A Carteira de Identidade Nacional (CIN) já foi emitida para 60 milhões de brasileiros, segundo dados divulgados pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). O número mostra o avanço da substituição do antigo RG, mas também indica que uma parcela expressiva da população ainda precisa fazer a transição para o novo documento.
Criada para padronizar a identificação civil em todo o país, a CIN utiliza o CPF como número único. Com isso, deixa de existir a lógica anterior de diferentes números de RG emitidos por estados distintos. O novo documento também pode ser utilizado na versão digital pelo aplicativo GOV.BR.
Quem ainda precisa tirar a nova identidade

Apesar de o RG antigo continuar válido até 28 de fevereiro de 2032, o governo recomenda que a população não deixe a emissão da CIN para os últimos anos. A antecipação pode evitar aumento da procura pelos postos de identificação à medida que o prazo nacional se aproxima.
Para quem recebe benefícios sociais ou previdenciários, a questão merece atenção especial. A CIN está diretamente relacionada à implantação do cadastro biométrico usado na concessão, manutenção e renovação de benefícios.
O que muda para quem recebe benefícios
Desde 2026, o governo começou a ampliar a exigência de biometria para benefícios sociais e previdenciários. Até 31 de dezembro de 2026, a comprovação pode ocorrer por meio da CIN, CNH, título de eleitor ou passaporte, conforme as regras de cada situação.
Existe ainda uma regra de transição para 2027. Quem já tiver biometria cadastrada em CNH, título de eleitor ou passaporte até o fim de 2026 poderá utilizá-la durante esse período. A partir de 1º de janeiro de 2028, a CIN passa a ser a única base biométrica aceita para concessão, manutenção e renovação dos benefícios abrangidos pela regra.
Por isso, aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais não devem interpretar o prazo de 2032 do RG como se ele fosse o único prazo relevante. A necessidade de biometria cria uma antecipação específica para quem depende de benefícios governamentais.
O que muda com a Carteira de Identidade Nacional
A principal mudança é a adoção do CPF como identificador único. O modelo anterior permitia que uma mesma pessoa tivesse registros de identidade diferentes em unidades da Federação, enquanto a CIN estabelece um padrão nacional.
O documento também incorpora mecanismos de segurança, como QR Code, que permite conferir sua autenticidade. Há versões físicas e uma versão digital disponível no GOV.BR depois da emissão da carteira física.
Outro recurso é a possibilidade de incluir, mediante solicitação e conforme as regras aplicáveis, informações de outros documentos na versão digital, como CNH, carteira de trabalho, título de eleitor e registros profissionais.
A CIN também possui validade diferente conforme a idade. Para crianças menores de 12 anos, o documento vale cinco anos. Entre 12 e 60 anos incompletos, a validade é de dez anos. Para pessoas com mais de 60 anos, a validade é indeterminada.
Como emitir a CIN gratuitamente
A primeira emissão em papel é gratuita. O atendimento é realizado pelos órgãos de identificação civil dos estados e do Distrito Federal, e cada unidade federativa define o sistema de agendamento e os procedimentos locais.
Em geral, o cidadão deve apresentar certidão de nascimento ou casamento atualizada. O governo mantém uma relação dos locais de atendimento e orientações específicas de cada estado no portal oficial da CIN.
Na prática, o caminho é simples: consultar o serviço oficial do estado, verificar se é necessário agendamento, separar a documentação exigida e comparecer ao posto na data marcada.
Depois de receber a carteira física, o cidadão pode acessar a versão digital pelo aplicativo GOV.BR. O QR Code presente no documento também permite verificar sua autenticidade.
É preciso pagar para trocar o RG?
A primeira emissão da CIN em papel é gratuita. Porém, alguns estados podem oferecer o modelo em cartão de policarbonato mediante cobrança, já que esse formato possui custo definido pelo próprio ente estadual.
Por isso, é importante verificar exatamente qual serviço está sendo contratado antes de efetuar qualquer pagamento.
A CIN vale para viagens internacionais?

A nova identidade segue padrões internacionais e possui uma zona de leitura semelhante à utilizada em passaportes. Ela pode ser aceita como documento de viagem em países com os quais o Brasil possui acordos, como os integrantes do Mercosul.
Isso não significa, porém, que a CIN substitua o passaporte para qualquer destino. Para viagens fora dos países que aceitam a identidade brasileira por acordo, o passaporte continua sendo necessário.
Além disso, para viagens de turismo dentro do Mercosul, a Polícia Federal orienta que a identidade esteja em bom estado e permita identificar claramente o titular; a orientação oficial também considera a data de emissão do documento.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
