Em um momento em que o crédito voltou ao centro das finanças pessoais, o empréstimo consignado continua sendo uma das principais opções de quem busca juros mais baixos e facilidade na aprovação. Mas, segundo o Procon-SP, o que deveria ser uma alternativa mais previsível pode acabar se tornando uma armadilha financeira: a diferença entre as taxas cobradas pelos bancos ultrapassa 100% em alguns casos.
Juros do consignado variam até 100% entre bancos; confira os detalhes
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O levantamento mais recente, realizado em outubro de 2025, comparou as condições oferecidas por seis grandes bancos para servidores públicos, aposentados do INSS e trabalhadores da iniciativa privada. O resultado mostra uma realidade preocupante: o consumidor pode pagar menos de 2% ao mês em um banco — ou mais de 5% em outro, dependendo do perfil e do prazo contratado.

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Diferenças crescentes no custo do crédito consignado
O Procon-SP destaca que a modalidade consignada, que tem desconto direto na folha de pagamento ou benefício, é uma das mais seguras para as instituições financeiras.Mesmo assim, as variações continuam expressivas.
A justificativa dos bancos é que fatores como prazo, convênio, risco de inadimplência e volume de contratação influenciam o cálculo dos juros.
Ainda assim, especialistas alertam que a falta de padronização e a pouca transparência nas simulações prejudicam o consumidor. Segundo o economista Luiz Nunes, ouvido pelo portal, “o consignado virou um produto de massa, mas com condições que mudam a cada mês, dificultando a comparação.”
Taxas médias por categoria: aposentados ainda pagam menos
A seguir, estão os dados médios das taxas de juros por público e prazo — números que evidenciam o tamanho da disparidade.
Tabela 1 — Taxas médias por categoria (outubro de 2025)
| Tipo de Contrato | Servidor Estadual (SP) | Aposentado INSS | Funcionário de Empresa Privada | Servidor Municipal (SP) | Servidor Federal (SP) | Crédito do Trabalhador |
| 12 meses | 2,55% | 1,84% | 4,47% | 2,41% | 1,86% | 4,41% |
| 48 meses | 2,53% | 1,84% | 4,06% | 2,28% | 2,11% | 3,79% |
Os números confirmam o que já é tendência: aposentados e pensionistas do INSS continuam tendo as menores taxas do mercado, enquanto funcionários de empresas privadas enfrentam juros mais altos — reflexo do maior risco percebido pelos bancos.
Variações entre levantamentos mostram oscilações sutis, mas constantes
Ao comparar os resultados de junho e outubro de 2025, o Procon-SP notou pequenas alterações nas médias.
Apesar de discretas, essas mudanças impactam o custo total do crédito, especialmente em contratos longos.
Tabela 2 — Diferença das taxas médias (em pontos percentuais)
| Categoria | Jun/25 → Out/25 (12 meses) | Out/24 → Out/25 (12 meses) | Jun/25 → Out/25 (48 meses) | Out/24 → Out/25 (48 meses) |
| Servidor Estadual | -0,19 p.p. | -0,13 p.p. | -0,08 p.p. | -0,20 p.p. |
| Aposentado INSS | 0,00 p.p. | +0,18 p.p. | -0,01 p.p. | +0,18 p.p. |
| Empresa Privada | +0,52 p.p. | +0,25 p.p. | +0,30 p.p. | +0,17 p.p. |
O destaque negativo vai para os empregados da iniciativa privada, que registraram as maiores altas tanto na comparação trimestral quanto anual.
Ranking dos bancos: quem cobra mais e quem oferece as menores taxas
A pesquisa do Procon-SP também revelou grandes disparidades entre bancos.
Enquanto Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal lideram entre as menores taxas, o Santander aparece entre os que mais cobram em diversas modalidades.
Tabela 3 — Taxas médias por banco e público (outubro/2025)
| Banco | Servidor Municipal | Servidor Estadual | Servidor Federal | Aposentado INSS | Empresa Privada | Crédito do Trabalhador | Empréstimo Pessoal (referência) |
| Banco do Brasil | 2,40% | 2,40% | 1,80% | 1,85% | 3,99% | 3,99% | 6,62% |
| Bradesco | 3,78% | 3,71% | 1,41% | 1,85% | 4,80% | — | 8,33% |
| Caixa Econômica | 1,89% | 1,96% | 1,80% | 1,80% | 3,30% | 3,30% | 8,66% |
| Itaú | 1,99% | 2,29% | 2,29% | 1,85% | 3,97% | 3,97% | 8,94% |
| Safra | 1,95% | 1,99% | 1,95% | 1,85% | 4,49% | 4,49% | 7,93% |
| Santander | 2,46% | 2,96% | 1,73% | 1,83% | 6,28% | 6,28% | 8,24% |
Destaque: a diferença entre o menor e o maior juro médio no consignado de empresa privada é superior a 2,9 pontos percentuais, o que pode dobrar o valor total pago ao fim do contrato.
Efeito do prazo: juros menores, mas dívida mais longa
Quanto maior o prazo, menor tende a ser a taxa mensal — mas o custo total pode continuar alto.
As tabelas a seguir mostram o comportamento das taxas em contratos de 12 e 48 meses.
Tabela 4 — Juros médios (prazo 12 meses)
| Banco | INSS | Empresa Privada | Crédito Trabalhador |
| Banco do Brasil | 1,85% | 3,99% | 3,99% |
| Caixa Econômica | 1,80% | 3,30% | 3,30% |
| Itaú | 1,85% | 3,97% | 3,97% |
| Santander | 1,83% | 6,28% | 6,28% |
| Média | 1,84% | 4,47% | 4,41% |
Tabela 5 — Juros médios (prazo 48 meses)
| Banco | INSS | Empresa Privada | Crédito Trabalhador |
| Banco do Brasil | 1,85% | 3,99% | 3,99% |
| Bradesco | 1,85% | 5,39% | — |
| Caixa Econômica | 1,80% | 3,30% | 3,30% |
| Itaú | 1,85% | 2,66% | 2,66% |
| Santander | 1,82% | 4,53% | 4,53% |
| Média | 1,84% | 4,06% | 3,79% |
A diferença entre o menor e o maior juro em contratos de 48 meses pode representar milhares de reais ao fim do pagamento — um detalhe que reforça a importância da pesquisa antes da contratação.
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Procon-SP alerta: aposentados seguem como principais alvos de golpes
O órgão também emitiu um alerta sobre o crescimento de fraudes envolvendo o consignado, especialmente entre aposentados e pensionistas.
Entre as irregularidades mais comuns estão os empréstimos não solicitados e os descontos indevidos diretamente no benefício.
As principais orientações incluem:
- Nunca contratar por telefone ou mensagem;
- Verificar o extrato do INSS regularmente;
- Comparar propostas entre bancos autorizados;
- Denunciar descontos indevidos ao Procon-SP e à ouvidoria do INSS.
Segundo o órgão, o número de reclamações aumentou mais de 20% em 2025, impulsionado por golpes digitais e falsas ofertas de “crédito liberado”.
Como o levantamento é feito
A pesquisa do Núcleo de Pesquisas do Procon-SP segue a metodologia da Pesquisa de Juros Bancários, realizada periodicamente desde 2022. Os dados são coletados diretamente com as instituições financeiras e refletem as taxas médias vigentes no momento da coleta.
Desde junho de 2025, a amostragem passou a incluir também servidores federais, municipais e crédito do trabalhador, ampliando o escopo de comparação.
Especialistas reforçam: informação é o melhor antídoto
Para quem precisa de crédito, a principal recomendação é comparar sempre. Segundo a economista Marina Duarte, “um simples cuidado de verificar três bancos pode reduzir o custo do empréstimo em até 40%”.
Ela ainda destaca que a taxa mais baixa nem sempre significa o melhor negócio — é preciso observar o Custo Efetivo Total (CET) e eventuais seguros embutidos no contrato.

O crédito consignado segue como opção acessível e segura, mas as diferenças entre bancos exigem atenção e planejamento. Com juros que podem dobrar de valor dependendo da instituição, pesquisar antes de contratar é a melhor forma de economizar e evitar armadilhas. Em tempos de incerteza econômica, informação é poder — e proteção para o bolso.
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