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Falso frei se aproveita de tragédia em Mariana para faturar R$ 2 milhões; entenda

Falso frei praticou crime para faturar R$ 2 milhões da Renova — instituição de reparo aos danos da tragédia na barragem em Mariana. Entenda!

Marya Klara CorreaPor Marya Klara Correa3 min de leitura
Rio Doce, em Minas Gerais, cheio de lama após tragédia em Mariana

Um falso frei, nomeado de Philip Neves Machado, é suspeito de fraudar o seu currículo para realizar perícias determinadas pela Justiça. O trabalho seria para a reparação dos atingidos pela barragem de Fundão, em 2015, em Mariana, Minas Gerais.

Devido a essa situação, a Renova — fundação que tem o intuito de reparar os impactos causados pelo rompimento da barragem em Mariana — já pagou quase R$ 2 milhões para o suposto perito socioeconômico. Entenda!

Qual foi o trabalho realizado pelo falso frei na tragédia em Mariana?

Em abril de 2022, Philip foi nomeado como perito socioeconômico junto às comunidades da Bacia do Rio Doce. Assim, o intuito da contratação era que ele produzisse relatórios auxiliares para a 12º Vara Federal Cívera de BH, responsável pelo caso da tragédia em Mariana.

Desde que Philip passou a atuar como perito, ele já recebeu R$ 1.814,933 milhão em honorários — ao todo já foram comprovados R$ 2,7 milhões pagos em parcelas.

Na Justiça, a Renova informou que o valor pago foi para as despesas de reparação do rompimento da barragem. Além disso, segundo as reportagens da Itatiaia, a empresa responsável pela Renova, BHP Billiton, comentou sobre o caso.

Inclusive, a empresa garantiu que não indicou o frei para o caso de perito e que o juiz anterior, Mário de Paula Franco Júnior (ex-responsável pelo caso), foi quem escolheu Philip para ser o novo encarregado da perícia.

Falsificação dos currículos de Philip

Com um currículo grandioso, o nome de Philip Machado chamou muita atenção. O falso frei se apresentou para a vaga de perito com as seguintes formações:

  • Doutor em Geopolítica e Conflitos Internacionais pela Pontifícia Universidade Gregoriana, na Itália — em contestação, a universidade não oferece esse curso;
  • Consultor internacional da ONU (Organização das Nações Unidas) — em resposta para a Itatiaia, o órgão negou envolvimento;
  • Consultor internacional da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) — o órgão também negou conhecimento.

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Se tratando da sua religiosidade, a Itatiaia apurou as informações da Igreja Católica. Segundo a instituição católica, ninguém confirmou que Philip havia atuado como religioso.

Além disso, a respeito do título de frei, a Arquidiocese de Mariana e a de Belo Horizonte negaram que ele tenha permissão para usar a identificação de frei.

Dessa forma, a falsificação do currículo para a nomeação de perito é crime. Portanto, Philip pode responder por falsificação de documento público, documento particular e falsidade ideológica.

Imagem: Leonardo Mercon/ shutterstock.com

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