Uma mudança anunciada pelo Governo Federal promete impactar diretamente milhões de brasileiros que compram produtos em plataformas internacionais. A partir de maio de 2026, encomendas de até US$ 50 passam a contar com isenção do Imposto de Importação federal, reduzindo significativamente o custo final de compras realizadas em sites como Shein, Shopee, AliExpress e outros marketplaces estrangeiros.
A alteração foi oficializada por meio da Medida Provisória nº 1.357/2026 e representa o fim da cobrança que ficou popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”. A medida já produz efeitos para mercadorias que chegaram ao Brasil após a publicação da norma.
Apesar da redução da tributação, especialistas alertam que os consumidores continuam sujeitos ao recolhimento do ICMS estadual, além de precisarem observar regras relacionadas à proteção do consumidor no ambiente digital.
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O que muda nas compras internacionais em 2026

A principal mudança é a eliminação da cobrança do Imposto de Importação para remessas internacionais de até US$ 50 realizadas dentro das regras estabelecidas pelo programa de conformidade aduaneira.
Na prática, isso significa que milhares de produtos vendidos por plataformas estrangeiras chegam ao consumidor com um custo final menor em comparação ao período anterior.
Antes da mudança, compras nessa faixa de valor eram tributadas pelo imposto federal, além da incidência do ICMS. Com a retirada da cobrança federal, o valor total pago pelo consumidor tende a cair de forma significativa.
Para quem costuma comprar roupas, acessórios, eletrônicos de baixo valor, itens de decoração e produtos de beleza, a economia pode ser percebida já no momento da finalização da compra.
Como fica a tributação das encomendas
Mesmo com a retirada do imposto federal para compras de até US$ 50, a tributação não desapareceu completamente.
O ICMS continua sendo cobrado pelos estados e permanece incorporado ao cálculo das compras internacionais.
Compras de até US$ 50
Para encomendas dentro desse limite, o consumidor paga apenas o ICMS estadual.
Dependendo do estado, a alíquota pode variar entre aproximadamente 17% e 20%.
Como resultado, a carga tributária total fica consideravelmente menor do que a registrada anteriormente.
Compras acima de US$ 50
A situação é diferente para mercadorias que ultrapassam esse valor.
Nesses casos, permanece a cobrança do Imposto de Importação de 60%, além da incidência do ICMS.
Quando os tributos são somados, a carga total pode ultrapassar 80% do valor da compra, dependendo da operação e do cálculo aplicado pela fiscalização aduaneira.
Por esse motivo, consumidores que realizam compras de maior valor devem continuar atentos ao custo final antes de concluir o pedido.
Exemplo prático da economia gerada
Para entender melhor o impacto da mudança, imagine uma compra internacional de aproximadamente R$ 200.
Antes da isenção federal, o consumidor precisava arcar com o Imposto de Importação e o ICMS, elevando significativamente o preço final.
Com a nova regra, apenas o ICMS permanece incidindo sobre a operação.
O resultado é uma redução perceptível no valor total cobrado no checkout, tornando muitos produtos novamente competitivos em relação aos preços praticados no mercado nacional.
É justamente por isso que plataformas internacionais passaram a atualizar seus sistemas de cálculo tributário logo após a publicação da medida.
Marketplaces já adaptaram os valores exibidos
Empresas que atuam no comércio eletrônico internacional precisaram ajustar seus sistemas para refletir a nova tributação.
Atualmente, a maioria das plataformas informa ao consumidor os tributos incidentes ainda durante o processo de compra.
Essa transparência permite que o comprador saiba exatamente quanto pagará antes de finalizar o pedido, reduzindo surpresas após a chegada da encomenda ao Brasil.
Especialistas recomendam conferir atentamente as informações exibidas no checkout, especialmente em compras próximas ao limite de US$ 50.
Direitos do consumidor ganham reforço em 2026
As mudanças não se restringem à área tributária.
Em 2026, órgãos de defesa do consumidor intensificaram a fiscalização sobre marketplaces e lojas virtuais que operam no país.
O objetivo é garantir mais segurança para quem realiza compras pela internet.
Entre os órgãos que ampliaram a atuação estão os Procons estaduais e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça.
Quais direitos continuam garantidos

Os consumidores brasileiros mantêm proteção integral prevista no Código de Defesa do Consumidor, inclusive nas compras realizadas pela internet.
Direito de arrependimento
O comprador pode desistir da aquisição em até sete dias após o recebimento do produto, sem necessidade de justificar a decisão.
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Esse direito é válido para compras realizadas fora do estabelecimento comercial, incluindo plataformas digitais.
Entrega dentro do prazo informado
A empresa deve cumprir o prazo de entrega anunciado durante a venda.
Caso ocorra atraso injustificado, o consumidor pode exigir o cumprimento da oferta, solicitar a substituição do produto ou até pedir o cancelamento da compra com restituição dos valores pagos.
Transparência na contratação
As lojas virtuais precisam apresentar informações claras sobre preço, taxas, frete, condições de pagamento e características dos produtos.
Qualquer cobrança não informada previamente pode ser considerada irregular.
Falta de identificação da empresa pode gerar punições
Outro ponto que recebeu atenção dos órgãos fiscalizadores é a identificação dos vendedores no ambiente digital.
As lojas virtuais devem disponibilizar informações básicas para contato e identificação empresarial, incluindo o CNPJ.
A ausência desses dados pode resultar em autuações administrativas e multas aplicadas pelos órgãos competentes.
Além de ser uma exigência legal, a identificação da empresa oferece mais segurança para o consumidor em casos de reclamação, troca ou solicitação de reembolso.
Entendimento da Justiça fortalece proteção ao consumidor
Decisões recentes dos tribunais brasileiros também vêm ampliando a proteção dos compradores.
O entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça tem reforçado a responsabilização de empresas que descumprem direitos básicos do consumidor, especialmente em situações envolvendo devoluções indevidas ou negativas injustificadas de atendimento.
Dependendo das circunstâncias do caso, a Justiça pode reconhecer a existência de danos morais e determinar indenizações financeiras ao consumidor prejudicado.
Embora cada processo seja analisado individualmente, a orientação judicial tem servido como importante mecanismo de proteção para compras realizadas pela internet.
Cuidados importantes antes de finalizar uma compra
Mesmo com a redução da tributação, alguns cuidados continuam sendo fundamentais:
- Verificar se o valor total da compra permanece abaixo de US$ 50 quando o objetivo for aproveitar a isenção federal;
- Conferir todas as taxas informadas no checkout;
- Guardar comprovantes da compra e da previsão de entrega;
- Salvar capturas de tela da oferta anunciada;
- Verificar a reputação do vendedor;
- Acompanhar o rastreamento da encomenda.
Essas medidas facilitam a resolução de eventuais problemas e ajudam a garantir o cumprimento dos direitos do consumidor.



