A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deflagrou na manhã desta segunda-feira (27) uma operação de fiscalização com foco no combate à comercialização de produtos eletrônicos não homologados no Brasil.
Mercado Livre, Amazon e Shopee têm eletrônicos apreendidos pela Anatel
Operação da Anatel apreende eletrônicos, celulares, drones e rádios sem homologação em CDs da Amazon, Mercado Livre e Shopee.
A ação teve como alvos principais os centros de distribuição das plataformas de comércio eletrônico Mercado Livre, Amazon e Shopee, três dos maiores marketplaces atuando no país.
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Produtos como celulares, drones e rádios foram apreendidos

A fiscalização resultou na apreensão de uma grande quantidade de aparelhos eletrônicos que não possuem certificação da Anatel, entre eles drones, celulares e rádios comunicadores. Esses produtos estavam armazenados nos depósitos das empresas localizados nos estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina, Bahia e Rio de Janeiro.
Segundo a Anatel, a operação integra o Plano de Ação de Combate à Pirataria (PACP), criado com o objetivo de intensificar a repressão à venda de equipamentos de telecomunicação que não atendem aos requisitos legais e técnicos exigidos para comercialização no país.
Falta de homologação põe em risco consumidores e redes de comunicação
O que significa homologação?
A homologação de produtos de telecomunicação é uma exigência legal da Anatel. Trata-se de um processo técnico e regulatório que verifica se os dispositivos cumprem os padrões de segurança, compatibilidade eletromagnética e funcionalidade exigidos para uso no Brasil. Produtos sem essa certificação podem causar interferências em redes de comunicação, falhas de funcionamento e até riscos de segurança, como curtos-circuitos e superaquecimentos.
Impactos diretos ao consumidor
O conselheiro da Anatel, Alexandre Freire, responsável pela coordenação das ações contra a pirataria, foi enfático ao destacar os riscos que os consumidores correm ao adquirir produtos sem homologação. “Essa prática sujeita o consumidor a possíveis danos decorrentes da compra de equipamentos irregulares”, afirmou.
Freire acrescentou que, mesmo com os esforços contínuos de diálogo entre a agência e as plataformas digitais, o cenário atual exige medidas mais firmes. “Apesar de todo o esforço para o diálogo, reconhece-se, no atual momento, a necessidade de intensificar as ações da Anatel junto aos marketplaces”, pontuou o conselheiro.
Responsabilidade dos marketplaces em pauta
A Anatel tem reforçado a responsabilidade dos marketplaces em relação à venda de produtos ilegais. Embora não sejam os vendedores diretos, plataformas como Amazon, Shopee e Mercado Livre funcionam como intermediárias comerciais e, por isso, segundo a agência, também devem implementar mecanismos de controle e fiscalização para impedir a circulação de equipamentos não regulamentados.
“Marketplaces não estão isentos de responsabilidade sobre a adoção de medidas efetivas para combater o comércio de produtos não homologados”, declarou Alexandre Freire.
A agência informou ainda que busca estabelecer com os marketplaces medidas eficazes para o bloqueio de anúncios e a retirada de produtos irregulares de suas plataformas, evitando que esses itens cheguem ao consumidor final.
Empresas ainda não se pronunciaram
Procuradas pela imprensa, Mercado Livre, Amazon e Shopee não responderam aos questionamentos sobre a operação até o momento da publicação desta matéria. Ainda não há informações detalhadas sobre o número total de itens apreendidos, mas a Anatel prometeu divulgar um balanço parcial da operação ainda nesta segunda-feira, às 15h.
Histórico de ações contra a pirataria no setor

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Esta não é a primeira vez que a Anatel toma medidas diretas contra a venda de produtos não homologados em marketplaces. Desde o lançamento do PACP, diversas operações vêm sendo realizadas em parceria com outros órgãos reguladores e de fiscalização, como a Receita Federal, a Polícia Federal e o Procon.
Em 2024, a Anatel notificou dezenas de empresas por reincidência na venda de produtos ilegais. Mais recentemente, iniciou testes com inteligência artificial para rastrear anúncios suspeitos em tempo real, reforçando o cerco às irregularidades nas plataformas digitais.
Apreensão deve impactar setor de vendas online
A ação da Anatel pode ter efeitos significativos sobre o comércio eletrônico no Brasil. Com a intensificação da fiscalização, vendedores que atuam de forma irregular podem ser excluídos das plataformas ou sofrer penalidades severas. Já as empresas responsáveis pelos marketplaces podem ser pressionadas a adotar controles mais rígidos para garantir a legalidade dos produtos comercializados.
Especialistas em direito digital e regulação apontam que as operações da Anatel levantam um debate importante sobre o papel e os limites da responsabilidade das plataformas de intermediação. Ao mesmo tempo, há um consenso sobre a necessidade de garantir a segurança dos consumidores e o cumprimento das normas técnicas exigidas no país.
Conclusão
A apreensão de eletrônicos não homologados em centros de distribuição de grandes marketplaces reforça o compromisso da Anatel com a segurança dos consumidores e a integridade das redes de telecomunicações no Brasil.
A operação também lança luz sobre a responsabilidade compartilhada das plataformas digitais na fiscalização do que é comercializado em seus ambientes virtuais.
Com o aumento das vendas online, especialmente de produtos importados, ações como essa tendem a se tornar mais frequentes nos próximos meses. Consumidores, por sua vez, devem estar atentos e priorizar sempre a aquisição de itens que tenham certificação da Anatel, garantindo segurança e qualidade.
Imagem: Ground Picture / Shutterstock.com

