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Tarifas de energia mais flexíveis para produtores rurais são aprovadas

Avatar de Ellen D'Alessandro Ellen D'Alessandro · · 5 min de leitura
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A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou em 21 de agosto de 2025 o Projeto de Lei 1638/25, que oferece maior flexibilidade aos produtores rurais para o uso do desconto tarifário de energia elétrica em atividades de irrigação e aquicultura.

A proposta, de autoria do deputado Danilo Forte (União-CE), altera a Lei do Setor Elétrico, permitindo ao consumidor definir, em acordo com a distribuidora, uma janela diária de 8 horas e 30 minutos para usufruir do benefício.

Relatada pelo deputado José Medeiros (PL-MT), a medida busca atender às demandas do setor agropecuário, promovendo eficiência no uso de recursos hídricos e energéticos. A proposta segue em tramitação, aguardando análise em outras comissões da Câmara.

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Mudanças principais do Projeto de Lei 1638/25

Energia
Imagem: Freepik

O projeto propõe alterações significativas na política tarifária para o setor rural. Entre os principais pontos, destacam-se:

Escolha do período de desconto pelo produtor

A principal inovação é que o produtor rural poderá escolher o período em que deseja aplicar o desconto, negociando diretamente com a distribuidora de energia.

Janela de 8 horas e 30 minutos diárias

O benefício poderá ser utilizado em uma janela diária de 8h30min, garantindo maior flexibilidade e autonomia ao agricultor.

Negociação com distribuidoras

O acordo entre produtor e distribuidora será essencial para determinar os horários, evitando sobrecarga na rede elétrica.

Prioridade ao consumidor

O projeto garante que o produtor rural tenha a decisão final sobre o período de desconto, priorizando suas necessidades operacionais.

Essas mudanças buscam equilibrar as demandas do agronegócio com a eficiência do sistema elétrico, promovendo uma política tarifária mais justa e adaptada à realidade do campo.

Benefícios para o setor rural

Redução de custos operacionais

Com a flexibilidade do horário de desconto, atividades como irrigação e aquicultura podem ser realizadas de forma mais eficiente, reduzindo gastos com energia.

Otimização da irrigação

A irrigação é um dos processos que mais consomem energia elétrica no campo. A possibilidade de escolher horários mais convenientes reduz custos e permite melhor planejamento.

Impacto positivo na aquicultura

Na criação de peixes e outros organismos aquáticos, o bombeamento contínuo de água é essencial. A flexibilização tarifária permite que esses sistemas operem com menor impacto financeiro.

Sustentabilidade e gestão hídrica

A diversificação dos horários de uso da água diminui a pressão sobre recursos hídricos em determinados períodos, promovendo práticas mais sustentáveis.

Impactos esperados da medida

  • Redução de custos para produtores rurais;
  • Maior eficiência no uso de energia elétrica;
  • Melhor gestão dos recursos hídricos;
  • Aumento da competitividade do agronegócio.

Contexto da política tarifária no Brasil

A política de energia elétrica no Brasil passou por transformações significativas após a crise do apagão de 2001-2002. A Lei do Setor Elétrico, sancionada em 2004, definiu novas regras para geração, distribuição e consumo de energia, incluindo incentivos para o setor rural.

Os descontos tarifários foram criados para estimular irrigação e aquicultura, mas a rigidez dos horários limitava a flexibilidade dos produtores.

Atualmente, os descontos são aplicados em horários de baixa demanda, geralmente noturnos, o que nem sempre atende às necessidades do campo. O PL 1638/25 corrige essa limitação, tornando a política tarifária mais alinhada às operações rurais.

Próximos passos na tramitação do projeto

O Projeto de Lei 1638/25 passará por três comissões antes de seguir para o Senado:

Comissão de Minas e Energia

Analisará se a flexibilização compromete a estabilidade do sistema elétrico.

Comissão de Finanças e Tributação

Verificará impactos fiscais decorrentes da mudança nos descontos tarifários.

Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania

Garantirá que o projeto esteja em conformidade com a Constituição Federal.

Se aprovado, o projeto pode ser sancionado ainda em 2026, beneficiando milhões de produtores rurais.

Importância para o agronegócio brasileiro

O agronegócio é um dos pilares da economia nacional, representando cerca de 27% do PIB em 2024, segundo o IBGE. Energia elétrica é um insumo essencial para irrigação e aquicultura. Reduzir custos nesse setor aumenta margens de lucro e incentiva investimentos em tecnologia.

Irrigação

Com aproximadamente 8,2 milhões de hectares irrigados, a energia representa até 30% dos custos em algumas propriedades. O PL 1638/25 pode reduzir esse impacto.

Aquicultura

O Brasil produziu 860 mil toneladas de peixes em 2023. A flexibilização do desconto tarifário pode atrair novos investimentos e modernizar sistemas de produção.

Reações e expectativas do setor

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Imagem: Freepik

Apoio de entidades do agronegócio

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) considera a medida um avanço, destacando a autonomia que os produtores terão.

Cautela das distribuidoras

A Abradee alerta que será necessário planejamento para evitar impactos na rede elétrica, reforçando a importância da negociação entre produtor e distribuidora.

Benefícios esperados

  • Redução de custos para pequenos e médios produtores;
  • Estímulo à modernização com tecnologias de baixo consumo;
  • Maior competitividade no mercado interno e externo.

O PL 1638/25 representa um passo estratégico para modernizar a política tarifária rural, alinhando-a às necessidades do setor mais vital da economia brasileira.

Conclusão

A aprovação do PL 1638/25 na Comissão de Agricultura é um marco para a flexibilização tarifária no setor rural. Se aprovado nas próximas etapas, o projeto pode trazer benefícios financeiros, operacionais e ambientais para milhões de produtores em todo o país, contribuindo para um agronegócio mais competitivo e sustentável.

Imagem: aleksandarlittlewolf – Freepik

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