A possível extinção da modalidade saque-aniversário do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) tem gerado grande repercussão, e a medida pode afetar diretamente mais de 35 milhões de trabalhadores que aderiram a essa opção.
O governo, por meio do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, anunciou recentemente que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está favorável à decisão, com um projeto para o encerramento da modalidade previsto para ser enviado ao Congresso Nacional até novembro deste ano.
O que é o saque-aniversário?

O saque-aniversário do FGTS, implementado em 2020, possibilita que os trabalhadores façam a retirada de uma fração do saldo de suas contas ativas e inativas no fundo, uma vez por ano, durante o mês de seu aniversário. Essa modalidade surgiu como uma alternativa ao modelo tradicional de saque do FGTS, em que o trabalhador só pode retirar o saldo integral em situações específicas, como demissão sem justa causa, aposentadoria ou compra de imóvel.
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Porém, ao optar pelo saque-aniversário, o trabalhador abre mão do direito de sacar a totalidade do saldo do FGTS caso seja demitido sem justa causa. Nessa situação, ele poderá sacar apenas a multa de 40% do saldo que é paga pelo empregador. Essa característica da modalidade tem gerado críticas, especialmente em momentos de crise econômica e desemprego elevado.
Impacto sobre os trabalhadores
Desde sua criação, o saque-aniversário atraiu milhões de trabalhadores, alcançando a marca de 35,5 milhões de adesões ativas até agosto de 2024, segundo a Caixa Econômica Federal. Ao longo desses quatro anos, foram retirados aproximadamente R$ 125,4 bilhões pelos trabalhadores que aderiram à modalidade.
Contudo, os efeitos práticos dessa escolha nem sempre foram positivos para todos. Dados oficiais indicam que mais de 9 milhões de trabalhadores que optaram pelo saque-aniversário não puderam acessar o saldo completo de suas contas do FGTS ao serem demitidos. Esse fator contribuiu para que, ao longo dos anos, R$ 5 bilhões ficassem retidos no fundo, prejudicando aqueles que contavam com o recurso para situações emergenciais.
O governo, por sua vez, defende que o fim do saque-aniversário será benéfico a longo prazo, pois muitos trabalhadores se viram em situações de vulnerabilidade financeira ao serem demitidos e não terem acesso ao saldo integral do FGTS. A possibilidade de sacar apenas uma parcela anual pode não ser suficiente para cobrir despesas emergenciais, levando muitos a recorrerem a empréstimos ou outras formas de crédito.
O que muda com o fim do saque-aniversário?
Se o projeto for aprovado pelo Congresso, os trabalhadores não poderão mais aderir à modalidade do saque-aniversário, e aqueles que já fazem parte do programa terão suas opções reavaliadas. O governo sinalizou que, para compensar a descontinuação dessa modalidade, será proposto um novo formato de crédito consignado, permitindo maior acesso ao crédito com taxas reduzidas.
O ministro Luiz Marinho afirmou que o novo modelo terá o objetivo de aumentar a segurança financeira dos trabalhadores, principalmente em momentos de perda de emprego.
A decisão de extinguir o saque-aniversário visa restabelecer o caráter de proteção social do FGTS, que foi originalmente criado para garantir uma reserva financeira aos trabalhadores em momentos de dificuldade, como o desemprego.
Vantagens e desvantagens do saque-aniversário
O saque-aniversário sempre dividiu opiniões entre trabalhadores e especialistas. Para muitos, a principal vantagem da modalidade era a possibilidade de ter acesso a um dinheiro que, de outra forma, ficaria retido no fundo, por anos. Esse valor extra poderia ser utilizado para quitar dívidas, fazer investimentos ou cobrir despesas emergenciais.
Por outro lado, a principal desvantagem do saque-aniversário é justamente a limitação imposta no caso de demissão sem justa causa. Em vez de acessar o saldo total do FGTS, o trabalhador recebe apenas a multa rescisória de 40%, o que pode ser insuficiente para se reestruturar financeiramente após a perda do emprego.
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Além disso, o modelo do saque-aniversário incentivou muitos trabalhadores a contratarem empréstimos utilizando o saldo do FGTS como garantia. Essa prática gerou um endividamento adicional para uma parcela significativa dos beneficiários, que utilizavam muitas vezes o crédito descontroladamente.
Reações ao anúncio

A notícia do possível fim do saque-aniversário gerou diversas reações, tanto entre os trabalhadores quanto entre especialistas do setor financeiro. Muitos veem a medida como uma forma de proteger o trabalhador em momentos de maior vulnerabilidade, permitindo o acesso ao saldo integral do FGTS em casos de demissão.
Para o setor bancário, o fim do saque-aniversário pode representar uma queda na concessão de empréstimos consignados, já que essa modalidade vinha sendo amplamente utilizada como garantia de crédito. As instituições financeiras terão que se adaptar à nova realidade e encontrar outras formas de oferecer crédito aos trabalhadores.
Considerações finais
O projeto para o fim do saque-aniversário ainda será submetido ao Congresso Nacional, e é possível que o debate sobre a medida se intensifique nos próximos meses. Enquanto isso, os trabalhadores que já aderiram à modalidade devem acompanhar de perto as movimentações para entender como serão afetados pela mudança.
Caso o projeto seja aprovado, a expectativa é que um novo modelo de acesso ao FGTS seja implementado, com foco na ampliação do crédito consignado para trabalhadores do setor privado. O governo pretende que essa alternativa seja mais segura e vantajosa, tanto para os trabalhadores quanto para as instituições financeiras.
Independentemente do desfecho, é certo que a extinção do saque-aniversário impactará milhões de brasileiros, e a discussão sobre a melhor forma de utilizar o saldo do FGTS continuará sendo um tema de grande relevância nos próximos anos.
