O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, tem depoimento previsto para quinta-feira (15), por videoconferência, à Polícia Federal (PF). Preso em Brasília, ele deverá prestar esclarecimentos sobre operações envolvendo o Banco de Brasília (BRB), investigadas por suspeitas de fraude na compra de carteiras de crédito que podem chegar a R$ 12 bilhões.
A investigação também apura uma possível negociação de propina envolvendo o ex-banqueiro e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Segundo as informações divulgadas, a suspeita envolve a transferência de seis imóveis de luxo em Brasília e São Paulo, avaliados como possível contrapartida de R$ 150 milhões.
As suspeitas ainda dependem da apuração das autoridades. O depoimento de Vorcaro é uma das etapas da investigação, que busca esclarecer as operações financeiras, identificar eventuais responsabilidades e verificar se houve irregularidades na negociação entre as instituições.
Leia mais:
Passaporte na Carteira do Google: saiba como cadastrar pelo celular
O que a Polícia Federal investiga no caso Banco Master?

A apuração examina operações de compra e venda de carteiras de crédito envolvendo o Banco Master e o BRB. As autoridades investigam se houve fraude nessas transações, cujo valor sob suspeita é estimado em R$ 12 bilhões.
Carteiras de crédito são conjuntos de empréstimos e outros direitos que uma instituição financeira tem a receber. A compra e venda desses ativos faz parte das operações do mercado bancário, mas exige que os créditos negociados tenham documentação adequada e correspondam às condições apresentadas pelas instituições envolvidas.
No caso investigado, a Polícia Federal busca esclarecer se as operações foram realizadas de maneira regular e se houve prejuízo ou tentativa de obter vantagens indevidas. A existência de uma suspeita de fraude, por si só, não comprova que todos os valores investigados correspondam a perdas efetivas.
Qual é a suspeita de propina envolvendo Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa?
Outro eixo da investigação envolve um possível pagamento de propina de Vorcaro a Paulo Henrique Costa, que presidiu o BRB. Conforme as informações divulgadas pela reportagem, a suposta vantagem teria sido viabilizada por meio de seis imóveis de luxo localizados em Brasília e São Paulo.
A contrapartida investigada seria de R$ 150 milhões. A suspeita teria surgido a partir de mensagens encontradas no celular de Vorcaro, descritas pela reportagem como parte dos elementos analisados na apuração.
A Polícia Federal deverá esclarecer a natureza das negociações, a participação dos envolvidos e a eventual relação entre os imóveis e as operações financeiras sob investigação. A comprovação de um eventual crime depende da análise das provas e do andamento dos procedimentos legais.
Por que o depoimento de Daniel Vorcaro foi adiado?
O interrogatório do ex-controlador do Banco Master já havia sido adiado duas vezes. Segundo as informações divulgadas, a defesa argumentou que não tinha recebido acesso aos autos da investigação, o que impediria a preparação adequada de Vorcaro para prestar depoimento.
O acesso aos elementos da investigação é uma questão relevante para o exercício do direito de defesa. A legislação brasileira assegura garantias processuais aos investigados, embora o alcance do acesso possa depender das regras aplicáveis ao procedimento e da natureza das diligências em andamento.
Com a nova data prevista para quinta-feira (15), a Polícia Federal pretende avançar na coleta de esclarecimentos sobre as operações envolvendo o BRB. A realização do depoimento, contudo, depende da confirmação dos atos processuais e de eventuais decisões relacionadas ao procedimento.
Paulo Henrique Costa também será ouvido pela Polícia Federal?
Sim. Segundo as informações divulgadas, a Polícia Federal pretende ouvir Paulo Henrique Costa depois do depoimento de Vorcaro. Até o momento descrito na reportagem, porém, não havia uma data definida para a oitiva do ex-presidente do BRB.
Ouvir os dois envolvidos pode ajudar os investigadores a confrontar versões e esclarecer a sequência das negociações. A análise também pode considerar documentos bancários, registros de operações, mensagens e outros elementos reunidos durante a investigação.
O depoimento de Costa não significa, por si só, que tenha sido comprovada sua participação em qualquer irregularidade. A apuração deverá verificar as circunstâncias dos fatos e a existência de provas que sustentem as suspeitas.
Quando Daniel Vorcaro foi preso?
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, durante a fase inicial da Operação Compliance Zero. Ele permaneceu detido por 12 dias antes de ser solto.
Em março de 2026, teve a prisão preventiva decretada novamente. Conforme as informações da reportagem, o ex-banqueiro permanece na Papudinha, unidade localizada no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
A prisão preventiva é uma medida cautelar, não uma condenação. Sua manutenção depende dos fundamentos legais reconhecidos no caso e das decisões judiciais pertinentes.
O que pode acontecer depois do depoimento?

Após ouvir Vorcaro, a Polícia Federal poderá comparar as declarações com os demais elementos reunidos e dar continuidade às diligências necessárias. A oitiva de Paulo Henrique Costa também poderá contribuir para esclarecer pontos ainda pendentes.
Dependendo dos resultados, a investigação poderá avançar para novas medidas, aprofundar a análise de documentos ou reunir elementos para subsidiar as decisões das autoridades competentes. Os próximos passos dependerão do conteúdo das provas e da avaliação jurídica dos fatos.
Para o público, o principal ponto é distinguir o valor das operações sob suspeita de um eventual prejuízo comprovado. Também é necessário separar as hipóteses investigadas de fatos reconhecidos judicialmente. Até que haja conclusões formais, as acusações devem ser tratadas como suspeitas, com respeito à presunção de inocência e ao direito de defesa.
Conclusão
O depoimento de Daniel Vorcaro deve representar mais uma etapa importante na investigação sobre as operações financeiras entre o Banco Master e o BRB. A Polícia Federal busca esclarecer as suspeitas de fraude de R$ 12 bilhões e a possível negociação de imóveis de luxo como forma de pagamento de propina ao ex-presidente do banco público, Paulo Henrique Costa. Os esclarecimentos dos envolvidos, somados à análise de mensagens, documentos e registros financeiros, poderão ajudar a determinar a dimensão das irregularidades e eventuais responsabilidades. Os próximos passos dependerão dos elementos reunidos pelos investigadores e das decisões das autoridades competentes. Até a conclusão das apurações, as suspeitas devem ser tratadas com cautela, sem antecipar culpa ou substituir o devido processo legal.
