Em sabatina na Record TV no último domingo (24), o presidente Jair Bolsonaro falou sobre a relação com lideranças de estados e municípios, assim como a distribuição de recursos durante a pandemia. Confira.
Bolsonaro fez repasses igualitários aos Estados na pandemia?
Em 15 estados, os governadores receberam menos recursos do que os prefeitos locais para o combate ao coronavírus
“Você pode ver como foi o meu comportamento diante de governadores e prefeitos, em especial durante a pandemia? Enviamos recursos para todos eles, independente da filiação político-partidária de qualquer um deles. (…) Tratamos todo mundo com igualdade”.
Repasse de recursos
De acordo com dados do Siga Brasil, a União preferiu repassar o dinheiro para o combate ao coronavírus diretamente aos prefeitos e não aos governadores. Dessa forma, considerando o valor total das transferências desde 2020, os municípios ficaram com cerca de 51,7% da verba. Já os estados, com 48,2%.
Assim, em 15 unidades da Federação, os governadores receberam menos recursos do que os prefeitos locais, sendo eles sete dos nove estados do Nordeste (exceto Sergipe e Pernambuco). Além de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
Oposição
Desses estados que receberam menos que prefeitos locais, em onze os governadores eram de partidos de oposição ou criticam a postura do presidente Jair Bolsonaro (PL) no combate ao coronavírus.
Como por exemplo, João Doria (SP), que ficou com 47,2% dos recursos transferidos pela União, enquanto os maiores repasses foram feitos diretamente para os municípios paulistas. Rui Costa (BA) recebeu 46,8%, seguido de Flávio Dino (MA), com 46,5%, e Eduardo Leite (RS), com 44,8%.
Aliados
Outros onze estados, onde os governadores eram mais próximos a Bolsonaro, receberam quantias maiores do que os prefeitos. Como por exemplo, Antonio Denarium, que ficou com 75,1% do dinheiro transferido para Roraima. Outros aliados do presidente também receberam mais que os prefeitos, sendo eles: Belivaldo Chagas (SE), Wilson Lima (AM) e Mauro Mendes (MT) que receberam, respectivamente, 59,9%, 56,9% e 52,1% dos recursos.
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Inversão
Contudo, segundo os dados, em alguns casos pontuais, críticos de Jair Bolsonaro foram beneficiados com mais recursos do que os prefeitos locais, como é o caso de Waldez Góes (AP), que ficou com 74,7%, e Renato Casagrande (ES), que obteve 56,2% do dinheiro transferido pela União.
Ademais, o inverso também ocorreu, e alguns simpatizantes do presidente receberam menos do que os prefeitos. Como Romeu Zema (MG), que obteve 36,9%, Ratinho Júnior (PR), com 44,1%, e Ronaldo Caiado (GO), com 44,8%.
Imagem: Nelson Antoine / Shutterstock.com
