O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) emitiu um novo alerta que reacende o debate sobre o risco de apagão no país. Para evitar um possível déficit no fornecimento de energia, o órgão voltou a recomendar a volta do horário de verão para o fim de 2025.
ONS alerta para risco de apagão e pede volta do horário de verão
ONS alerta para risco de apagão em 2025 e recomenda volta do horário de verão para garantir energia. Saiba aqui o que pode mudar. Leia agora!
A proposta foi discutida na mais recente reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e se soma a outras medidas emergenciais para equilibrar a oferta e a demanda de energia, especialmente em períodos críticos de seca e baixo volume nos reservatórios.

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O que é o horário de verão e por que voltou à pauta?
Horário de verão: entenda o histórico
O horário de verão consiste em adiantar os relógios em uma hora durante parte do ano para aproveitar melhor a luz solar natural e reduzir o consumo de energia elétrica no horário de pico. A prática foi adotada pela primeira vez no Brasil em 1931 e teve períodos de interrupção e retomada.
Suspenso desde 2019 por decisão governamental, o horário de verão volta à pauta em um momento de pressão sobre a segurança do fornecimento elétrico.
Por que o ONS quer o retorno agora?
Segundo o ONS, a medida ajudaria a reduzir o consumo nos horários de maior demanda, entre o fim da tarde e o início da noite. Essa faixa é crítica porque coincide com a queda de geração solar e o aumento do uso de iluminação e eletrodomésticos.
Com a adoção do horário de verão, é possível “empurrar” o pico de consumo para mais cedo, aproveitando uma hora extra de luz natural. Essa economia é considerada estratégica para diminuir a necessidade de acionamento de termelétricas, que têm custo mais alto e impacto ambiental maior.
Risco de déficit de energia: projeções preocupantes
Cenário para os próximos anos
O Plano da Operação Energética 2025-2029, apresentado pelo ONS, aponta um crescimento de 14,1% na carga de energia nos próximos cinco anos, uma média de 3,4% ao ano. Em números absolutos, o país pode alcançar 94,6 GW médios em 2029.
Esse aumento na demanda se choca com o período seco prolongado, em que os reservatórios de hidrelétricas, principal fonte de energia do Brasil, tendem a operar com níveis mais baixos.
Microgeração e fontes renováveis em alta
A expansão da micro e minigeração distribuída, especialmente a solar, é um ponto positivo, mas também traz desafios. O ONS estima que essas fontes responderão por 32,9% da matriz elétrica em 2029. O problema é que painéis solares dependem de luz solar, o que limita sua contribuição nos horários de pico noturno.
Assim, as fontes controláveis — como hidrelétricas e termelétricas — continuam indispensáveis para garantir a potência necessária quando a geração renovável não é suficiente.
Medidas além do horário de verão
Térmicas entrarão antes do previsto
Para mitigar o risco de déficit, o ONS sugeriu antecipar a operação de usinas térmicas contratadas no leilão de reserva de capacidade de 2021. Elas, que só começariam a operar em 2026, podem ser ativadas já a partir de agosto de 2025, agregando cerca de 2 GW à oferta.
Essa estratégia visa cobrir momentos críticos sem sobrecarregar as hidrelétricas ou depender de importação de energia de países vizinhos.
Linhas de transmissão e gestão de reservatórios
Outra ação defendida é a conclusão de quatro linhas de transmissão até o fim de 2025, além de políticas de preservação de recursos hídricos. A gestão mais eficiente dos reservatórios pode garantir mais segurança no período seco.
Essas iniciativas se tornam ainda mais importantes diante do avanço das fontes intermitentes, como solar e eólica, que exigem uma rede elétrica robusta e flexível para evitar gargalos na distribuição.
A perspectiva do ONS e especialistas do setor
Falta de equilíbrio na expansão da matriz elétrica
De acordo com Clarice Ferraz, economista e diretora do Instituto Ilumina, a expansão da geração no Brasil não foi equilibrada entre as fontes controláveis e intermitentes. Hoje, cerca de 80% da nova capacidade vem de fontes não controláveis, principalmente a energia solar.
Esse desequilíbrio cria desafios para atender à demanda nos momentos de pico, justamente quando a geração solar não está disponível.
O papel do horário de verão na matriz atual
Para Clarice, o retorno do horário de verão faz sentido como medida de segurança energética, ajudando a mitigar o déficit estrutural. Aproveitar ao máximo a geração solar pode ser decisivo para evitar sobrecarga na rede no fim do dia.
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Já Márcio Rea, diretor-geral do ONS, reforça a necessidade de contar com fontes de energia que sejam despachadas, ou seja, que possam ser acionadas rapidamente para equilibrar a oferta e a demanda.
Potencial impacto para o consumidor
Como o horário de verão afeta sua conta de luz
Se aprovado, o horário de verão pode gerar uma economia pontual na conta de energia, mas seu impacto total depende de fatores como hábitos de consumo e eficiência dos aparelhos usados.
Na prática, o maior benefício é sistêmico: reduzir a necessidade de acionar termelétricas significa conter custos extras que poderiam ser repassados para as tarifas.
Riscos de apagão
Sem medidas como o horário de verão e o reforço da geração, o risco de apagão se torna mais real. Situações de déficit não resolvidas podem levar a cortes de carga programados, impactando residências, comércio e indústria.
Debate político e decisão final
Decisão é política, diz ONS
O ONS enfatiza que a adoção do horário de verão é uma decisão política, cabendo ao governo federal avaliar o cenário energético, o impacto econômico e a aceitação social.
Em 2022 e 2023, a mesma recomendação foi feita, mas acabou vetada. Este ano, com as projeções mais preocupantes, o tema ganha força e deve ser discutido no CMSE nos próximos meses.
Participação de ministérios e agências reguladoras
Além do ONS, o CMSE conta com representantes do Ministério de Minas e Energia, ANEEL, EPE, ANP e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). São essas instituições que, juntas, avaliam se as recomendações serão adotadas ou não.

O alerta do ONS reacende um tema que parecia superado: o horário de verão. Diante de projeções de aumento de demanda e risco de déficit, medidas como essa podem ser essenciais para evitar cenários de racionamento e apagões.
A decisão final caberá ao governo, que precisa conciliar interesses econômicos, técnicos e sociais. Enquanto isso, consumidores, especialistas e agentes do setor elétrico acompanham com atenção cada passo das discussões, torcendo para que a combinação de planejamento, investimentos e soluções sustentáveis mantenha o Brasil longe de um novo apagão.
