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Quais são os benefícios previdenciários de quem tem câncer?

Pessoas com câncer têm direito a benefícios previdenciários como auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e isenção de IR. Veja como garantir.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
Quais são os benefícios previdenciários de quem tem câncer?

Com o diagnóstico de um câncer, o impacto na vida do paciente vai além da saúde. A rotina, o trabalho, a renda e até mesmo o acesso a tratamentos mudam drasticamente. Nesse cenário delicado, é fundamental conhecer os direitos garantidos por lei, especialmente os benefícios previdenciários oferecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil pode registrar mais de 704 mil novos casos de câncer até o final de 2025, dentro do triênio 2023-2025. Entre os tipos mais comuns estão o câncer de pele, de mama, de próstata, do colo do útero, do intestino, do pulmão e do estômago.

Neste artigo, você vai descobrir como o INSS pode ser um importante apoio nesse momento difícil. Continue a leitura e veja quais são os benefícios disponíveis, os requisitos necessários e como fazer a solicitação.

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Quais são os benefícios previdenciários para pessoas com câncer?

Fachada da Previdência Social do INSS isenção previdenciários
Imagem: SERGIO V S RANGEL / Shutterstock.com

Entenda o que a legislação prevê

O diagnóstico de câncer — ou, tecnicamente, uma neoplasia maligna — não garante automaticamente a concessão de um benefício previdenciário. No entanto, ao preencher os requisitos legais, a pessoa pode ter direito a auxílios e aposentadorias que visam oferecer suporte financeiro durante o tratamento.

Confira os principais benefícios concedidos pelo INSS para pessoas com câncer:

  • Auxílio-doença (benefício por incapacidade temporária)
  • Aposentadoria por invalidez (aposentadoria por incapacidade permanente)
  • Auxílio-acidente (indenização por redução da capacidade de trabalho)

Além disso, pessoas diagnosticadas com câncer têm isenção de carência mínima — normalmente exigida pelo INSS — para acessar o auxílio-doença e a aposentadoria por invalidez.


Auxílio-doença: quando o trabalho precisa ser interrompido

O que é e quem tem direito?

O auxílio-doença é pago ao segurado que precisa se afastar do trabalho por mais de 15 dias consecutivos — ou intercalados dentro de um período de 60 dias — devido a uma incapacidade temporária para o exercício da função.

No caso do câncer, isso pode acontecer durante:

  • Cirurgias;
  • Quimioterapia;
  • Radioterapia;
  • Imunoterapia;
  • Terapia-alvo;
  • Transplante de medula óssea.

Esses tratamentos frequentemente geram efeitos colaterais severos, como fadiga extrema, náuseas, dor crônica e baixa imunidade — o que torna inviável manter uma rotina laboral.

Requisitos para obter o auxílio-doença

  • Comprovar incapacidade temporária por meio de laudos e exames médicos;
  • Ter qualidade de segurado ou estar no chamado período de graça (tempo em que o segurado mantém direitos mesmo sem contribuir);
  • Passar por perícia médica do INSS, que pode ser documental ou presencial (Atestmed).

Aposentadoria por invalidez: quando o retorno ao trabalho não é possível

Para quem é indicada?

A aposentadoria por invalidez — ou aposentadoria por incapacidade permanente — é destinada às pessoas que não conseguem mais exercer sua profissão nem serem reabilitadas para outra função.

Requisitos:

  • Comprovar incapacidade total e permanente;
  • Ter qualidade de segurado ou estar no período de graça;
  • Apresentar documentação médica detalhada e atualizada;
  • Submeter-se à perícia médica do INSS.

Mesmo que o segurado não tenha recebido o auxílio-doença anteriormente, ele pode solicitar diretamente a aposentadoria por invalidez caso a gravidade do câncer impeça qualquer tipo de trabalho.


Auxílio-acidente: quando há redução da capacidade laboral

Logo da Previdência Social no lado direito, pensionistas
Imagem: Vietnam Stock Images / shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

O que é e quando se aplica?

O auxílio-acidente é um benefício de caráter indenizatório pago ao trabalhador que, após sofrer um acidente ou desenvolver uma doença, fica com sequelas que reduzem a capacidade de trabalho — mesmo que continue empregado.

No caso do câncer, esse benefício pode ser solicitado quando o tratamento resulta em efeitos permanentes, como:

  • Amputações;
  • Comprometimento de órgãos;
  • Limitações funcionais.

O pagamento do auxílio-acidente é feito até que o segurado se aposente e não impede que ele continue trabalhando.


E se eu nunca contribuí para o INSS, tenho direito a algum benefício?

Sim. Mesmo pessoas que nunca contribuíram para a Previdência Social podem ter acesso a um benefício, por meio do Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS).

Requisitos do BPC:

  • Ser diagnosticado com câncer em estágio que comprometa a autonomia;
  • Comprovar renda familiar per capita inferior a 1/4 do salário mínimo;
  • Passar por avaliação médica e social do INSS.

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O BPC garante um salário mínimo mensal, sem 13º salário ou pensão por morte, já que não é uma aposentadoria, mas um benefício assistencial.


Outros direitos garantidos a pessoas com câncer

Isenção do Imposto de Renda

Pessoas com câncer que recebem aposentadoria, pensão ou reforma têm direito à isenção do Imposto de Renda sobre esses rendimentos, mesmo que o câncer esteja controlado.

É necessário apresentar laudo médico oficial e solicitar a isenção junto ao órgão pagador (geralmente o INSS).


Saque do FGTS e PIS/Pasep

Quem é diagnosticado com câncer — ou tem dependente nessa condição — pode realizar o saque do saldo do FGTS e do abono PIS/Pasep, sem necessidade de demissão ou aposentadoria.

Basta apresentar os documentos médicos e solicitar diretamente junto à Caixa Econômica Federal (FGTS) ou ao Banco do Brasil (PIS/Pasep).


Como solicitar benefícios previdenciários para quem tem câncer?

meu inss
Imagem: JERO SenneGs/Shutterstock

Passo a passo para acessar o apoio do INSS

  1. Agendamento ou solicitação pelo Meu INSS (site ou aplicativo);
  2. Reunir documentação médica completa, com CID, data, CRM e descrição do tratamento;
  3. Comprovar qualidade de segurado, se for o caso;
  4. Participar da perícia médica, que pode ser feita via sistema Atestmed ou presencialmente;
  5. Consultar a decisão do INSS, que pode ser acompanhada pelo aplicativo ou site oficial.

Em casos de indeferimento, o segurado pode recorrer da decisão administrativa ou entrar com ação judicial.


Conclusão

O diagnóstico de câncer, além do impacto físico e emocional, pode gerar insegurança quanto ao futuro financeiro. No entanto, a legislação brasileira garante direitos fundamentais aos pacientes oncológicos, e o INSS é uma das principais fontes de suporte nesse cenário.

Seja por meio do auxílio-doença, da aposentadoria por invalidez, do auxílio-acidente ou do BPC, é possível manter um mínimo de dignidade e estabilidade durante o tratamento.

É importante contar com o apoio de um advogado especialista em direito previdenciário, para garantir que nenhum direito seja negado ou omitido por desconhecimento.

Lembre-se: cuidar da saúde não é um luxo, é um direito. E se você ou alguém próximo está passando por essa batalha, buscar o amparo da Previdência pode fazer toda a diferença.

Imagem: Alejandro_Munoz / shutterstock.com

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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