Uma aposentada que trabalhou com carteira assinada na década de 80 venceu na Justiça uma ação contra a Caixa Econômica Federal após não conseguir localizar os depósitos referentes ao seu Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A decisão, proferida pela 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), determinou que o banco indenize a autora, reconhecendo sua responsabilidade pela falha na gestão e no rastreamento das contas vinculadas ao fundo.
FGTS desaparecido: Caixa é condenada após falha com aposentada
Caixa é condenada a indenizar aposentada após não localizar valores do FGTS entre 1980 e 1988. Decisão garante indenização com juros.
Entenda o caso

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A origem do problema: FGTS desaparecido
A autora da ação é aposentada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e, desde o início de sua vida laboral, optou pelo regime do FGTS. Mesmo após décadas sem realizar saques, ao buscar informações sobre o saldo disponível no momento da aposentadoria, recebeu da Caixa a informação de que não havia qualquer registro de depósitos vinculados à sua conta do fundo.
Diante disso, ingressou com uma ação judicial para reivindicar os valores devidos, além da correção monetária e dos juros decorrentes do tempo em que o montante ficou indisponível.
Provas apresentadas pela aposentada
A aposentada reuniu uma série de documentos para embasar sua reivindicação:
- Carteira de Trabalho com registros empregatícios entre 1980 e 1988;
- Declaração firmada por ela e pelo empregador à época, com a opção pelo regime do FGTS;
- Extratos de banco depositário, com indicação da conta do FGTS.
Entendimento da Justiça
Responsabilidade da Caixa Econômica
A decisão unânime da 2ª Turma do TRF-3 considerou que, como operadora do FGTS, cabe à Caixa manter e controlar as contas vinculadas ao fundo. A relatora do caso, desembargadora federal Renata Lotufo, destacou que a instituição não pode se eximir da responsabilidade pela ausência de registros, salvo se provar algum fator excludente, o que não ocorreu no caso.
O dever da Caixa de rastrear os valores
A relatora também apontou que a Caixa, ao assumir o papel de operadora do FGTS, assumiu o encargo de verificar o destino dos recursos depositados, inclusive podendo e devendo requisitar dados de bancos antigos que anteriormente eram responsáveis pelos depósitos.
Ausência de saque não comprovada
Outro ponto central do julgamento foi a ausência de provas de que a aposentada tenha sacado os valores do FGTS antes da migração das contas para a Caixa, invalidando o argumento do banco de que os valores poderiam já ter sido retirados.
Indenização garantida com correção e juros
Com a decisão do TRF-3, a aposentada passa a ter direito a:
- Receber os valores não localizados referentes ao período de 1980 a 1988;
- Correção monetária e juros legais sobre os valores devidos;
- Direito ao saque de eventuais saldos existentes na conta vinculada ao FGTS.
Por que o caso é relevante?
Riscos ao trabalhador por falhas do sistema
O caso escancara as fragilidades ainda presentes na gestão de contas antigas do FGTS, especialmente no que se refere à migração de dados bancários ocorrida nas décadas passadas. Muitos trabalhadores que atuaram formalmente antes da centralização das contas na Caixa podem enfrentar dificuldades semelhantes.
Precedente jurídico importante
A decisão também se torna um precedente relevante para outros trabalhadores que venham a descobrir inconsistências em seus registros do FGTS. O entendimento da Justiça é claro: a responsabilidade é da Caixa, salvo prova em contrário.
Histórico de problemas com o FGTS
A migração das contas para a Caixa
Durante os anos 1990, o governo federal centralizou a gestão do FGTS na Caixa Econômica Federal. Até então, diferentes bancos eram responsáveis por operar contas do fundo. Com isso, surgiram diversos casos de falhas na transferência de dados, perdas de registros e extravios de saldos.
Trabalhadores mais antigos são os mais afetados
Pessoas que trabalharam formalmente nas décadas de 70 e 80 são as mais suscetíveis a problemas com o rastreamento de contas e valores, uma vez que parte dos registros da época era feito manualmente ou dependia de arquivos físicos.
O que fazer se o FGTS não aparece?

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Dicas para quem suspeita de erro no saldo
Se você desconfia que há valores desaparecidos do seu FGTS, siga os passos:
1. Consulte seu extrato completo do FGTS
- Use o app FGTS ou vá a uma agência da Caixa;
2. Reúna provas documentais
- Carteira de Trabalho (CTPS) com registros;
- Contratos de trabalho e rescisões;
- Comprovantes de opção pelo FGTS (se houver).
FAQ – Perguntas frequentes
O que é o FGTS desaparecido?
É quando há ausência de registros ou valores em contas do FGTS que deveriam conter depósitos feitos pelos empregadores, geralmente referentes a períodos de trabalho formalizado.
Como posso saber se tenho valores antigos do FGTS?
É possível consultar no aplicativo do FGTS ou solicitar o extrato detalhado em agências da Caixa. Registros antigos, porém, podem não aparecer facilmente.
A indenização paga é igual ao saldo perdido?
Não apenas. Inclui também juros legais e correção monetária, considerando o tempo em que os valores deveriam estar disponíveis.
Considerações finais
O caso da aposentada que teve seu FGTS “desaparecido” reforça a importância da responsabilidade das instituições financeiras no gerenciamento de recursos trabalhistas, especialmente quando envolvem contas antigas e registros históricos. A decisão da Justiça Federal de responsabilizar a Caixa Econômica Federal reafirma o dever da instituição como agente operador do fundo, não apenas na guarda dos valores, mas também na busca ativa por dados e saldos que deveriam estar sob sua custódia.
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