocracias nos bancos digitais e acesso facilitado via dispositivos móveis.
Uso da internet para serviços além do banco
Serviços públicos e compras online também crescem
O avanço não se limitou ao setor bancário. A utilização da internet para acessar serviços públicos também deu um salto significativo: de 54 milhões de usuários em 2022 para 65,2 milhões em 2024. Isso equivale a 38,8% dos usuários de internet no país.
Outro indicador relevante é o aumento nas compras online. Em 2022, 42% das pessoas conectadas à internet realizaram compras virtuais. Em 2024, esse número subiu para 48,1%.
Mudança nos hábitos de comunicação
Segundo o IBGE, houve uma mudança marcante nas principais atividades realizadas na internet. Em 2019, o envio de mensagens por aplicativos como o WhatsApp liderava o ranking. Em 2024, a principal atividade é realizar chamadas de voz e vídeo, usada por 95% dos internautas.
Essa transformação reforça a capilaridade da internet como ferramenta de relacionamento, negócios e serviços, influenciando diretamente o comportamento dos usuários no uso de bancos digitais e outros recursos online.
Avanço dos bancos digitais e o declínio das agências
Migração definitiva para o ambiente digital
O fenômeno observado pelo IBGE escancara uma realidade: as agências físicas estão perdendo protagonismo. Com a adoção em massa dos bancos digitais, milhões de brasileiros agora abrem contas, fazem transferências, contratam empréstimos e até investem, tudo pelo celular.
Essa tendência é reforçada pelo surgimento de fintechs e bancos 100% digitais, como Nubank, C6 Bank, Inter e Banco Original, que oferecem serviços sem tarifas, atendimento digital eficiente e experiência centrada no usuário.
Economia de tempo e dinheiro como motor de mudança
O acesso facilitado, a praticidade e a economia de tempo são razões apontadas por especialistas para o crescimento desse modelo bancário. Segundo Gustavo Fontes, analista do IBGE:
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“O aumento foi muito rápido, 11,1 pontos percentuais em dois anos. As pessoas estão percebendo o valor da agilidade proporcionada pelos bancos digitais.”
A eliminação de filas, deslocamentos e horários bancários tradicionais é um diferencial importante para milhões de brasileiros, especialmente aqueles que conciliam múltiplas atividades ou vivem em regiões com acesso limitado a agências físicas.
Desafios e perspectivas

Segurança digital e educação financeira
Apesar do crescimento vertiginoso, o uso de bancos digitais também exige atenção. Com o aumento das transações online, surgem novos desafios relacionados à segurança digital, como fraudes e golpes, especialmente via Pix.
Há ainda o desafio da educação financeira, uma vez que muitos usuários ingressam no sistema bancário digital sem preparo para gerir contas, crédito ou investimentos.
Regulação e novas demandas
A velocidade com que hábitos digitais evoluem também pressiona os órgãos reguladores. A ausência de dados específicos sobre apostas online, por exemplo, foi reconhecida pelo IBGE como uma lacuna a ser revista nas próximas edições da pesquisa.
O estudo da Anbima apontou que 23 milhões de brasileiros realizaram apostas em 2024, um dado não captado diretamente pela Pnad, mas que revela um novo comportamento digital relevante.
Brasil caminha para um futuro financeiro 100% digital?
Diante dos dados, a resposta parece ser “sim”. O país vive um processo irreversível de digitalização bancária, impulsionado por tecnologia acessível, regulação favorável e mudança cultural.
Se a tendência continuar no ritmo atual, o Brasil pode se tornar uma das nações com maior penetração de bancos digitais no mundo, servindo de referência para políticas públicas de inclusão financeira digital.
Imagem: Freepik
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