O governo federal anunciou que, até o fim de 2025, os beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) terão restrições no uso de seus recursos em apostas online, conhecidas popularmente como “bets”. A medida atende a uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que orientou que programas assistenciais não sejam utilizados para fins de jogos de azar.
Nova proibição no Bolsa Família e BPC; entenda a decisão do governo
Governo federal proíbe depósitos de Bolsa Família e BPC em apostas online. Medida atende decisão do STF e atinge milhões de beneficiários no Brasil.
Segundo Regis Dudena, secretário de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, duas travas principais serão implementadas: beneficiários não poderão abrir novas contas em casas de apostas, e aqueles que já possuem contas não conseguirão fazer novos depósitos.
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Estratégia do governo para impedir apostas online

De acordo com Dudena, a implementação da restrição envolverá uma consulta obrigatória das casas de apostas a um sistema informatizado do Serviço de Processamento de Dados (Serpro). A cada novo cadastro ou depósito em casas autorizadas, os dados dos beneficiários serão verificados, garantindo que nenhum recurso de programas sociais seja direcionado para apostas.
“É um cadastro centralizado, com os dados dos beneficiários desses dois grandes programas sociais, que será consultado pelas casas de apostas por API [protocolos]. Eles não receberão todos os dados, mas terão que consultar em pontos determinados para garantir que não possam depositar dinheiro”, explicou Dudena.
O sistema está previsto para entrar em operação ainda em setembro, com um período de adaptação, sendo plenamente funcional até o final do ano. Atualmente, cerca de 80 casas de apostas esportivas têm autorização legal para operar no país.
Perfil dos beneficiários: Bolsa Família e BPC
BPC: Benefício de Prestação Continuada
O BPC é destinado a pessoas idosas ou com deficiência, que possuem renda familiar de até ¼ do salário mínimo por pessoa. Para ter direito, o beneficiário deve:
- Ter 65 anos ou mais, ou possuir alguma deficiência;
- Ser brasileiro nato ou naturalizado, ou português com residência no Brasil;
- Ter renda familiar conforme os critérios do Cadastro Único (CadÚnico) e sistemas do INSS.
O valor pago é equivalente a um salário mínimo, com ajustes anuais.
Bolsa Família
O Bolsa Família é destinado a famílias de baixa renda, com renda per capita de até R$ 218 mensais. O valor mínimo por família é de R$ 600, podendo ser acrescido de benefícios adicionais:
- R$ 150 por criança de até 6 anos;
- R$ 50 por gestante;
- R$ 50 por jovem entre 7 e 18 anos;
- R$ 50 por bebê até 6 meses.
Em agosto de 2025, o programa beneficiou cerca de 19,2 milhões de famílias, ou mais de 50 milhões de pessoas. Já o BPC atingiu 3,75 milhões de beneficiários.
Valor e impacto das apostas online no Brasil

Segundo o Banco Central (BC), os brasileiros movimentam aproximadamente R$ 20 bilhões por mês em apostas online. No entanto, Dudena esclareceu que o cálculo do BC considera o fluxo total de entradas e saídas, sem diferenciar o valor efetivamente gasto pelos apostadores.
O retorno médio das apostas (RTP, ou “return to player”) é de 93%, ou seja, de R$ 100 apostados, em média, R$ 93 retornam aos apostadores. Dessa forma, o gasto líquido efetivo é bem menor, estimado em R$ 2,9 bilhões por mês, alinhando-se ao valor reportado de R$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2025.
“O dinheiro que você ganha de prêmio é o dinheiro do apostador de qualquer forma. Então, se você pega o que é apostado menos o prêmio, é o que de fato saiu dos bolsos dos apostadores”, explicou Dudena.
O Ministério da Fazenda estima que 17,7 milhões de brasileiros realizaram apostas no primeiro semestre, com gasto médio de R$ 164 por apostador ativo. Esse número corresponde a cerca de 12% da população acima de 18 anos.
Impactos sociais e psicológicos das apostas online
Especialistas alertam que o crescimento das apostas online representa riscos psicológicos significativos, incluindo vício e problemas financeiros. A restrição do governo busca proteger especialmente beneficiários de programas sociais, que podem ser mais vulneráveis a impactos negativos.
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A medida do governo federal não apenas atende a decisão do STF, mas também reforça políticas de proteção social, evitando que recursos destinados a famílias de baixa renda sejam desviados para jogos de azar.
Procedimentos para impedir depósitos em contas de apostas
O processo envolve integração tecnológica entre Serpro e casas de apostas. Cada vez que um novo apostador tentar se cadastrar ou efetuar um depósito, haverá uma verificação automática para assegurar que o CPF não está vinculado a programas sociais.
O sistema funcionará por meio de API, garantindo segurança e privacidade dos dados dos beneficiários. Dudena ressaltou que os dados não serão compartilhados de forma completa com as casas de apostas, mas apenas verificados nos pontos necessários para impedir depósitos indevidos.
Expectativas do governo e cronograma de implementação

O secretário de Prêmios e Apostas informou que a meta é que o sistema esteja operacional em setembro, com período de adaptação de aproximadamente um mês. Até o final de 2025, a plataforma deverá estar funcionando plenamente.
A expectativa do governo é reduzir significativamente o uso de recursos assistenciais em apostas online, garantindo que os benefícios sociais cumpram seu propósito principal: apoiar famílias em situação de vulnerabilidade econômica.
Conclusão
A proibição de depósitos de Bolsa Família e BPC em apostas online representa uma medida estratégica do governo federal, alinhada à determinação do STF, que visa proteger beneficiários de programas sociais e evitar impactos financeiros e psicológicos negativos.
A implementação tecnológica via Serpro permitirá que todas as casas de apostas legalmente autorizadas realizem consultas antes de permitir novos cadastros ou depósitos. Essa ação deve estar plenamente operante até o fim deste ano, oferecendo maior segurança aos programas assistenciais.
O governo federal reforça que o foco é proteger milhões de brasileiros que dependem de benefícios sociais, mantendo os recursos destinados exclusivamente para garantir alimentação, educação, saúde e qualidade de vida para famílias em situação de vulnerabilidade.
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