Em entrevista, o presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que não haveria provas para as acusações de assédio sexual e moral feitas contra Pedro Guimarães, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, que deixou o cargo após mobilização de funcionárias da instituição financeira.
Bolsonaro diminui acusações de assédio contra o ex-presidente da Caixa
Bolsonaro (PL) afirmou que não haveria provas para as acusações de assédio sexual e moral feitas contra o ex-presidente da Caixa
“Agora, não vi nenhum depoimento mais contundente de qualquer mulher. Vi depoimentos de mulheres que sugeriam que isso poderia ter acontecido. Está sendo investigado também”, afirmou Bolsonaro.
Além disso, Bolsonaro disse que não teve contato com acusações concretas contra Guimarães, somente depoimentos de “pessoas que se sentiram assediadas”.
“Como eu disse para você, eu não vi nada contundente. Eu vi depoimentos de pessoas que se sentiram assediadas. Está nas mãos da Justiça, do Ministério Público para apurar as denúncias”, completou.
Denúncias
De acordo com dados do Ministério Público do Trabalho (MPT), três funcionárias acusaram Pedro Guimarães de assédio sexual. Ademais, foram levantadas nove queixas por assédio moral.
Dessa forma, a corregedoria da Caixa confirmou as informações do MPT. Assim, as conclusões da investigação foram encaminhadas para o Conselho Diretor da Caixa e para as autoridades responsáveis pelo caso.
Carta de defesa
Em contrapartida, as funcionárias que denunciaram o ex-presidente da Caixa divulgaram, através de suas advogadas, uma nota sobre a fala do presidente da República.
De acordo com as vítimas, é estarrecedor Bolsonaro dizer que as acusações “não sejam contundentes atos relatados e atribuídos ao presidente de uma instituição do porte da Caixa, que deveria ter instrumentos de controle e governança eficientes, consistentes em violações profundas aos corpos, às imagens e à intimidade de servidoras do órgão”.
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Dessa forma, as funcionárias criticam o presidente, afirmando que as mulheres estão passando por um processo de “revitimização”, e que ainda que já tenham dado depoimento perante a diversos setores da empresa, “as vítimas tenham sua palavra posta em dúvida”.
Além disso, destacam que é “motivo de tristeza que condutas como apalpar seios e nádegas, beijar e cheirar pescoços e cabelos, convocar funcionárias até seus aposentos em hotéis sob pretextos profissionais diversos e recebê-las em trajes íntimos, além de constantes convites para ‘massagens’, ‘banhos de piscina’ ou idas a ‘saunas’ sejam naturalizados e tidos, repetimos, como ‘não contundentes’ pelo Chefe do Poder Executivo”
“Assim como em suas duras e desprezíveis palavras, fomos desacreditadas e relegadas à nossa própria sorte pela instituição que deveria garantir nossa integridade. Mas não nos calamos e não iremos nos calar”, concluem.
Imagem: Salty View / shutterstock.com
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