A rejeição do Congresso Nacional ao decreto que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) deixou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, diante de uma encruzilhada fiscal. Com o plano de elevar a arrecadação frustrado, o governo federal estuda três alternativas para equilibrar as contas públicas: recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), buscar novas fontes de receita ou ampliar os cortes no Orçamento.
A medida, que previa reforçar o caixa da União com até R$ 20,5 bilhões, foi derrubada em 25 de junho de 2025, em uma votação expressiva no Congresso.
Congresso e governo

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Votação ampla e inesperada
A derrubada do decreto que aumentava o IOF ocorreu com ampla maioria: 383 votos a 98 na Câmara dos Deputados. A medida havia sido parcialmente recuada pelo governo, mas não evitou o desgaste político e a derrota legislativa.
As três alternativas do Ministério da Fazenda
1. Recurso ao STF
O governo estuda recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) com o argumento de que a revogação do decreto pelo Congresso viola a Constituição. Segundo Haddad, especialistas jurídicos da administração federal consideram a decisão parlamentar inconstitucional. Caso o STF aceite julgar a questão, o resultado pode recuperar parte da arrecadação ou estabelecer limites à atuação do Legislativo sobre medidas do Executivo.
2. Novas fontes de receita
Com a derrubada do aumento do IOF, o governo avalia alternativas para compensar a perda de arrecadação. Entre elas, estão o reajuste de tributos sobre investimentos e empresas com regimes especiais, além da revisão de isenções fiscais, que somam cerca de R$ 800 bilhões anuais, segundo Haddad, sem garantia de benefícios efetivos à economia.
3. Corte adicional no Orçamento
O ministro alertou que, além dos R$ 30 bilhões já congelados, seriam necessários mais R$ 12 bilhões. “Isso vai pesar para todo mundo”, afirmou.
Os impactos na política fiscal
Perda de espaço para investimentos
Com cortes profundos no Orçamento, programas sociais, investimentos em infraestrutura e políticas públicas podem sofrer restrições. A avaliação interna é de que esse caminho pode ter alto custo político, especialmente às vésperas das eleições municipais de 2026.
Riscos para o arcabouço fiscal
O novo arcabouço fiscal do governo, aprovado em 2023, prevê limites e metas para o crescimento das despesas públicas. A frustração da arrecadação esperada com o IOF e a pressão por gastos obrigatórios, como o BPC (que deve consumir R$ 140 bilhões em 2027), aumentam o risco de descumprimento das metas fiscais.
O caso do IOF: de decreto a crise

O governo tentou aumentar o IOF em maio de 2025, mas recuou parcialmente após críticas, reduzindo a expectativa de arrecadação. Em junho, Haddad buscou um acordo com o Congresso para manter parte da medida, mas não teve sucesso. Como alternativa, o governo editou uma MP que mudou a tributação de fundos e aumentou impostos para algumas empresas.
FAQ – Perguntas frequentes
O que motivou a queda do aumento do IOF?
O Congresso derrubou o decreto por considerar excessiva a elevação da carga tributária, além de críticas à forma como o Executivo conduziu o tema.
Quais são as alternativas do governo?
As três principais opções são: recorrer ao STF, criar novas fontes de receita ou realizar cortes adicionais no Orçamento.
Quanto o governo esperava arrecadar com o aumento do IOF?
Inicialmente, o valor estimado era de R$ 20,5 bilhões, depois reduzido para R$ 19,1 bilhões com a revisão parcial do decreto.
Haverá aumento de outros impostos?
Sim, o governo já publicou uma MP com mudanças na tributação de fundos e empresas, como forma de compensar a perda com o IOF.
Quem decide o caminho a seguir?
A decisão final caberá ao presidente Lula, com base em propostas da equipe econômica liderada por Fernando Haddad.
Considerações finais
A escolha entre as três alternativas levantadas por Haddad — STF, novas receitas ou cortes — será feita por Lula. O presidente terá que equilibrar os compromissos políticos, a necessidade de manter programas sociais e a responsabilidade fiscal.
O governo deverá intensificar o diálogo com o Legislativo para viabilizar medidas que recompensem a arrecadação perdida e garantir a tramitação da MP que altera a tributação de fundos e empresas. O desafio é reverter o ambiente de desconfiança mútua.
