O dólar começou setembro sob pressão de baixa, mas o cenário para a moeda americana continua marcado por incertezas. Nesta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, a cotação chegou a operar abaixo de R$ 5,10, depois de fechar a sessão anterior em R$ 5,1065.
A melhora do real ocorre em um momento no qual investidores acompanham simultaneamente a política monetária brasileira, as decisões do Federal Reserve, as eleições presidenciais e os riscos fiscais. No exterior, a escalada das tensões envolvendo Estados Unidos e Irã também mantém o petróleo e os mercados financeiros sob forte influência geopolítica.
Por isso, mesmo com o dólar próximo de R$ 5,10, não existe garantia de que a moeda permanecerá nesse nível durante o mês.
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Juros serão decisivos para o dólar

Um dos principais fatores para o comportamento do câmbio será a diferença entre os juros brasileiros e americanos.
No Brasil, a Selic está em 14% ao ano depois que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa na reunião de agosto. O Banco Central destacou que a inflação ainda exige cautela e que as expectativas permanecem acima da meta.
A próxima reunião do Copom está marcada para 15 e 16 de setembro.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve também se reúne nos dias 15 e 16 de setembro.
A coincidência das duas reuniões torna a semana especialmente importante para o mercado de câmbio. Se o Banco Central brasileiro reduzir os juros enquanto o Fed adota uma postura mais rígida, o diferencial de remuneração entre aplicações brasileiras e americanas diminui.
Isso pode reduzir a atratividade de ativos em reais e aumentar a procura por dólar.
Por outro lado, uma sinalização mais favorável ao corte de juros nos Estados Unidos, combinada com cautela do Banco Central brasileiro na redução da Selic, poderia preservar parte do chamado carry, mecanismo que historicamente ajuda a sustentar o real em períodos de juros domésticos elevados.
Fed mantém mercado em alerta
O cenário americano ganhou uma variável adicional nesta quinta-feira. O diretor do Fed Christopher Waller afirmou que os dados recentes apresentam sinais de desinflação e que, caso essa melhora continue, ele seria favorável à manutenção dos juros. Ao mesmo tempo, Waller alertou que uma piora nos dados de inflação de agosto poderia justificar uma alta na reunião de setembro.
Essa incerteza tende a aumentar a sensibilidade do dólar aos indicadores econômicos divulgados nas próximas semanas.
Eleições e cenário fiscal entram no radar
O mercado brasileiro também começa a incorporar de maneira mais intensa as eleições presidenciais de 2026.
Pesquisas eleitorais, declarações de candidatos e propostas relacionadas às contas públicas podem provocar mudanças rápidas na percepção dos investidores. Um ambiente considerado mais favorável à responsabilidade fiscal tende a beneficiar o real, enquanto dúvidas sobre gastos públicos, dívida e trajetória das contas do governo podem estimular a busca por proteção em moeda estrangeira.
O próprio Banco Central destacou, na decisão de agosto, que os desenvolvimentos da política fiscal doméstica continuam relevantes para a política monetária e para o comportamento dos ativos financeiros.
Isso significa que o câmbio poderá reagir não apenas às pesquisas eleitorais, mas também a propostas econômicas e sinais sobre a condução das contas públicas em 2027.
Petróleo e conflitos internacionais podem aumentar a volatilidade

O cenário internacional é outro componente importante para a cotação.
Nesta quinta-feira, o petróleo Brent chegou a aproximadamente US$ 97 por barril, impulsionado pelo agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã e pelos riscos relacionados ao Estreito de Hormuz, uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo.
Uma alta persistente da energia pode ter efeitos diferentes sobre o real. De um lado, o Brasil é exportador de commodities e pode se beneficiar de termos de troca mais favoráveis. De outro, petróleo mais caro aumenta riscos inflacionários globais e pode levar bancos centrais a manter juros elevados por mais tempo.
Esse segundo efeito tende a fortalecer o dólar em momentos de maior aversão ao risco.
Quais níveis do dólar merecem atenção?
A cotação próxima de R$ 5,10 coloca o mercado diante de regiões técnicas importantes.
Abaixo desse nível, uma continuidade da valorização do real pode recolocar R$ 5,00 no radar. Esse movimento dependeria, porém, de uma combinação favorável de fatores, como melhora do ambiente político e fiscal e condições externas menos adversas.
Na direção contrária, a região de R$ 5,20 funciona como uma referência importante para avaliar uma recuperação da moeda americana. Acima de R$ 5,25, a pressão compradora poderia ganhar força, especialmente se houver deterioração do ambiente externo ou doméstico.
Uma alta mais consistente acima de R$ 5,30 seria particularmente relevante porque poderia sinalizar uma mudança no comportamento recente do câmbio.
É importante lembrar que esses níveis são referências de mercado, e não previsões garantidas. O dólar é negociado continuamente e pode mudar de direção diante de novas informações.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
