Os trabalhadores com carteira assinada passaram a contar com uma nova alternativa para conseguir crédito com condições potencialmente mais vantajosas. A partir desta sexta-feira (26), entra em vigor a nova etapa do programa Crédito do Trabalhador, que autoriza o uso de parte do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e das verbas rescisórias como garantia em operações de empréstimo.
Crédito do Trabalhador passa a aceitar FGTS e verbas rescisórias como garantia
Nova regra do Crédito do Trabalhador permite usar parte do FGTS e verbas rescisórias como garantia para obter empréstimos com juros menores.
A expectativa do governo federal é ampliar o acesso ao crédito para milhões de brasileiros empregados no setor privado, reduzindo o risco das instituições financeiras e, consequentemente, permitindo taxas de juros menores do que as praticadas em modalidades tradicionais de crédito pessoal.
A novidade também representa uma mudança importante na forma como trabalhadores poderão utilizar direitos trabalhistas como garantia financeira, sem precisar sacar antecipadamente os recursos do FGTS.
Neste artigo, você confere como funciona a nova regra, quem pode contratar, quais valores podem ser utilizados como garantia e quais cuidados devem ser observados antes de assumir uma dívida.
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O que muda com a nova regra do Crédito do Trabalhador
O programa Crédito do Trabalhador foi criado para facilitar o acesso ao financiamento para empregados com carteira assinada.
A principal inovação da nova etapa é permitir que parte dos direitos trabalhistas seja utilizada como garantia da operação de crédito.
Na prática, isso reduz o risco de inadimplência para os bancos. Como consequência, as instituições financeiras podem oferecer empréstimos com juros mais baixos e condições de pagamento mais competitivas.
O trabalhador continua tendo acesso ao crédito por meio de instituições financeiras habilitadas, mas agora poderá oferecer garantias vinculadas ao vínculo empregatício.
Quanto do FGTS poderá ser usado como garantia
A legislação estabelece limites específicos para preservar parte dos direitos do trabalhador.
Poderão ser utilizados como garantia:
- até 10% do saldo disponível no FGTS;
- até 35% das verbas rescisórias em caso de demissão sem justa causa;
- até 100% da multa rescisória de 40% sobre o saldo do FGTS.
Esses recursos não são sacados pelo trabalhador no momento da contratação. Eles apenas ficam vinculados ao contrato enquanto o empréstimo estiver vigente.
Caso a dívida seja quitada normalmente, a garantia é liberada.
Como funciona o Crédito do Trabalhador
O funcionamento é semelhante ao de outras modalidades de crédito com garantia.
Após solicitar o empréstimo, o trabalhador autoriza que parte do FGTS e das verbas rescisórias fique vinculada ao contrato.
Como existe uma garantia adicional, a instituição financeira assume menor risco na operação, o que tende a reduzir o custo do crédito.
Esse modelo funciona como uma alternativa ao crédito consignado tradicional, mas voltada aos trabalhadores da iniciativa privada.
Quem pode contratar
O programa é destinado aos trabalhadores com vínculo formal de emprego.
A contratação poderá ser realizada:
- pela Carteira de Trabalho Digital;
- diretamente nos canais das instituições financeiras participantes.
Todo o processo será integrado aos sistemas oficiais do governo, proporcionando maior segurança e controle das informações.
Integração com eSocial e FGTS Digital
Uma das principais novidades é a integração entre diversos sistemas públicos.
As operações utilizarão informações provenientes de plataformas como:
- eSocial;
- FGTS Digital;
- Carteira de Trabalho Digital.
Essa integração permitirá registrar automaticamente as garantias oferecidas pelo trabalhador e acompanhar toda a operação durante a vigência do contrato.
Além disso, reduz a necessidade de entrega de documentos físicos e agiliza a análise do crédito.
O que muda para as empresas
A implementação também traz novas responsabilidades para os empregadores.
Entre as principais obrigações estão:
Consultar as garantias cadastradas
As empresas deverão verificar os percentuais vinculados pelos trabalhadores às operações de crédito.
Registrar informações no eSocial
Os descontos e informações relacionados aos contratos deverão ser corretamente informados no sistema.
Efetuar os recolhimentos
Os recolhimentos serão realizados pelas plataformas digitais do governo, seguindo os procedimentos definidos para o programa.
Embora o processo seja automatizado, muitas empresas precisarão adaptar seus sistemas internos durante os primeiros meses de funcionamento.
Por que o governo aposta nesse modelo
O Brasil possui uma das maiores taxas de juros para crédito pessoal do mundo.
Grande parte desse custo está relacionada ao risco de inadimplência assumido pelas instituições financeiras.
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Ao permitir o uso do FGTS e das verbas rescisórias como garantia, o governo pretende criar um ambiente de menor risco, estimulando maior concorrência entre os bancos e reduzindo o custo do crédito para trabalhadores formais.
Além disso, a estratégia busca ampliar o acesso ao financiamento sem necessidade de novos subsídios públicos.
Quais as vantagens para o trabalhador
Entre os principais benefícios esperados estão:
Juros potencialmente menores
Com garantia adicional, as instituições financeiras tendem a oferecer taxas inferiores às do crédito pessoal sem garantia.
Maior facilidade de aprovação
Trabalhadores que antes enfrentavam dificuldades para conseguir empréstimos podem ter acesso facilitado ao crédito.
Processo digital
Toda a contratação pode ser feita de forma online, utilizando plataformas oficiais e os canais das instituições participantes.
Mais opções de instituições financeiras
A expectativa é que bancos tradicionais, cooperativas e fintechs passem a disputar clientes oferecendo condições mais competitivas.
Existem riscos?
Apesar das vantagens, especialistas recomendam cautela antes da contratação.
Ao vincular parte do FGTS e das verbas rescisórias ao empréstimo, o trabalhador reduz a disponibilidade desses recursos caso ocorra uma demissão sem justa causa antes da quitação da dívida.
Por isso, é importante:
- comparar propostas de diferentes instituições;
- avaliar o custo efetivo total (CET);
- verificar o impacto das parcelas no orçamento mensal;
- contratar crédito apenas quando houver necessidade real.
Mesmo com juros menores, um empréstimo continua sendo um compromisso financeiro de longo prazo.
Quando a nova modalidade começa a valer

A funcionalidade passa a operar oficialmente nesta sexta-feira (26), após um pequeno adiamento em relação ao cronograma inicial.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, o início foi postergado por alguns dias para ajustes técnicos necessários à integração dos sistemas.
A expectativa é que o número de operações aumente gradualmente à medida que bancos, empresas e trabalhadores se adaptem ao novo modelo.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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