Com o prazo final para envio da declaração do Imposto de Renda se aproximando, cresce a preocupação dos contribuintes quanto à possibilidade de atrasos na restituição.
Greve na Receita Federal pode atrasar restituição; saiba o que esperar
Paralisação dos auditores fiscais da Receita Federal pode atrasar a restituição do IR 2025, alerta especialista. Veja o que esperar.
A razão não está ligada a mudanças no calendário oficial da Receita Federal, mas sim à greve dos auditores fiscais, que já perdura há mais de seis meses e pode impactar diretamente a análise das declarações e os processos de devolução do imposto pago a mais.
A paralisação também ameaça a arrecadação tributária e operações no comércio exterior, gerando uma cadeia de efeitos preocupantes.
Leia mais: Novo golpe de cobrança atinge MEIs; Receita Federal emite alerta importante
Entrega dentro do prazo, mas restituição sob risco

A data final para envio da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) permanece inalterada: 30 de maio. No entanto, segundo o consultor em Gestão de Risco, Rodrigo Provazzi, a maior consequência da greve não será o adiamento do prazo, mas sim o atraso na análise e na restituição tanto para pessoas físicas quanto jurídicas.
“Eu acredito que o prazo para a entrega da declaração tem uma probabilidade muito remota de ser adiado, porém o maior impacto deve acontecer na análise e consequente restituição dos impostos de renda, tanto das pessoas físicas e também das pessoas jurídicas”, afirmou Provazzi em entrevista à rádio CBN.
Ou seja, mesmo que o contribuinte entregue corretamente sua declaração dentro do prazo, a liberação dos valores a receber poderá sofrer um atraso considerável.
Greve já impacta a arrecadação federal
Além dos efeitos para o cidadão comum, a paralisação dos auditores compromete o próprio caixa do governo. A arrecadação de tributos é afetada pela ausência dos profissionais responsáveis por fiscalizações, análises mais complexas e validação de declarações com inconsistências.
“É difícil estimar esse valor nesse momento sobre a arrecadação, mas a gente sabe que o impacto na arrecadação, que é um dos temas principais do governo federal, ele é um impacto bastante significativo. Essa greve já se estende por seis meses e ela está tomando uma proporção e uma duração maior do que o próprio governo esperava”, apontou Provazzi.
O especialista ressalta que, apesar do avanço na digitalização dos processos da Receita, a intervenção humana ainda é essencial para garantir precisão e justiça fiscal, sobretudo nos casos que fogem da regra geral.
Digitalização ajuda, mas não elimina riscos
Com os avanços tecnológicos, muitas etapas da análise de declarações se tornaram automatizadas. No entanto, ainda há um contingente significativo de processos que exigem análise técnica dos auditores.
“A análise mais básica, mais fundamental da declaração, ela hoje está muito digitalizada, porém naqueles casos de exceção, aqueles casos que demandam um nível de maior profundidade, eles ainda são muito dependentes da ação humana, então nesses casos é onde o risco é maior”, explicou Provazzi.
Ou seja, contribuintes que caírem na malha fina ou apresentarem declarações mais complexas podem enfrentar atrasos ainda mais significativos por conta da falta de pessoal.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Comércio exterior também sente os reflexos
A greve não atinge apenas as rotinas do Imposto de Renda. Empresas importadoras e exportadoras também vêm relatando prejuízos devido ao aumento no tempo de liberação de mercadorias, tanto na entrada quanto na saída do país.
“Esse é um ponto importante que eu venho conversando com diversas empresas importadoras e exportadoras. Há tendência, sim, de um maior tempo, em todo o caso, de desembaraço aduaneiro feito tanto na importação quanto na exportação. Isso prejudica não só o fluxo de caixa das empresas, mas também a própria cadeia de suprimentos. Empresas que são muito dependentes de produtos importados, de insumos importados, eles podem se ver desabastecidos”, alertou o especialista.
Esse cenário pode afetar desde pequenas empresas até grandes indústrias, comprometendo cronogramas de produção e entrega, além de pressionar os preços ao consumidor final.
O que o contribuinte deve fazer?
Apesar do cenário de incerteza, a orientação para quem ainda não declarou o IRPF 2025 é clara: envie o quanto antes. Antecipar a entrega pode ajudar a garantir um lugar nos primeiros lotes de restituição — caso a greve não inviabilize esse cronograma.
Rodrigo Provazzi reforça a importância de não deixar a entrega para o último dia, mesmo que não haja indícios de mudança na data-limite. “O ideal é que o contribuinte antecipe sua declaração. Quanto antes enviar, maior a chance de estar entre os primeiros a receber, quando os lotes começarem a ser pagos”, completou.
Com informações de: cbn
Pode ser do seu interesse:
