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Quase 1 em cada 5 trabalhadores do país atua no comércio ou com veículos

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 6 min de leitura
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O comércio e a reparação de veículos concentram uma parcela expressiva da força de trabalho brasileira. Em 2025, 19,5 milhões de pessoas trabalhavam nessas atividades, o equivalente a 18,9% dos 103 milhões de brasileiros ocupados.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento apresenta um retrato mais detalhado do mercado de trabalho e também mostra mudanças na forma como os brasileiros estão inseridos profissionalmente.

Além do peso do comércio, os números chamam atenção para a distribuição entre empregados, trabalhadores por conta própria e empregadores, assim como para a queda da sindicalização observada ao longo dos últimos anos.

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Comércio reúne 19,5 milhões de trabalhadores

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Em 2025, o Brasil tinha cerca de 103 milhões de pessoas ocupadas. Desse total, 19,5 milhões estavam no comércio ou em atividades de reparação de veículos.

O percentual de 18,9% significa que aproximadamente uma em cada cinco pessoas ocupadas trabalhava nesse segmento.

A categoria engloba diferentes atividades, incluindo comércio varejista, atacadista e serviços relacionados a veículos automotores e motocicletas. Por reunir negócios de portes e características distintas, o setor emprega profissionais com perfis bastante variados.

A dimensão desse mercado também faz com que alterações no consumo das famílias, no crédito e na atividade econômica possam ter impacto significativo sobre milhões de trabalhadores.

Como os brasileiros estão inseridos no mercado de trabalho?

A pesquisa do IBGE também mostra como a população ocupada se distribui de acordo com a posição profissional.

Em 2025, 69% dos ocupados eram empregados. Os trabalhadores por conta própria representavam 25,4%, enquanto os empregadores correspondiam a 4,4%. Outros 1,2% eram trabalhadores familiares auxiliares.

Os números mostram que, embora o trabalho assalariado seja predominante, uma parcela expressiva dos brasileiros exerce atividades de forma independente.

O que significa ser trabalhador por conta própria?

O trabalhador por conta própria exerce uma atividade profissional sem ser empregado de outra pessoa ou empresa.

Essa categoria inclui diferentes situações, como profissionais que prestam serviços de maneira independente e pessoas que administram pequenos negócios sem empregados.

Em 2025, esse grupo representava mais de um quarto da população ocupada brasileira.

Já os empregadores são trabalhadores por conta própria que possuem pelo menos uma pessoa empregada. Os trabalhadores familiares auxiliares colaboram em atividades econômicas de familiares, sem necessariamente receber remuneração direta pelo trabalho.

Sindicalização caiu em relação ao início da série histórica

Outro indicador apresentado pela PNAD Contínua é a participação dos trabalhadores em sindicatos.

Em 2025, 8,8% da população ocupada estava associada a sindicatos. O resultado representa uma pequena queda em relação a 2024, quando a taxa havia sido de 8,9%.

A diferença se torna maior quando o resultado é comparado com o início da série histórica.

Em 2012, 16,1% dos trabalhadores ocupados eram sindicalizados. Em 2025, o percentual estava em 8,8%, uma diferença de 7,3 pontos percentuais.

A redução ocorreu ao longo de vários anos e não representa uma mudança registrada apenas entre 2024 e 2025.

Quais setores têm mais trabalhadores sindicalizados?

A participação sindical varia de acordo com a atividade econômica.

Em 2025, o maior percentual foi registrado entre trabalhadores de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, com 14,7% de sindicalização.

O grupo formado por administração pública, defesa, seguridade social, educação e saúde apareceu logo depois, com 14,6%.

Na indústria, a taxa chegou a 11,4%.

As diferenças estão relacionadas às características de cada setor, à estrutura das relações de trabalho e ao perfil das ocupações existentes em cada atividade.

O que os dados revelam sobre o mercado de trabalho brasileiro?

A participação de 18,9% coloca o comércio e a reparação de veículos entre os grandes segmentos de ocupação do país.

O tamanho do setor também ajuda a explicar por que indicadores relacionados ao consumo têm importância para o mercado de trabalho. Quando as famílias aumentam ou reduzem seus gastos, os efeitos podem chegar diretamente aos estabelecimentos comerciais e, consequentemente, às oportunidades de trabalho.

Ao mesmo tempo, os dados mostram que o mercado brasileiro é diversificado. O emprego assalariado continua representando a maior parcela, mas aproximadamente um quarto dos trabalhadores atua por conta própria.

A evolução da sindicalização também evidencia uma transformação estrutural. O percentual registrado em 2025 está muito abaixo do observado em 2012.

Os números mudam algum direito trabalhista?

Não. Os dados divulgados pela PNAD Contínua não criam nem alteram direitos trabalhistas.

A pesquisa tem finalidade estatística e serve para medir as características do mercado de trabalho brasileiro.

Por isso, o fato de uma pessoa estar entre os trabalhadores por conta própria, por exemplo, não significa automaticamente que ela tenha perdido ou adquirido determinado direito. Os direitos dependem da relação de trabalho e da legislação aplicável a cada situação.

Por que a PNAD Contínua é importante?

A PNAD Contínua é uma das principais fontes de informações sobre o mercado de trabalho brasileiro.

Além de acompanhar indicadores como ocupação e desemprego, a pesquisa permite analisar características mais específicas da população trabalhadora.

Os levantamentos também ajudam a identificar mudanças que acontecem ao longo dos anos, como alterações na composição das ocupações, na participação de trabalhadores por conta própria e no nível de sindicalização.

Essas informações são utilizadas para análises econômicas, estudos acadêmicos e elaboração de políticas públicas.

O que pode mudar nos próximos levantamentos?

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

Os próximos resultados da PNAD Contínua permitirão verificar se a participação do comércio continuará próxima do patamar registrado em 2025 e como evoluirá a composição da população ocupada.

Também será possível acompanhar a trajetória da sindicalização e a distribuição entre empregados, trabalhadores por conta própria e empregadores.

O retrato de 2025, porém, já mostra a dimensão do comércio no mercado de trabalho brasileiro: quase um quinto de todos os ocupados estava ligado ao setor de comércio e reparação de veículos.

Conclusão

Os dados da PNAD Contínua mostram a dimensão do comércio na geração de ocupações no país. Com 19,5 milhões de trabalhadores, o setor responde por quase um quinto da população ocupada e tem forte relação com o consumo e a atividade econômica.

Ao mesmo tempo, o levantamento revela um mercado de trabalho diversificado, no qual os empregados convivem com uma parcela expressiva de trabalhadores por conta própria e empregadores. A queda da sindicalização ao longo dos últimos anos também indica uma mudança relevante na composição das relações profissionais no Brasil.

Os próximos levantamentos do IBGE poderão mostrar se essas tendências permanecem ou se haverá mudanças na distribuição dos trabalhadores entre os diferentes setores e modalidades de ocupação.

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