O Ministério do Trabalho e Emprego anunciou nesta terça-feira, dia 23, a liberação dos valores do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que estavam retidos para trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e foram demitidos sem justa causa. A medida atinge diretamente pessoas que, até então, não conseguiam acessar seus próprios recursos devido às regras da modalidade criada em 2020.
Governo acelera liberação do FGTS bloqueado para milhões de brasileiros
Governo libera FGTS retido do saque-aniversário para demitidos sem justa causa. Medida beneficia 13 milhões e injeta R$7,8 bilhões na economia.
A decisão foi oficializada por meio de uma Medida Provisória e deve beneficiar cerca de 13 milhões de trabalhadores em todo o país. O impacto econômico estimado chega a R$ 7,8 bilhões, valor que será injetado de forma escalonada na economia brasileira entre o fim de 2025 e o início de 2026.
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Como será feito o pagamento dos valores liberados
De acordo com o cronograma divulgado pelo Governo Federal, os pagamentos ocorrerão em duas etapas. A primeira parcela, limitada ao valor de até R$ 1.800 por trabalhador, será depositada no dia 30 de dezembro. Já a segunda parcela está prevista para o dia 12 de fevereiro, contemplando o valor restante disponível nas contas vinculadas ao FGTS.
A liberação ocorrerá automaticamente para quem se enquadra nas regras estabelecidas pela Medida Provisória. Os valores serão creditados na mesma conta bancária cadastrada no aplicativo do FGTS ou utilizada anteriormente para recebimentos do fundo.
Quem terá direito ao saque do FGTS retido
Terão direito à liberação dos recursos os trabalhadores que atendem simultaneamente aos seguintes critérios:
- Optaram pelo saque-aniversário do FGTS
- Foram demitidos sem justa causa
- Tiveram o saldo do FGTS bloqueado após a demissão
- Possuíam valores disponíveis em contas vinculadas do fundo
A medida não altera, por enquanto, a adesão ao saque-aniversário, mas corrige uma distorção que vinha sendo alvo de críticas desde a criação da modalidade.
Entenda o que é o saque-aniversário do FGTS
O saque-aniversário foi criado durante o governo de Jair Bolsonaro como uma alternativa ao saque-rescisão tradicional. Na prática, ele permite que o trabalhador retire anualmente uma parte do saldo do FGTS no mês do seu aniversário.
O percentual liberado varia conforme o valor total disponível na conta, seguindo uma tabela progressiva. Quanto menor o saldo, maior o percentual que pode ser sacado. Além disso, há uma parcela fixa adicional conforme a faixa de saldo.
Limitações da modalidade em caso de demissão
Apesar da vantagem do saque anual, o trabalhador que adere ao saque-aniversário perde o direito de sacar o valor total do FGTS em caso de demissão sem justa causa. Nessa situação, ele recebe apenas a multa rescisória de 40% paga pelo empregador, enquanto o saldo principal permanece retido na conta.
Essa regra surpreendeu muitos trabalhadores ao longo dos anos, especialmente aqueles que aderiram à modalidade sem pleno conhecimento das consequências em caso de desligamento do emprego.
FGTS como garantia em operações de crédito
Outro ponto relevante do saque-aniversário é a possibilidade de utilizar o valor futuro do FGTS como garantia para empréstimos. Instituições financeiras passaram a oferecer crédito com desconto direto nas parcelas anuais do fundo, atraindo trabalhadores em busca de juros mais baixos.
Embora essa alternativa tenha ampliado o acesso ao crédito, especialistas alertam que o uso recorrente do FGTS para empréstimos compromete a função original do fundo, que é servir como proteção financeira em momentos de desemprego.
Governo atual critica modelo do saque-aniversário
O atual governo tem se posicionado de forma crítica em relação ao saque-aniversário. Para integrantes da equipe econômica, a modalidade enfraquece o papel do FGTS como instrumento de segurança social e reduz a capacidade de investimento em políticas públicas de habitação e infraestrutura.
Apesar das críticas, o Executivo ainda não conseguiu aprovar mudanças estruturais no Congresso Nacional. A liberação dos valores retidos surge, portanto, como uma medida intermediária, voltada a minimizar os prejuízos imediatos enfrentados por milhões de trabalhadores.
Medida provisória como solução emergencial
A opção pela Medida Provisória permitiu uma resposta rápida, sem necessidade de tramitação inicial no Legislativo. No entanto, o texto ainda precisará ser analisado por deputados e senadores para não perder validade.
O governo trabalha para construir apoio político e evitar que a MP seja desidratada ou rejeitada durante o processo de análise parlamentar.
Impacto econômico da liberação do FGTS
A liberação de R$ 7,8 bilhões deve ter efeito direto sobre o consumo das famílias, especialmente em um período marcado por aumento de despesas no início do ano, como impostos, material escolar e contas acumuladas.
Economistas avaliam que o recurso extra pode ajudar a reduzir o endividamento de curto prazo, impulsionar o comércio e estimular setores sensíveis ao consumo interno.
Medidas que devem aquecer a economia em 2026
A liberação do FGTS retido não é uma ação isolada. Ela se soma a outras iniciativas previstas para o início de 2026, entre elas:
- Reajuste do salário mínimo para R$ 1.621 a partir de janeiro
- Ampliação da faixa de isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil
- Programas de crédito voltados para trabalhadores formais e informais
Essas medidas, em conjunto, reforçam a estratégia do governo de estimular a atividade econômica por meio do aumento da renda disponível.
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Histórico recente de liberações do FGTS
Não é a primeira vez que o governo autoriza a liberação de valores retidos do FGTS. Em 2025, foram liberados cerca de R$ 12 bilhões, beneficiando aproximadamente 12,1 milhões de trabalhadores.
Naquele ano, os pagamentos ocorreram em duas etapas, nos meses de março e junho, e tiveram impacto significativo na renda das famílias, especialmente entre trabalhadores de baixa e média renda.
Comparação entre 2025 e a nova liberação
Embora o valor total anunciado agora seja menor do que o de 2025, o alcance permanece expressivo. A diferença está no foco específico sobre os trabalhadores prejudicados pelas regras do saque-aniversário após a demissão sem justa causa.
A expectativa é que a nova liberação corrija falhas apontadas em experiências anteriores e reduza a insegurança financeira de quem perdeu o emprego.
O que muda para o trabalhador a partir de agora
Para quem se enquadra nas regras da Medida Provisória, a principal mudança é o acesso a um recurso que estava bloqueado, muitas vezes por longos períodos. O dinheiro pode ser utilizado livremente, sem necessidade de justificar a finalidade.
Especialistas recomendam que os trabalhadores priorizem o pagamento de dívidas com juros elevados ou a formação de uma reserva financeira, evitando comprometer novamente o FGTS com operações de crédito.
Atenção às próximas decisões do Congresso
Apesar do anúncio, é fundamental acompanhar os desdobramentos no Congresso Nacional. Caso a Medida Provisória não seja aprovada dentro do prazo legal, ela pode perder validade, impactando o cronograma ou as regras de liberação.
O Ministério do Trabalho informou que divulgará orientações detalhadas nos canais oficiais e no aplicativo do FGTS para esclarecer eventuais dúvidas.
Conclusão
A liberação do FGTS retido para trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e foram demitidos sem justa causa representa um alívio financeiro para milhões de brasileiros. A medida reconhece uma limitação da legislação atual e busca mitigar seus efeitos imediatos, ao mesmo tempo em que reforça o papel do FGTS como instrumento de proteção social.
Com impacto bilionário e potencial de estimular a economia no início de 2026, a decisão também reacende o debate sobre o futuro do saque-aniversário e a necessidade de reformulação das regras do fundo. Enquanto mudanças mais amplas não avançam, a liberação dos valores bloqueados surge como uma resposta concreta às demandas dos trabalhadores.
Imagem: Edição Seu Crédito Digital
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