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O que ainda não foi revelado sobre a fraude no INSS que afetou milhões de aposentados

PF investiga Sarah Jeslany, ex-comissionada em Caruaru, por suposto envolvimento com lavagem de dinheiro no esquema de fraudes no INSS.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Aposentadoria

Uma mulher que, à primeira vista, poderia parecer fora dos holofotes da corrupção nacional, passou a ser peça-chave em uma das maiores investigações de fraudes no INSS já conduzidas pela Polícia Federal. Com 1.940 páginas de inquérito, a PF identificou Sarah Jeslany de Andrade Santos como um dos elos em um esquema que pode ter desviado bilhões de reais de aposentadorias e pensões públicas.

Apesar de ter se declarado faxineira ao tirar o passaporte, Sarah teria recebido R$ 353 mil de um dos envolvidos no esquema e viajado para Dubai acompanhando uma das principais investigadas. O caso, segundo a PF, aponta para uma complexa engrenagem de lavagem de dinheiro.

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Imagem: Freepik e Canva

O elo de Sarah com os principais investigados

Transferência suspeita e viagem internacional

Segundo o relatório da Polícia Federal, em 2023, Sarah Jeslany recebeu R$ 353.055,43 do empresário Natjo de Lima Pinheiro, um nome central no inquérito. A investigação descobriu que o montante teria origem em recursos desviados por meio de descontos não autorizados em aposentadorias do INSS — revelados na Operação Sem Desconto.

No mesmo ano, Sarah viajou a Dubai, na companhia da empresária Cecília Rodrigues Mota, também apontada como uma das líderes do esquema. A PF considera a viagem e os pagamentos como indícios claros de lavagem de dinheiro, utilizados para dificultar o rastreio da origem dos valores desviados.

Quem são os outros envolvidos?

Empresários ligados a entidades de aposentados

O relatório da PF afirma que Cecília Mota, que viajou 33 vezes em 2024 para destinos como Paris, Lisboa e Dubai, mantinha empresas e associações de aposentados utilizadas como fachada para operacionalizar os descontos indevidos e movimentações financeiras fraudulentas.

Natjo de Lima Pinheiro recebeu, segundo os investigadores, R$ 400 mil de empresas controladas por Cecília e acompanhou a empresária em várias viagens internacionais. A relação financeira entre os dois reforça, segundo os investigadores, a existência de um núcleo operacional bem definido.

O papel de Sarah Jeslany na estrutura do esquema

Lavagem de dinheiro e uso de “laranjas”

A Polícia Federal avalia que Sarah pode ter sido utilizada como “laranja” para movimentar parte dos recursos desviados. O fato de ela ter se declarado faxineira no momento de solicitar o passaporte, contrastando com:

  • O recebimento de valores vultosos;
  • A viagem internacional de luxo a Dubai;
  • E o seu histórico recente como comissionada na Prefeitura de Caruaru (PE);

fortalece a hipótese de que ela atuava como peça auxiliar no escoamento e ocultação de capital ilícito.

Contradições na vida profissional

De coordenadora municipal à declaração de faxineira

Apesar de declarar profissão modesta, Sarah foi nomeada em 14 de abril de 2022 como coordenadora na Secretaria de Desenvolvimento Rural da Prefeitura de Caruaru, cargo de chefia comissionada.

Contudo, quatro meses depois, em agosto do mesmo ano, foi exonerada. O Diário Oficial do Município confirma sua saída sem transição para outro cargo público.

Procurada, a Prefeitura de Caruaru esclareceu que:

“Ela atuou em um dos níveis mais elementares na hierarquia funcional, em rotinas internas e atendimento ao homem do campo. Após quatro meses, seu desempenho não foi considerado eficiente, acarretando na exoneração.”

A gestão informou ainda que Sarah possui ensino médio completo e que não há registro de conduta irregular durante o tempo em que atuou no serviço público municipal.

Roteiro internacional: Dubai, Paris e Lisboa

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O luxo contrastando com a origem dos envolvidos

As viagens frequentes de Cecília, algumas acompanhadas de Sarah e Natjo, chamaram atenção dos investigadores pela frequência, destino e ausência de justificativas econômicas plausíveis. Entre os principais destinos em 2024 estavam:

  • Dubai (Emirados Árabes)
  • Paris (França)
  • Lisboa (Portugal)

A suspeita da PF é que parte do dinheiro era depositado em contas de terceiros (laranjas) e sacado no exterior, dificultando o rastreio pelas autoridades brasileiras e facilitando a dissipação do patrimônio fraudulento.

Desvios bilionários e impacto no INSS

A origem do escândalo

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A Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025, apurou que cerca de R$ 6,3 bilhões foram desviados dos cofres públicos por meio de descontos indevidos aplicados a aposentadorias e pensões do INSS.

Os valores eram transferidos diretamente para contas de associações e sindicatos, muitas vezes sem autorização dos beneficiários, com a promessa de supostos serviços, como:

  • Planos de saúde populares;
  • Descontos em farmácias;
  • Assistência jurídica;
  • Produtos a preços subsidiados.

Na prática, a maioria dos beneficiários não autorizava os descontos, que eram feitos de forma sistemática e irregular, segundo o relatório da CGU e da Polícia Federal.

Medidas e bloqueios após a operação

Demissões e ações da Justiça

O escândalo provocou grande repercussão política e levou à:

  • Exoneração de Alessandro Stefanutto, então presidente do INSS;
  • Demissão do ministro da Previdência, Carlos Lupi;
  • Afastamento de quatro servidores do INSS e um policial federal suspeito de envolvimento;
  • Bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em bens patrimoniais de empresários e entidades investigadas, por decisão da Justiça Federal.

A Advocacia-Geral da União (AGU) criou um grupo especial para:

  • Propor ações judiciais de ressarcimento;
  • Recuperar ativos;
  • Garantir que aposentados não arquem com os prejuízos das fraudes.

O que acontece com Sarah Jeslany agora?

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Reprodução: Seu Crédito Digital/Freepik

Apuração de envolvimento e possíveis desdobramentos

A Polícia Federal ainda não apresentou denúncia formal contra Sarah, mas sua inclusão no inquérito, os vínculos financeiros e a participação nas viagens colocam seu nome sob forte investigação por possível lavagem de dinheiro.

A continuidade das apurações deve indicar se ela atuava com conhecimento dos atos ilícitos ou apenas emprestou seu nome e dados — ainda que, neste último caso, também possa ser responsabilizada.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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