O Brasil voltou a registrar uma deflação mensal, com queda de 0,11% no IPCA em agosto, segundo dados divulgados pelo IBGE.
Brasil registra deflação histórica em 3 anos com queda de preços essenciais
O IPCA registrou deflação de 0,11% em agosto, influenciado pela queda nos preços dos alimentos e da energia elétrica. Entenda!
Esse é o primeiro resultado negativo desde agosto de 2024 (-0,02%) e a maior deflação em três anos, desde setembro de 2022, quando o índice havia recuado 0,29%. O resultado veio próximo das expectativas do mercado, que projetava uma deflação em torno de 0,15%.
A queda foi puxada principalmente pelos alimentos, com recuo de 0,46%, e pelas tarifas de energia elétrica, que tiveram redução de 4,21% no mês.
Inflação acumulada em 12 meses

Apesar da deflação no mês, a inflação acumulada em 12 meses segue acima de 5%. Entre setembro de 2024 e agosto de 2025, o IPCA acumula alta de 5,13%, percentual menor que o registrado em julho (5,33%) e o mais baixo desde fevereiro, quando o índice chegou a 5,06%.
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No mesmo período do ano passado, o acumulado era de 4,24%, mostrando que, mesmo com a desaceleração recente, a inflação ainda não voltou ao centro da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual (entre 1,5% e 4,5%).
Segundo projeções do Banco Central, a convergência para a meta deve ocorrer apenas no início de 2026.
Como foi a deflação de agosto
A seguir, a variação dos principais grupos que compõem o IPCA em agosto:
| Grupo de despesas | Variação mensal (%) |
|---|---|
| Habitação | -0,90 |
| Alimentação e bebidas | -0,46 |
| Transportes | -0,27 |
| Comunicação | -0,09 |
| Artigos de residência | -0,09 |
| Despesas pessoais | +0,40 |
| Saúde e cuidados pessoais | +0,54 |
| Vestuário | +0,72 |
| Educação | +0,75 |
Energia elétrica puxa queda do índice
Contas de luz ficam 4,21% mais baratas
Depois de três meses seguidos de aumento, a energia elétrica registrou queda de 4,21% em agosto. O recuo é explicado pela entrada em vigor do “Bônus Itaipu”, que distribuiu R$ 936,8 milhões do resultado positivo da usina hidrelétrica.
O desconto médio foi de R$ 11,59 por fatura, alcançando cerca de 97% dos clientes residenciais e rurais. A dedução apareceu discriminada nas contas com a inscrição “Bônus Itaipu”.
Impacto limitado pela bandeira tarifária
O alívio poderia ter sido ainda maior, mas foi limitado pela aplicação da bandeira vermelha patamar 2, que acrescentou R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos. Em julho, o adicional era menor: R$ 4,46 a cada 100 kWh.
Preços dos alimentos em queda
Alimentação em domicílio
Os alimentos voltaram a pesar menos no bolso do consumidor, com queda de 0,83% na alimentação dentro de casa.
- Tomate: -13,39%
- Batata-inglesa: -8,59%
- Cebola: -8,69%
- Arroz: -2,61%
- Café moído: -2,17%
Segundo o IBGE, a redução está ligada ao aumento da oferta desses produtos no mercado interno.
Alimentação fora de casa
Já a alimentação fora de casa registrou alta de 0,5%, ainda que em ritmo menor do que o de julho (0,87%). Os lanches (+0,83%) e as refeições (+0,44%) puxaram a alta.
Transportes em desaceleração
O grupo de transportes caiu 0,27% em agosto, impulsionado por uma redução de 2,44% nas passagens aéreas, reflexo do fim das férias escolares.
Combustíveis
Nos combustíveis, a queda foi de 0,89%, com destaque para:
- Gasolina: -0,94%
- Etanol: -0,82%
- Gás veicular: -1,27%
- Óleo diesel: +0,16%
O recuo da gasolina está ligado ao aumento da mistura obrigatória de etanol, que passou de 27% para 30% em agosto.
O que é o IPCA
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o indicador oficial de inflação do Brasil. Ele mede a variação dos preços de 377 produtos e serviços consumidos por famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos.
A coleta é feita em 16 regiões metropolitanas e capitais, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Brasília, entre outras.
Os resultados servem como referência para políticas públicas, contratos e para a definição da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central.
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Perspectivas para a inflação

Mesmo com o resultado negativo em agosto, especialistas destacam que a inflação brasileira ainda está acima da meta e tende a se manter nesse patamar até 2026.
A expectativa do Banco Central é de que a taxa acumulada chegue a 4,2% em março de 2026, com queda gradual a partir da segunda metade do próximo ano.
Economistas avaliam que, embora a deflação traga alívio momentâneo ao bolso do consumidor, fatores estruturais como custos de energia, câmbio e combustíveis ainda pressionam os preços.
Perguntas frequentes (FAQ)
O que significa deflação no IPCA?
Deflação é a queda generalizada dos preços em determinado período. No caso do IPCA de agosto, o índice recuou 0,11%, indicando que, em média, os preços ficaram mais baratos.
Por que a energia elétrica ficou mais barata em agosto?
A redução ocorreu devido ao “Bônus Itaipu”, que distribuiu parte do resultado positivo da hidrelétrica para consumidores residenciais e rurais, gerando descontos médios de R$ 11,59 nas contas.
Os alimentos vão continuar caindo de preço?
Não há garantia. A queda recente foi influenciada pelo aumento da oferta de alguns itens, mas fatores como clima, safra e custos de transporte podem reverter a tendência.
A inflação está dentro da meta do governo?
Não. Apesar da deflação em agosto, a inflação acumulada em 12 meses está em 5,13%, acima do teto da meta de 4,5%.
Quando a inflação deve voltar à meta?
Segundo o Banco Central, a inflação deve convergir para o centro da meta de 3% apenas no início de 2026.
Considerações finais
Em resumo, o recuo dos preços em agosto traz alívio temporário, mas mantém em evidência a necessidade de políticas econômicas e monitoramento contínuo para controlar a inflação de forma sustentável, garantindo previsibilidade e segurança para famílias e empresas.
