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Escrever com IA pode atrofiar habilidades cognitivas, segundo estudo

Estudo do MIT revela que escrever com IA afeta a cognição e o aprendizado. Veja aqui como isso pode impactar sua capacidade de pensar!!

Erivelto LopesPor Erivelto Lopes6 min de leitura
Escrever com IA pode atrofiar habilidades cognitivas, segundo estudo

Escrever com IA pode atrofiar habilidades cognitivas, segundo estudo. A revelação vem de uma pesquisa conduzida pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que aponta riscos significativos associados ao uso excessivo de ferramentas como o ChatGPT. O estudo mostra que a dependência desses sistemas pode comprometer o desenvolvimento de habilidades essenciais, como argumentação e raciocínio lógico.

Segundo os pesquisadores, o uso frequente da inteligência artificial para redigir textos tende a reduzir o esforço mental necessário para construir ideias próprias. Isso levanta sérias preocupações sobre o impacto da IA no processo educacional, principalmente na formação de estudantes e profissionais que precisam desenvolver pensamento crítico.

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Imagem: Canva

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Participantes e metodologia

A pesquisa envolveu 54 participantes de cinco universidades da região de Boston, entre estudantes, cientistas e engenheiros. Eles foram divididos em três grupos: o primeiro utilizou o modelo GPT-4o da OpenAI; o segundo recorreu ao Google; e o terceiro escreveu sem qualquer ajuda externa. Cada grupo participou de três sessões de escrita ao longo de quatro meses.

Durante as sessões, os participantes escolhiam entre três temas propostos, geralmente ligados a emoções, valores ou experiências humanas. Os pesquisadores usaram encefalogramas para medir a atividade cerebral, observando o nível de engajamento e o esforço mental de cada voluntário durante a execução das tarefas.

Resultados neurológicos preocupantes

Os exames mostraram que os participantes que escreveram sem auxílio apresentaram maior conectividade cerebral. O grupo que usou o Google teve um engajamento intermediário, enquanto os que utilizaram a IA demonstraram menor esforço cognitivo. Houve uma correlação direta entre o nível de assistência tecnológica e a redução do engajamento neural.

A conclusão é clara: quanto mais o participante dependia de recursos externos, menor era o envolvimento de seu cérebro na atividade de escrita. Esse dado reforça a ideia de que a IA, embora eficiente, pode estar afetando negativamente a capacidade humana de pensar e processar informações.

Testes de memória e compreensão

Após cada sessão, os autores das redações foram entrevistados e tiveram que responder a perguntas sobre o conteúdo produzido. Os resultados foram reveladores. Entre os que usaram IA, 83% não conseguiram repetir uma frase sequer do próprio texto. Nenhum soube listar corretamente os principais pontos abordados.

No grupo que utilizou o Google, apenas três participantes não conseguiram reproduzir os tópicos. Já entre os que escreveram sozinhos, apenas dois apresentaram dificuldades. A discrepância entre os grupos sugere que o uso de IA compromete seriamente a fixação do conteúdo.

Avaliação qualitativa das redações

Professores e uma ferramenta de IA especializada avaliaram os textos. Embora os produzidos com auxílio de inteligência artificial fossem gramaticalmente corretos, faltava-lhes profundidade e originalidade. Além disso, os autores desses textos apresentaram pouca compreensão do que haviam escrito.

Os pesquisadores destacaram que o uso de IA reduz o esforço mental necessário para estruturar argumentos e organizar pensamentos, prejudicando o aprendizado a longo prazo. A habilidade de desenvolver ideias próprias é uma competência que exige prática — e a IA, ao substituir essa etapa, pode comprometer o processo.

A educação diante do desafio da IA

O alerta de especialistas

Os autores do estudo afirmam que o avanço da IA torna urgente uma discussão mais profunda sobre seu papel na educação. “Embora os LLMs ofereçam conveniência imediata, nossas descobertas destacam possíveis custos cognitivos”, escreveram os cientistas.

Eles defendem que a IA seja usada com responsabilidade, especialmente em ambientes educacionais. Ferramentas como o ChatGPT não devem substituir o esforço intelectual dos estudantes, mas sim complementar seu aprendizado.

O cenário no Brasil

Uma pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), em parceria com a Educa Insights, revelou que sete em cada dez universitários no Brasil usam IA para estudar. Do total de entrevistados, 42% utilizam semanalmente e 29%, todos os dias.

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Os principais atrativos são a flexibilidade, o acesso a conteúdos diversos e a rapidez na resolução de dúvidas. No entanto, mais de 40% reconhecem o risco de se tornarem dependentes da tecnologia, além de se preocuparem com eventuais erros nas respostas geradas.

Recomendação da Unesco sobre o uso da IA

Diretrizes para uso consciente

Diante desse panorama, a Unesco publicou um guia para orientar o uso de IA generativa na educação e pesquisa. O documento propõe diretrizes éticas e pedagógicas para garantir que a tecnologia beneficie os estudantes sem prejudicar sua autonomia.

Entre as recomendações, estão o estímulo ao pensamento independente, a realização de atividades que envolvam observação do mundo real, debates em grupo, experimentos e exercícios de lógica. A IA deve ser uma ferramenta auxiliar, e não o centro do processo educativo.

Validação e regulamentação

A Unesco também destaca que instituições educacionais devem validar os sistemas que utilizam em sala de aula. Isso inclui garantir que estejam alinhados com princípios éticos e com objetivos pedagógicos claros. Aos governos, cabe o papel de criar legislações que regulem o uso da IA de forma justa e segura.

A IA não deve usurpar a inteligência humana”, afirmou Stefania Giannini, da Unesco. “Ela nos convida a repensar nossas concepções sobre conhecimento e aprendizado“.

A pesquisa do MIT traz uma contribuição valiosa para o debate sobre a relação entre inteligência artificial e cognição humana. Escrever com IA pode atrofiar habilidades cognitivas, segundo estudo, principalmente quando seu uso é constante e substitui o pensamento independente.

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Imagem: Peshkova / Shutterstock.com

A questão não está em abolir a IA do ambiente educacional, mas em estabelecer limites e boas práticas. O desenvolvimento de competências como criatividade, argumentação e análise crítica deve continuar no centro das políticas educacionais.

Em vez de depender cegamente da tecnologia, estudantes, professores e instituições devem trabalhar juntos para garantir que a IA seja um meio de expansão do conhecimento, e não de sua substituição. É preciso educar para pensar — e não apenas para consumir conteúdo pronto.

Erivelto Lopes

Autor

Erivelto Lopes

Erivelto Lopes é redator no portal Seu Crédito Digital, com forte compromisso com a verdade, responsabilidade e qualidade da informação. Atua diariamente na produção de conteúdos claros e confiáveis sobre benefícios sociais, economia e atualidades que impactam a vida do cidadão. É apaixonado por informar com agilidade, sempre buscando traduzir temas complexos de forma acessível.

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