A Pesquisa de Saúde Financeira e Bem-Estar do Trabalhador Brasileiro 2025, realizada pela SalaryFits em parceria com a Serasa Experian, revelou que 54% dos brasileiros não conseguem chegar ao fim do mês apenas com o salário. O dado mostra que 5 em cada 10 trabalhadores enfrentam dificuldades para equilibrar o orçamento.
Apesar de preocupante, o cenário representa uma leve melhora em relação a 2024, quando 62% dos profissionais relataram que sua remuneração mensal não era suficiente. O número de trabalhadores que conseguem esticar o salário até o fim do mês cresceu de 38% para 46% em um ano, um avanço de 8 pontos percentuais.
“Para essas pessoas, a inadimplência é um risco real”, alerta o CEO da SalaryFits, Délber Lage.
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Onde o salário dos brasileiros é gasto

O estudo mostra que a maior parte do orçamento das famílias brasileiras é comprometida com gastos essenciais. De acordo com a pesquisa, 77% dos trabalhadores apontaram a alimentação como principal despesa mensal, seguida pelas contas básicas de água, luz e gás (71%).
Na sequência, aparecem financiamentos de imóveis e veículos (52%), empréstimos (36%), consumo de roupas e utilidades (33%), estudos (20%) e outras despesas diversas (7%).
Esses números reforçam a dificuldade de reduzir gastos: grande parte do dinheiro é absorvida por compromissos fixos, deixando pouca margem para imprevistos ou para construir reservas financeiras.
Como os brasileiros fecham as contas no fim do mês
Entre os trabalhadores que não conseguem se manter apenas com o salário, 49% recorrem a alguma fonte de renda extra. Segundo a pesquisa:
- 23% utilizam cartão de crédito ou contam com ajuda familiar;
- 12% recorrem ao cheque especial ou a novos empréstimos;
- 8% buscam trabalhos como freelancers ou informais;
- 4% pedem dinheiro emprestado a parentes e amigos;
- 3% solicitam adiantamento salarial.
O dado chama atenção para o risco de endividamento em cascata, já que muitos optam por créditos de alto custo, como o rotativo do cartão ou o cheque especial, ambos com juros elevados.
Diferenças entre gerações no uso da renda
A pesquisa também identificou que o comportamento financeiro varia conforme a faixa etária:
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- Geração Z (nascidos a partir de 1995): além das despesas essenciais, 13% usam parte da renda extra em lazer.
- Millennials (1981-1995): priorizam o pagamento de empréstimos e dívidas (15%), seguidos pela alimentação (13%).
Essas diferenças revelam o impacto do momento de vida em como cada grupo lida com o dinheiro — enquanto os mais jovens ainda buscam experiências e diversão, adultos entre 30 e 40 anos enfrentam o peso das responsabilidades financeiras.
Perspectivas e riscos

Embora os dados de 2025 mostrem uma leve recuperação, com menos brasileiros chegando ao vermelho antes do fim do mês, especialistas alertam que o endividamento segue como um dos maiores desafios para a saúde financeira do país.
A dependência de crédito para despesas básicas, como alimentação e contas fixas, evidencia que parte significativa da população vive no limite financeiro. Isso deixa milhões de brasileiros vulneráveis a qualquer aumento nos preços ou perda de renda.
Por outro lado, o crescimento de trabalhadores que conseguem esticar o salário aponta para uma maior conscientização sobre finanças pessoais e o possível impacto positivo de programas de educação financeira em empresas e instituições.



