O empréstimo consignado para trabalhadores da iniciativa privada, que deveria aliviar o bolso de quem precisa de crédito rápido, acaba de bater um recorde preocupante. Desde o lançamento do programa Crédito do Trabalhador, as taxas dispararam, tornando o sonho de uma linha mais barata uma realidade distante para muitos brasileiros.
Empréstimo consignado fica salgado: juro já passa de 50% com linha do trabalhador
Juros do consignado já passam de 50% ao ano, mesmo com FGTS como garantia. Entenda aqui os riscos e proteja sua renda. Confira o guia!!!
Enquanto o governo aposta no uso do FGTS como garantia para tentar reduzir as taxas, os dados do Banco Central revelam um cenário ainda salgado. Para quem precisa desse tipo de financiamento, entender as regras, as taxas praticadas e as armadilhas do mercado é fundamental para não cair em dívidas impagáveis.

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Empréstimo consignado: O que é o Crédito do Trabalhador
Nova proposta do governo
Lançado em fevereiro, o Crédito do Trabalhador foi anunciado como um programa para democratizar o acesso ao empréstimo consignado para celetistas, que representam grande parte da força de trabalho no país. A grande promessa era usar até 10% do saldo do FGTS como garantia e, assim, reduzir as taxas cobradas.
Como funciona na prática
Com a autorização, o trabalhador usa parte do saldo do FGTS e a multa rescisória de 40% como garantia. As parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamento, modelo que traz menos risco de inadimplência para o banco. A expectativa do governo era que essa segurança ajudasse a baratear o crédito — mas o resultado, até agora, é o oposto.
O salto nas taxas de juros
O que dizem os números oficiais
De acordo com o Banco Central, a taxa média do consignado para trabalhadores da iniciativa privada saltou de 40,86% ao ano em fevereiro para 55,59% ao ano em maio — um aumento de 14,73 pontos percentuais. Mesmo com a promessa de barateamento, o programa acabou coincidindo com uma escalada de juros.
Diferenças entre bancos
A pesquisa do BC mostra que a Caixa Econômica Federal continua oferecendo a menor taxa entre os grandes bancos, com 28,09% ao ano em junho. Já o Banco do Brasil ficou em 45,41% ao ano. Enquanto isso, financeiras de menor porte chegam a cobrar impressionantes 122,19% ao ano, como é o caso do Valor S/A Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento.
Por que os juros não caíram?
Garantia não é tudo
Mesmo com o FGTS como garantia, os bancos ainda consideram o risco de crédito alto para trabalhadores do setor privado. Diferentemente de aposentados e servidores públicos, que têm estabilidade, os celetistas estão mais expostos a demissões. Isso impacta a percepção de risco, e o resultado são juros mais altos.
Inflação e cenário econômico
Outro fator é o cenário macroeconômico. A inflação resistente e o aperto monetário mantêm o custo do crédito elevado no país como um todo. Com a taxa Selic ainda alta, os bancos preferem proteger suas margens cobrando mais caro de clientes com maior risco.
Comparação com outras linhas de crédito
Como fica em relação ao consignado do INSS
Enquanto o consignado do trabalhador chega a 55% ou mais, aposentados e pensionistas do INSS pagam taxas muito menores — em torno de 23% ao ano, segundo o BC. Isso porque o risco de calote é baixo, já que o benefício é vitalício.
Alternativas de crédito pessoal
Quem não tem direito ao consignado muitas vezes recorre ao crédito pessoal, que pode ter taxas ainda mais altas, chegando a ultrapassar 100% ao ano. É por isso que, mesmo com juros salgados, o consignado ainda é visto como uma opção “menos ruim” por muitos.
Riscos de endividamento
Desconto direto na folha
Um dos atrativos do consignado é o desconto direto no salário, o que garante pagamento em dia. Por outro lado, isso também reduz a renda disponível do trabalhador, o que pode comprometer o orçamento se não houver planejamento.
Efeito bola de neve
Especialistas alertam para o risco de se criar uma bola de neve de dívidas. É comum que o trabalhador faça um consignado para pagar outra dívida, mas acabe acumulando parcelas e comprometendo mais de 30% da renda mensal.
O que dizem governo e especialistas
Frustração com o resultado
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, admitiu que a meta era reduzir os juros do consignado para os trabalhadores à metade do nível praticado antes do programa. Já o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, disse que esperava taxas semelhantes às de aposentados e servidores. Por enquanto, o mercado ainda não entregou essa promessa.
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Opinião de analistas
Analistas do setor financeiro afirmam que o programa é interessante no papel, mas esbarra em questões estruturais. O mercado precisa ter mais competição e mecanismos de incentivo para os bancos, além de campanhas de educação financeira para o trabalhador entender melhor os custos reais.
Como contratar o consignado com segurança
Leia o contrato com atenção
Antes de fechar qualquer contrato, é essencial verificar taxas, Custo Efetivo Total (CET), prazo de pagamento e se há seguros embutidos. Muitas instituições oferecem facilidades na hora de vender, mas escondem custos adicionais.
Compare diferentes opções
Consultar ofertas em diferentes bancos e financeiras pode ajudar a economizar. Use simuladores online do próprio Banco Central ou de órgãos de defesa do consumidor.
Não comprometa toda a renda
Especialistas recomendam que o trabalhador não comprometa mais de 30% da renda mensal com dívidas, incluindo o consignado. O ideal é usar o crédito para quitar dívidas mais caras ou para emergências reais.
O que esperar daqui para frente
Mudanças em discussão
Há pressão para o governo rever as regras do programa. Uma das propostas é ampliar a transparência das instituições financeiras e criar um teto para as taxas cobradas, como já existe no caso do consignado para aposentados.
Papel do Banco Central
O Banco Central tem papel fundamental para monitorar práticas abusivas e garantir que o consignado não se torne uma armadilha para quem mais precisa.

O empréstimo consignado para trabalhadores da iniciativa privada, que prometia juros mais baixos graças ao uso do FGTS como garantia, hoje se mostra mais caro do que nunca. Para o trabalhador, é essencial pesquisar, planejar e entender cada detalhe do contrato antes de comprometer parte do salário.
A promessa do governo ainda não virou realidade — mas a informação continua sendo sua melhor defesa contra taxas abusivas e armadilhas do crédito fácil. Acompanhe as próximas mudanças, compare opções e proteja sua renda.
