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Falso frei se aproveita de tragédia em Mariana para faturar R$ 2 milhões; entenda

Falso frei praticou crime para faturar R$ 2 milhões da Renova — instituição de reparo aos danos da tragédia na barragem em Mariana. Entenda o caso!

Avatar de Marya Klara Correa Marya Klara Correa · · 2 min de leitura
Rio Doce, em Minas Gerais, cheio de lama após tragédia em Mariana

Um falso frei, nomeado de Philip Neves Machado, é suspeito de fraudar o seu currículo para realizar perícias determinadas pela Justiça. O trabalho seria para a reparação dos atingidos pela barragem de Fundão, em 2015, em Mariana, Minas Gerais.

Devido a essa situação, a Renova — fundação que tem o intuito de reparar os impactos causados pelo rompimento da barragem em Mariana — já pagou quase R$ 2 milhões para o suposto perito socioeconômico. Entenda!

Qual foi o trabalho realizado pelo falso frei na tragédia em Mariana?

Em abril de 2022, Philip foi nomeado como perito socioeconômico junto às comunidades da Bacia do Rio Doce. Assim, o intuito da contratação era que ele produzisse relatórios auxiliares para a 12º Vara Federal Cívera de BH, responsável pelo caso da tragédia em Mariana.

Desde que Philip passou a atuar como perito, ele já recebeu R$ 1.814,933 milhão em honorários — ao todo já foram comprovados R$ 2,7 milhões pagos em parcelas.

Na Justiça, a Renova informou que o valor pago foi para as despesas de reparação do rompimento da barragem. Além disso, segundo as reportagens da Itatiaia, a empresa responsável pela Renova, BHP Billiton, comentou sobre o caso.

Inclusive, a empresa garantiu que não indicou o frei para o caso de perito e que o juiz anterior, Mário de Paula Franco Júnior (ex-responsável pelo caso), foi quem escolheu Philip para ser o novo encarregado da perícia.

Falsificação dos currículos de Philip

Com um currículo grandioso, o nome de Philip Machado chamou muita atenção. O falso frei se apresentou para a vaga de perito com as seguintes formações:

  • Doutor em Geopolítica e Conflitos Internacionais pela Pontifícia Universidade Gregoriana, na Itália — em contestação, a universidade não oferece esse curso;
  • Consultor internacional da ONU (Organização das Nações Unidas) — em resposta para a Itatiaia, o órgão negou envolvimento;
  • Consultor internacional da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) — o órgão também negou conhecimento.

Se tratando da sua religiosidade, a Itatiaia apurou as informações da Igreja Católica. Segundo a instituição católica, ninguém confirmou que Philip havia atuado como religioso.

Além disso, a respeito do título de frei, a Arquidiocese de Mariana e a de Belo Horizonte negaram que ele tenha permissão para usar a identificação de frei.

Dessa forma, a falsificação do currículo para a nomeação de perito é crime. Portanto, Philip pode responder por falsificação de documento público, documento particular e falsidade ideológica.

Imagem: Leonardo Mercon/ shutterstock.com

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