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Brasileiros veem seus patrimônios sumirem: ‘perdi valor de uma casa’

Empresa que declarou falência foi a causadora de prejuízos absurdos para investidores brasileiros. Saiba mais sobre esse caso polêmico.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
Homem tirando os bolsos vazios do terno

A FTX era uma empresa que operava no mercado mundial das criptomoedas e levou muitos brasileiros que investiram no mercado das moedas digitais ao prejuízo.

Com sede nos Estados Unidos, a segunda maior empresa do ramo das criptomoedas, já considerada extinta, iniciou o seu processo de falência no mês passado.

Brasileiros sofrem grande perda de patrimônios

A FTX, que já chegou a contar com 1,2 milhão de usuários e a possuir valor de mercado batendo os US$ 32 bilhões, ao falir, causou prejuízo de aproximadamente US$ 2 bilhões, capital que desapareceu, pertencente a investidores dos mais diversos lugares do mundo.

A queda da empresa é sinônimo de crise no mercado das criptomoedas, e desperta grande desconfiança naqueles que pensavam em investir nesse mercado.

A plataforma UOL entrevistou algumas pessoas que foram muito prejudicadas pela falência da FTX. Um desses investidores, que preferiu manter o nome oculto, afirma que perdeu o valor de um imóvel. Ele vendeu sua casa para investir em criptomoedas; entretanto, quando tentou retirar o dinheiro da empresa, após saber de rumores que a empresa não ia bem, já era tarde demais: havia perdido tudo.

A seguir, confira mais depoimentos de clientes prejudicados da FTX.

Prejuízo de R$ 1 milhão

O Brasil é considerado o 7º maior investidor em ativos virtuais. Os brasileiros têm se aventurado cada vez mais nesse mundo, na tentativa de atingir lucros altos.

André Fauth é investidor e está inserido no mercado das moedas digitais desde 2014. O gaúcho conta que perdeu, por meio da FTX, aproximadamente R$ 1 milhão.

“Realmente foi um baque para mim. Eu demorei para aceitar, para acreditar que isso tinha acontecido. Às vezes eu acordava de manhã e pensava ‘é um sonho? É um pesadelo? É real?’, relata André, que possui um canal no YouTube e fala sobre o mercado das criptomoedas.

Ele conta ainda que, após tamanho prejuízo, seus seguidores na internet enviavam diversas mensagens o atacando.

“Teve gente que falou para mim: ‘Você é especialista em criptomoedas e perde R$ 1 milhão?’. Mas não tem como botar a culpa em mim. Teria sido minha culpa se eu tivesse feito uma operação que deu prejuízo de R$ 1 milhão. Mas eu tive o dinheiro roubado. Foi algo diferente, fora do meu controle”, lamenta Fauth.

O investidor ainda opina sobre o caso da FTX:

“A gente não desconfia até de fato chegar à realidade. A aparência do grupo FTX era de algo forte, sólido. Eles resgatavam outras empresas do mercado que estavam falindo. A FTX tinha um valor de mercado de US$ 32 bilhões, eu nunca ia imaginar que havia risco para o dinheiro lá.”, comenta.

“A FTX aparecia na mídia, dava nome para arena de esportes nos EUA e patrocinava equipe de Fórmula 1. O que ocorreu foi uma fraude.”, conclui Fauth.

Apesar de perder tanto dinheiro, o youtuber afirma que não perdeu a confiança no mercado, principalmente com relação ao bitcoin.

R$ 52 mil desaparecidos

Nélio Castro, gestor de projetos web, é outro exemplo de quem perdeu dinheiro na FTX.

De acordo com Castro, o investimento na empresa parecia uma ótima ideia, já que ela “estava listada entre as três maiores do mundo. Havia diversas recomendações de experts. Além disso, a interface era muito boa de operação. As taxas eram zero para operações com ethereum e bitcoin. E as transações lá eram muito rápidas. A tecnologia era impressionante”.

O gestor de projeto conta que ficou muito abalado psicologicamente com o prejuízo sofrido. Sua perda foi de US$ 10 mil, o que equivale a aproximadamente R$ 52 mil.

Vale a pena entrar com ação judicial contra a FTX?

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Um empresário brasileiro, Ray Nasser, tem planos para representar os investidores brasileiros e latino-americanos que tiveram prejuízo maior de R$ 100 mil, mas a ação judicial teria que correr nos Estados Unidos.

Entretanto, a maioria das pessoas que foram lesadas com a queda da empresa de criptomoedas acredita que não vale a pena investir mais tempo e dinheiro participando de ações legais contra a FTX. O próprio André Fauth, citado acima, ainda está analisando se entrará na Justiça.

Ascenção e queda da FTX

Sam Bankman-Fried, fundador e CEO da FTX, foi um dos grandes responsáveis pelo sucesso inicial que envolveu o nome da empresa.

O carisma do diretor-executivo conquistou muitos investidores pelo mundo, e o jovem promissor entrou até para a lista de 30 pessoas mais bem-sucedidas com menos de 30 anos (“30 Under 30”), da revista Forbes.

Além de seu criador, a companhia polêmica contava também com grandes personalidades mundiais em suas propagandas. Nomes como Gisele Bündchen e Tom Brady, Naomi Osaka e Stephen Curry, ajudaram a popularizar e aumentar o número de inscritos na plataforma da FTX.

Porém, o início da queda se deu quando começaram a sair boatos alegando que o financiamento de uma segunda empresa (também pertencente ao Sam Bankman-Fried), chamada Alameda Research, vinha de uma moeda originada da FTX. Ou seja, os negócios estavam atrelados e não funcionavam de maneira independente.

Alguns veículos da mídia noticiaram sobre o assunto, o que causou alvoroço, deixando os investidores alertas. O pânico maior foi instaurado quando o diretor da maior concorrente da FTX anunciou que, devido a “recentes revelações”, ele venderia seus investimentos na empresa.

A partir daí, foi iniciada a corrida para desligamento da parte dos investidores da corretora.

Sam desligou-se de seu cargo na própria empresa, que já deu início ao processo de falência, e será investigada judicialmente. Além disso, o ex-diretor foi detido pela polícia no dia 13 dezembro, nas Bahamas, informação que foi confirmada pela receita federal dos Estados Unidos. Ele é acusado de alguns crimes financeiros, entre eles, ter enganado seus investidores.

Imagem: Vitaly Raduntsev/shutterstock.com

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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