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Guerra bilionária entre delivery: entenda o motivo!

Apps como de delivery como Rappi, 99Food e Meituan investem bilhões para disputar mercado dominado pelo iFood.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Delivery

O iFood consolidou seu domínio entre 2020 e 2021 ao adotar contratos de exclusividade com restaurantes, dificultando a vida das concorrentes no delivery. Os acordos previam vantagens aos estabelecimentos que se comprometiam a vender apenas na plataforma. A prática chamou a atenção do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que proibiu novos contratos em 2021 e iniciou uma investigação por possível abuso de poder econômico.

Em 2023, um acordo limitou essas exclusividades a redes com menos de 30 unidades e prazos máximos de dois anos. A mudança abriu brecha para que novos players voltassem ao jogo.

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Impacto nos concorrentes

delivery
Imagem: art around me / shutterstock.com

A 99Food, que entrou no mercado brasileiro em 2019, encerrou suas operações em 2023, atribuindo a decisão à dificuldade de competir sob um cenário dominado por contratos exclusivos. O Rappi, que chegou a deter 25% do mercado, viu sua participação cair para 9%. O cenário agora é outro, e essas empresas querem reverter esse quadro.

Estratégias bilionárias em ação

99Food retorna com taxa zero e promessa de ganhos diários

Primeira a anunciar sua ofensiva, a 99Food declarou que investirá R$ 1 bilhão em sua volta ao mercado brasileiro. A principal bandeira da empresa é a isenção total de taxas para restaurantes, uma proposta ousada em comparação ao modelo tradicional. A empresa também promete ganhos de até R$ 250 por dia para entregadores, numa tentativa clara de atrair parceiros descontentes com os concorrentes.

Rappi aposta em marketing e atrativos para entregadores

Logo após, a colombiana Rappi divulgou um investimento de R$ 1,4 bilhão, a ser aplicado nos próximos três anos. Quase 80% do montante será direcionado para zerar as taxas de restaurantes, seguindo o movimento da 99Food. Além disso, criou uma remuneração mínima de R$ 10 por entrega nos finais de semana. A empresa também prepara uma ampla campanha publicitária, buscando recuperar a clientela perdida.

Meituan estreia com o Keeta e investimento recorde

Maior aposta do trio, a chinesa Meituan escolheu o Brasil como seu novo território de expansão. O investimento anunciado foi de R$ 5,6 bilhões, o maior entre os três competidores. A empresa lançará seu aplicativo “Keeta”, nome já utilizado em outros mercados da América Latina. Embora ainda não tenha revelado detalhes sobre sua operação, seu histórico impressiona: são mais de 770 milhões de usuários ativos na China e até 98 milhões de entregas por dia.

E o iFood, como reage?

Investimentos pontuais e defesa do modelo atual

Até o momento, o iFood não anunciou uma resposta em escala bilionária. A empresa preferiu investir em melhorias para os entregadores, com aumento de remuneração e novos pacotes de benefícios, como seguros e programas de capacitação. Em nota, declarou que “defende o livre mercado e a livre concorrência”, rebatendo críticas de práticas anticompetitivas.

A companhia ainda enfatizou que busca “potencializar o sucesso dos parceiros e oferecer uma experiência de qualidade aos consumidores”. A aposta, portanto, é na fidelidade dos usuários e na capilaridade de sua estrutura atual.

Restaurantes celebram nova fase

Delivery Center
imagem: Andrew Angelov / shutterstock.com

Pressão sobre taxas e concorrência saudável

Com a chegada de novas plataformas e a proposta de isenção de taxas, os estabelecimentos de alimentação veem uma oportunidade inédita de negociar melhores condições. A Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp), que representa cerca de 500 mil estabelecimentos, chegou a publicar nota criticando o iFood.

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As taxas excessivas praticadas pela plataforma praticamente colocam os restaurantes a trabalhar para ela”, afirmou o diretor-executivo Edson Pinto. A Fhoresp tem defendido a redução ou eliminação de comissões, especialmente após o impacto negativo da pandemia e o aumento nos custos de insumos.

O que esperar dos próximos meses?

Clientes, restaurantes e entregadores como peças-chave

As mudanças recentes configuram uma nova guerra no setor de delivery, onde o vencedor será aquele que conseguir convencer três públicos centrais: clientes, restaurantes e entregadores. A promessa de taxas menores e ganhos maiores pode atrair negócios e parceiros. Já os consumidores, acostumados à usabilidade e fidelidade ao iFood, precisarão ser convencidos por campanhas agressivas e promoções.

Há também uma expectativa sobre impactos nos preços finais. Se a isenção de taxas for repassada aos consumidores, o cenário pode mudar radicalmente. Do contrário, a disputa poderá beneficiar principalmente os restaurantes e entregadores.

Conclusão

O mercado brasileiro de delivery entra em 2025 como um dos mais disputados do mundo. A guerra bilionária entre 99Food, Rappi, Meituan e iFood está apenas começando. Para os consumidores, entregadores e donos de restaurantes, trata-se de uma janela de oportunidade. Para as empresas, uma batalha de resistência e inovação.

A tendência é que os próximos meses tragam novas reviravoltas, campanhas publicitárias massivas e reajustes nas políticas comerciais. O certo é que o monopólio já não é mais garantido — e a comida entregue na porta de casa agora faz parte de uma disputa global.

Imagem: art around me / Shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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