No dia 1º de janeiro de 2024, o Brasil assumiu a presidência rotativa do BRICS, o bloco econômico composto inicialmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Durante seu mandato, o governo brasileiro estabeleceu cinco prioridades estratégicas que nortearão a atuação do país até dezembro de 2025.
O lema do governo para este período, “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global por uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”, reflete os objetivos e as metas do Brasil enquanto líder do grupo.
Clique no botao abaixo para liberar o conteudo completo gratuitamente.
1. Facilitação do Comércio e Investimentos

A primeira prioridade do Brasil é facilitar o comércio e os investimentos entre os países membros do BRICS. Para isso, o governo trabalhará no desenvolvimento de novos meios de pagamento que permitam maior integração econômica entre os países, além de reduzir a dependência do sistema financeiro tradicional. Essa iniciativa visa otimizar os fluxos comerciais e criar um ambiente mais estável para o crescimento econômico, aproveitando a força do bloco para ampliar o intercâmbio entre as economias.
Leia mais: Banco dos Brics vai repassar R$ 5,7 bilhões ao Rio Grande do Sul; saiba mais
Desafios e Oportunidades
A facilitação do comércio dentro do BRICS busca um modelo mais eficiente e inclusivo, refletindo a necessidade de uma infraestrutura financeira mais robusta. A criação de uma moeda ou mecanismos alternativos de pagamento será discutida, como forma de reduzir custos e aumentar a competitividade do bloco frente a outros grandes centros econômicos. A proposta se alinha com a meta de aumentar a influência do BRICS no cenário global.
2. Inteligência Artificial e Governança Inclusiva
A segunda prioridade do Brasil se foca na promoção de uma governança inclusiva e responsável da Inteligência Artificial (IA). O objetivo é garantir que as tecnologias de IA sejam desenvolvidas e aplicadas de forma ética e sustentável, respeitando os direitos humanos e promovendo o desenvolvimento social e econômico.
O Papel do BRICS na Regulação Global
Os países do BRICS têm se destacado pela busca de uma governança mais equitativa no cenário global. A regulação da IA será uma peça central nesse esforço, com a criação de diretrizes que garantam que a tecnologia seja utilizada para o bem comum, sem prejuízo de qualquer nação ou grupo social. Além disso, essa pauta será central no desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a inovação tecnológica nos países em desenvolvimento.
3. Financiamento para Enfrentamento das Mudanças Climáticas
Outra prioridade importante do Brasil é aprimorar as estruturas de financiamento para enfrentar as mudanças climáticas. O governo brasileiro buscará uma atuação estreita com a COP 30, prevista para acontecer em 2025, com o objetivo de discutir estratégias globais para mitigar os impactos das mudanças climáticas, especialmente no Sul Global.
O Compromisso com a Sustentabilidade
A mudança climática é um dos maiores desafios do século XXI, e os países em desenvolvimento, como os membros do BRICS, enfrentam dificuldades adicionais para financiar projetos sustentáveis. O Brasil propõe uma maior colaboração entre os países do bloco para a criação de fundos de financiamento que possibilitem investimentos em infraestrutura verde, transição energética e adaptação às mudanças climáticas.
4. Cooperação em Saúde Pública
A quarta prioridade do Brasil envolve a promoção de projetos de cooperação entre os países do Sul Global, com foco em saúde pública. Em um mundo pós-pandemia, a necessidade de fortalecer os sistemas de saúde é evidente, especialmente em países que enfrentam desigualdades no acesso a serviços médicos.
Colaboração no Combate a Doenças
O Brasil tem sido um líder no combate a doenças infecciosas, com destaque para a erradicação de doenças tropicais e a implementação de programas de vacinação em larga escala. Como presidente do BRICS, o país buscará expandir a cooperação no desenvolvimento de novas tecnologias e tratamentos para doenças emergentes, além de melhorar a infraestrutura sanitária nos países membros.
5. Fortalecimento Institucional do BRICS
Por fim, o Brasil trabalhará no fortalecimento institucional do BRICS, promovendo reformas e melhorias nas estruturas de governança interna do bloco. Com a expansão do BRICS, que passará a contar com cinco novos membros a partir de 2025, será necessário um novo modelo de organização para garantir que todos os países possam contribuir de forma equitativa e eficaz.
Preparação para a Expansão
O aumento do número de membros, com a adesão de Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã, traz consigo desafios logísticos e políticos. O Brasil, como país líder, trabalhará para criar um modelo de governança mais eficiente e inclusivo, que reflita a diversidade de interesses e prioridades dos novos integrantes, sem perder a essência de sua fundação.
A Expectativa para a Cúpula do BRICS em 2024

Com mais de 100 reuniões previstas entre fevereiro e julho de 2024, o Brasil estará na linha de frente da organização do BRICS, com uma agenda intensa e desafiadora. A cúpula do BRICS de 2024, que ocorrerá em julho no Rio de Janeiro, será um momento crucial para discutir e avançar nas questões centrais do mandato brasileiro.
Os países membros, além dos novos integrantes, estarão focados na cooperação econômica, social e ambiental, com o objetivo de fortalecer o bloco e ampliar sua influência no cenário internacional. A presidência brasileira trará um protagonismo renovado para o país, que busca consolidar sua liderança no BRICS e nas questões globais.
Considerações finais
Com um conjunto de prioridades focadas em questões essenciais para o futuro do BRICS e do Sul Global, a presidência do Brasil promete ser um marco para o bloco. A facilitação do comércio, o desenvolvimento sustentável, a inovação tecnológica, a saúde pública e a reforma institucional são pilares para uma governança mais inclusiva e capaz de enfrentar os desafios globais. A liderança brasileira, ao promover esses temas, reflete a ambição do país em moldar um futuro mais justo e sustentável para todos os povos.
