Em 2024, mais de 570 mil Microempreendedores Individuais (MEIs) enfrentaram um novo desafio: ultrapassaram o teto de faturamento anual permitido, de R$ 81 mil, e foram obrigados a deixar o regime simplificado. O dado, divulgado pela Receita Federal, representa um salto de quase 30 vezes em comparação com o número de desenquadramentos registrados no ano anterior.
Estourou o teto do MEI? Descubra o passo a passo para migrar ao Simples Nacional
Ultrapassou o limite de R$ 81 mil do MEI? Entenda como migrar para o Simples Nacional e evitar multas com este guia completo.
A saída compulsória do MEI marca não apenas um sinal de crescimento dos negócios, mas também o início de uma série de novas obrigações. Os empreendedores precisam agora se adaptar ao regime do Simples Nacional, que exige mais estrutura contábil e impõe alíquotas tributárias mais elevadas.
O que é o desenquadramento do MEI?

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Quando o MEI deixa de ser MEI?
O desenquadramento do MEI acontece quando o faturamento anual do empreendedor ultrapassa o limite legal de R$ 81 mil. Para transportadores autônomos de carga, o teto é diferenciado: R$ 251.600 por ano.
Existem dois cenários de excesso de faturamento, e cada um exige um tratamento diferente.
Excesso de até 20% do teto
- Faixa de faturamento: R$ 81.000,01 a R$ 97.200,00
- Consequência: O empreendedor permanece como MEI até 31 de dezembro do ano em que ultrapassou o limite. A partir de 1º de janeiro do ano seguinte, passa a ser Microempresa (ME) optante do Simples Nacional.
Excesso superior a 20% do teto
- Faturamento acima de R$ 97.200
- Nesse caso, a perda do enquadramento como MEI passa a valer desde o primeiro dia do ano em que o faturamento excedeu o limite permitido.
Como funciona a migração para o Simples Nacional?
Passo a passo para migrar do MEI para ME
- Comunicação do desenquadramento
- Acesse o Portal do Simples Nacional e registre a alteração.
- Informe a data da ocorrência do excesso.
- Abertura de empresa como ME
- É necessário alterar o registro do CNPJ, convertendo de MEI para Microempresa.
- Atualize os dados na Junta Comercial do estado.
- Contratação de contador
- O acompanhamento profissional é obrigatório para empresas fora do MEI.
- O contador auxiliará na escolha correta do Anexo do Simples Nacional, dependendo do tipo de atividade.
- Escolha do regime tributário
- O Simples Nacional continua sendo o regime preferencial para MEs.
- Caso o empreendedor não opte formalmente, poderá ser enquadrado no Lucro Presumido ou Lucro Real, mais complexos.
Custos e obrigações no Simples Nacional
Alíquotas de imposto no novo regime
O Simples Nacional unifica diversos tributos federais, estaduais e municipais, mas impõe alíquotas superiores às do MEI.
| Setor | Alíquota Inicial |
|---|---|
| Indústria | 4,0% |
| Comércio | 4,5% |
| Serviços | De 6% a 15,5% |
As alíquotas são progressivas e variam de acordo com a receita bruta acumulada nos últimos 12 meses.
Custos adicionais
- Honorários contábeis: a partir de R$ 300/mês, variando por região.
- Registro na Junta Comercial: entre R$ 100 e R$ 300.
- Certificado digital: obrigatório para emissão de NF-e e assinatura de obrigações fiscais, com custo anual entre R$ 150 e R$ 250.
- Sistema de emissão de nota fiscal e controle de estoque: recomendado para manter conformidade.
Penalidades por omissão
O empreendedor que ultrapassa o teto do MEI e não comunica o desenquadramento pode sofrer sanções severas:
- Fiscalizações e autuações da Receita Federal, com cobrança retroativa dos impostos devidos.
- Perda do CNPJ em casos de omissão prolongada.
Recomendações para evitar problemas

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Antecipe-se à contratação de contador
Não espere a Receita cobrar. Assim que a receita se aproximar de R$ 81 mil, procure um contador de confiança.
FAQ
Quais impostos pagarei no Simples Nacional?
Depende do setor e da faixa de faturamento. Em geral, pagará alíquotas sobre o faturamento mensal que variam entre 4% e 15,5%.
Preciso contratar contador após sair do MEI?
Sim. A contratação de um contador passa a ser obrigatória para acompanhar obrigações contábeis e fiscais da nova empresa.
Considerações finais
O aumento no número de desenquadramentos de MEIs em 2024 reflete o crescimento dos pequenos negócios no Brasil. No entanto, a transição para o Simples Nacional exige atenção redobrada com as obrigações fiscais. Ao compreender as regras, prazos e impactos tributários, o empreendedor pode transformar esse momento de transição em uma nova fase de prosperidade e estabilidade.
Se você estourou o teto do MEI, não adie a regularização. Com organização e planejamento, é possível continuar crescendo — agora como Microempresa.
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