O Itaú Unibanco, maior instituição financeira privada do Brasil, confirmou nesta segunda-feira (9) a demissão de funcionários que trabalhavam em regime remoto e híbrido. Embora o banco não tenha revelado números oficiais, o Sindicato dos Bancários estima que cerca de mil pessoas foram desligadas.
Demissões no Itaú: cerca de mil funcionários remotos foram desligados
Itaú confirma desligamentos após revisão de condutas no home office; sindicato fala em cerca de mil demitidos.
Segundo o comunicado do banco, as demissões ocorreram após uma “revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada”. O Itaú reforçou que a decisão está ligada à preservação de sua cultura organizacional e da relação de confiança com clientes e colaboradores.
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O que motivou os desligamentos?

De acordo com informações repassadas pelo banco à imprensa, a revisão identificou inconsistências de produtividade entre funcionários em home office. Haveria divergências entre o tempo registrado nas plataformas de trabalho e as horas efetivamente trabalhadas.
“Em alguns casos, foram identificados padrões incompatíveis com nossos princípios de confiança, que são inegociáveis para o banco”, disse a instituição em nota.
Na prática, registros apontaram períodos de inatividade de até quatro horas, considerados pelo banco como descumprimento da jornada contratual.
Sindicato critica falta de diálogo
O Sindicato dos Bancários reagiu de forma crítica às demissões. Para a entidade, os desligamentos foram conduzidos sem transparência e sem abertura de negociação com representantes da categoria.
“Os trabalhadores foram dispensados sem qualquer advertência prévia e sem qualquer diálogo com o Sindicato, num claro desrespeito aos bancários e à relação com o movimento sindical”, afirmou a nota oficial.
Maikon Azzi, diretor do sindicato e funcionário do próprio Itaú, destacou que o critério usado para justificar os desligamentos é “questionável”, já que não considera a complexidade do trabalho remoto, falhas técnicas, contextos de saúde ou sobrecarga de atividades.
Falta de feedback aos funcionários
Outro ponto levantado pela entidade sindical é a ausência de feedback aos trabalhadores monitorados. Segundo Azzi, o banco teria acompanhado dados de produtividade por meses sem dar a oportunidade de os profissionais corrigirem eventuais problemas antes de efetivar as demissões.
“Hoje fomos surpreendidos com essa demissão em massa feita pelo banco. O banco afirma que os desligamentos se baseiam em registros de inatividade nas máquinas corporativas. Consideramos esse critério extremamente questionável”, afirmou.
O sindicato informou ainda que pedirá maiores explicações formais ao Itaú e pretende buscar soluções jurídicas e trabalhistas para o caso.
Impacto no quadro de funcionários
Atualmente, o Itaú conta com mais de 96 mil colaboradores, segundo dados oficiais do próprio banco. Entretanto, o Sindicato dos Bancários afirma que o número de trabalhadores já caiu para cerca de 85 mil, considerando cortes recentes.
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Nos últimos 12 meses, a entidade aponta que mais de 500 postos de trabalho já haviam sido eliminados antes mesmo deste movimento em massa.
Lucro bilionário em contraste com cortes
As demissões chamaram ainda mais atenção porque o Itaú divulgou recentemente lucro de R$ 11,5 bilhões no segundo trimestre deste ano. Para os sindicatos, esse resultado reforça que os cortes não estariam relacionados a dificuldades financeiras, mas sim a uma política de gestão mais rígida em relação ao trabalho remoto.
Esse contraste entre altos lucros e redução de pessoal tem alimentado o debate sobre as condições de trabalho no setor bancário, que há anos passa por processos de automação e digitalização.
Tendência de cortes no setor bancário

As demissões no Itaú não são um caso isolado. O setor bancário brasileiro vem registrando uma série de desligamentos, motivados tanto pela reestruturação de modelos de trabalho quanto pela expansão de serviços digitais, que reduzem a necessidade de mão de obra em algumas áreas.
Especialistas avaliam que o caso do Itaú pode servir de alerta para a regulamentação do home office, especialmente em relação ao controle de jornada, privacidade de dados e critérios de produtividade.
Com informações de: g1
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