O crédito consignado voltado para trabalhadores da iniciativa privada, conhecido como Consignado CLT ou Crédito do Trabalhador, entrou em uma nova fase de ajustes e regulamentações. O Ministério do Trabalho anunciou mudanças importantes nos prazos de portabilidade, refinanciamento e uso do FGTS como garantia, o que deve impactar milhões de trabalhadores que já utilizam a modalidade.
Consignado CLT passa por mudanças: saiba o que muda nos prazos e contratos
Confira os novos prazos do consignado CLT, portabilidade e uso do FGTS. Veja como as mudanças afetam seu contrato.
Segundo dados oficiais, desde março mais de 4,2 milhões de trabalhadores contrataram empréstimos consignados, movimentando cerca de R$ 30 bilhões. Apesar da adesão crescente, especialistas alertam que é fundamental compreender as regras antes de assumir novas dívidas.
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O que é o consignado CLT?

O consignado CLT é uma modalidade de crédito em que o desconto das parcelas ocorre diretamente na folha de pagamento do trabalhador. Ele funciona de forma semelhante ao consignado para aposentados e servidores públicos, mas foi estruturado recentemente para atender empregados da iniciativa privada.
- Lançamento oficial: março de 2025.
- Instituições participantes: mais de 70 bancos e financeiras já estão habilitados.
- Diferença principal: possibilidade futura de utilizar parte do FGTS como garantia.
Novos prazos anunciados pelo governo
O governo federal decidiu ampliar os prazos para dar mais segurança ao sistema e permitir que bancos e trabalhadores se adaptem. Confira as principais mudanças:
Migração de contratos antigos
- Desde 21 de agosto está em andamento a migração de mais de 4 milhões de contratos antigos (anteriores a março) para o modelo do Crédito do Trabalhador.
- Valor estimado: mais de R$ 40 bilhões em contratos.
- Previsão de conclusão: novembro de 2025.
Portabilidade de contratos novos
- A partir de 25 de agosto, trabalhadores poderão solicitar a portabilidade de empréstimos contratados já dentro da plataforma do Crédito do Trabalhador.
- Essa operação será feita diretamente nos bancos, e não no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital.
Portabilidade digital
- A Dataprev informou que a portabilidade realizada dentro do aplicativo da Carteira de Trabalho Digital só deve começar em outubro de 2025.
Garantia com FGTS
- A partir de novembro de 2025, entrará em vigor a garantia de até 10% do saldo do FGTS e 40% da multa rescisória em caso de demissão sem justa causa.
- A medida ainda depende de regulamentação específica do Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado.
Juros do consignado CLT: como estão hoje?
De acordo com o Banco Central, em junho a taxa média de juros do consignado privado ficou em 3,79% ao mês. Apesar de mais atrativa do que linhas tradicionais, ainda é quase o dobro das taxas cobradas de aposentados e servidores públicos.
Comparativo de juros em junho
- Crédito consignado CLT: 3,79% ao mês.
- Consignado aposentados: 1,83% ao mês.
- Consignado servidores públicos: 1,84% ao mês.
- Crédito pessoal comum: 6,32% ao mês.
- Cheque especial: 7,47% ao mês.
- Cartão de crédito rotativo: 15,11% ao mês.
Ranking do Banco Central: variação entre bancos
O Banco Central também divulgou um ranking com as taxas cobradas entre 24 e 30 de julho de 2025. As variações chamam atenção:
- Taxas mínimas: 1,47% ao mês.
- Taxas máximas: 6,1% ao mês.
Isso significa que o custo final para o trabalhador depende de:
- tempo de vínculo empregatício;
- valor do salário;
- histórico de crédito;
- eventual uso do FGTS como garantia.
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Sem teto de juros: risco ou oportunidade?
Diferente do consignado para aposentados e servidores, o consignado CLT não possui um teto de juros definido. Isso abre margem para que bancos pratiquem taxas muito distintas.
A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) defende que não é necessário um teto, já que a inclusão do FGTS deve naturalmente reduzir o custo do crédito. Porém, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que, caso haja abusos, o governo pode definir limites no futuro.
Como o trabalhador pode se beneficiar da portabilidade?

Com a portabilidade, o empregado poderá transferir seu contrato para outro banco que ofereça melhores condições. Essa medida deve aumentar a concorrência entre as instituições e pressionar por taxas mais baixas.
Dicas para usar a portabilidade
- Compare sempre as taxas no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital.
- Negocie diretamente com os bancos antes de migrar o contrato.
- Atenção às condições de refinanciamento: podem incluir novos prazos e custos.
Expectativas do mercado
Analistas acreditam que, com a entrada em vigor da portabilidade digital e do uso do FGTS como garantia, haverá tendência de queda dos juros no consignado CLT. Isso deve ampliar o acesso ao crédito e tornar a modalidade mais competitiva em relação ao crédito pessoal tradicional.
Conclusão
O consignado CLT está em processo de consolidação. A migração de contratos, o início da portabilidade e a futura utilização do FGTS como garantia representam marcos importantes para trabalhadores da iniciativa privada.
Apesar das vantagens, a ausência de um teto de juros exige atenção. O trabalhador deve pesquisar, comparar e negociar antes de assumir compromissos de longo prazo. A expectativa é que, até o fim de 2025, a modalidade esteja mais estruturada, com maior segurança jurídica e taxas mais equilibradas.
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital
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