O crédito consignado se consolidou como um dos principais motores de expansão da economia brasileira em 2025. Desde a criação da nova modalidade privada, os números cresceram em ritmo acelerado e surpreenderam tanto o governo quanto o mercado financeiro. Até o fim de setembro, os contratos somavam R$ 45 bilhões, e a expectativa é que outros R$ 20 bilhões sejam liberados até o final do ano.
Crédito consignado movimenta R$ 45 bi e pode liberar mais R$ 20 bi até o final do ano
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Esse desempenho reforça o papel estratégico do programa, considerado uma das maiores apostas do governo para democratizar o acesso ao crédito e ao mesmo tempo aliviar o peso dos empréstimos mais caros sobre os trabalhadores. Apesar disso, o modelo ainda enfrenta críticas quanto às taxas de juros e preocupa especialistas em relação ao risco de endividamento excessivo das famílias.

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Como funciona o novo consignado privado no Brasil em 2025
O novo consignado, conhecido como Crédito do Trabalhador, permite que empregados do setor privado tenham acesso a empréstimos com desconto em folha. A diferença em relação ao modelo antigo está no sistema de escrituração digital, que facilita a portabilidade entre bancos e aumenta a concorrência.
De acordo com o Banco Central, antes da mudança, o estoque dessa modalidade estava em R$ 41 bilhões. Em apenas seis meses, o volume contratado já ultrapassou esse patamar, mostrando a forte adesão ao novo formato. Esse salto demonstra não apenas a demanda reprimida por crédito, mas também o interesse das instituições em ampliar sua base de clientes.
O ritmo de crescimento
Em setembro, as concessões médias atingiram R$ 307,7 milhões por dia útil. Mantida essa velocidade, as novas contratações poderão alcançar quase R$ 20 bilhões até dezembro. Essa expansão, contudo, só se tornou possível após ajustes técnicos e operacionais que corrigiram falhas na fase inicial do programa, quando empregadores e bancos enfrentaram dificuldades para registrar contratos corretamente.
Juros em queda, mas ainda elevados
Um dos principais pontos de debate sobre o consignado privado é a taxa de juros. Em abril, a média chegou a 3,69% ao mês, mas já recuou para 2,91% em setembro. Apesar da redução, o valor ainda é superior ao praticado no consignado tradicional de convênio, o que gera resistência entre alguns analistas.
A explicação, segundo especialistas, está no perfil dos trabalhadores que recorrem à nova modalidade. Muitos têm menor renda, pouca escolaridade e vínculos recentes com empresas de menor porte, o que aumenta a percepção de risco para os bancos. Por esse motivo, mesmo com garantia de desconto em folha, as taxas acabam sendo mais altas.
Ainda assim, o consignado se apresenta como alternativa mais vantajosa que o crédito pessoal sem garantia, cuja média de juros ultrapassa os 11% ao mês. Nesse sentido, mesmo taxas consideradas elevadas já representam alívio para os tomadores.
Disputa entre bancos e entraves tecnológicos
A ampliação do consignado privado também expôs a resistência de parte das instituições financeiras. Bancos de grande porte, como Bradesco e Caixa Econômica Federal, atrasaram a migração dos contratos antigos para a nova plataforma, temendo perder clientes para concorrentes que oferecem juros mais baixos.
O Santander e o Banco do Brasil avançaram mais rapidamente no processo, enquanto o Itaú prometeu concluir dentro do prazo estabelecido. Segundo técnicos da Fazenda, a migração integral deve ocorrer até outubro, o que deve intensificar a concorrência entre as instituições.
Impactos econômicos e sociais
O governo defende que a nova modalidade tem potencial de impulsionar a economia, uma vez que libera recursos para consumo e alivia a pressão sobre famílias endividadas. O efeito, contudo, é visto com cautela por economistas.
Estudos do Banco Central mostram que, em alguns casos, o aumento no endividamento das famílias foi até superior ao valor contratado via consignado, sugerindo que parte dos tomadores continuou recorrendo a outras linhas de crédito. Isso levanta dúvidas sobre o papel de substituição da nova modalidade, que poderia reduzir o peso das dívidas mais caras.
Por outro lado, especialistas argumentam que, mesmo diante do risco de superendividamento, a migração para o consignado ainda oferece condições melhores do que alternativas como cheque especial e cartões de crédito.
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O risco do superendividamento
Lauro Gonzalez, professor da FGV, alerta que a renda das famílias já está altamente comprometida e que o consignado, embora mais acessível, pode agravar a situação de muitos trabalhadores. Ele destaca que parte dos recursos tende a ser usada em gastos correntes, em vez de substituir dívidas antigas, o que compromete o objetivo inicial de reduzir o peso financeiro no orçamento.
A política de crédito e a inflação
Outra preocupação dos analistas é o impacto do consignado sobre a política monetária. A expansão do crédito pode aumentar a demanda por consumo em um momento em que o Banco Central ainda busca controlar a inflação. Nesse contexto, há risco de que a medida pressione o cenário econômico e dificulte a redução das taxas básicas de juros no país.
Apesar disso, integrantes do governo defendem que os efeitos do programa são positivos e que a redução progressiva das taxas no consignado mostra sinais de amadurecimento da modalidade.
Perspectivas para o futuro
Embora tenha enfrentado falhas operacionais e resistência de bancos, o consignado privado já superou as expectativas iniciais. Especialistas acreditam que o modelo poderá se consolidar como uma alternativa relevante para trabalhadores do setor privado, desde que haja maior equilíbrio entre oferta e demanda, com redução gradual das taxas e aperfeiçoamento das regras de portabilidade.
O desafio está em garantir que a expansão não resulte em endividamento excessivo das famílias. Caso isso seja contornado, o consignado poderá se tornar uma política de crédito inclusiva, capaz de transformar a forma como milhões de brasileiros acessam financiamento.

O avanço do crédito consignado em 2025 mostra o apetite da população por empréstimos mais acessíveis e a importância da concorrência entre instituições financeiras. Se, por um lado, o programa trouxe alívio ao oferecer taxas menores do que outras modalidades, por outro acendeu o alerta de especialistas quanto ao risco de superendividamento e pressões inflacionárias.
Com projeção de injetar até R$ 65 bilhões na economia até o final do ano, o consignado se firma como uma das principais apostas do governo. O sucesso da modalidade, no entanto, dependerá de ajustes contínuos, fiscalização rigorosa e um esforço conjunto para transformar a expansão do crédito em um instrumento de desenvolvimento sustentável, e não em mais um fator de vulnerabilidade para as famílias brasileiras.
